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Dom Casmurro · Capítulos XLII a LIII

O juramento do poço e a partida

Capítulo XLII: Capitu refletindo

Resumo da seção

No dia seguinte à conversa com a mãe, Bentinho vai à casa vizinha e encontra Capitu abatida, com um lenço atado na cabeça, que a mãe atribui a uma noite de leitura à luz de lamparina. Sozinhos, ele conta a entrevista com a mãe e o prazo de dois ou três meses para o seminário. Os dois se sentam no canapé e olham para baixo, e Capitu, depois de ficar imóvel, pede que ele conte tudo outra vez; ele atenua o relato. Ela "refletia, refletia, refletia".

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Capitu se contém diante do que ouve, "como prestes a estalar de cólera", e passa ao silêncio em vez de explodir. Bentinho não sabe se ela chorou e prefere crer que só enxugou os olhos, e atenua o relato porque teme perdê-la sem esperança e porque lhe dói vê-la padecer. Ele admite ainda que já se arrependia de ter falado à mãe antes de qualquer trabalho de José Dias, porque não queria ouvir um desengano que dava por certo.

Capitu olhava para dentro de si mesma, enquanto que eu fitava deveras o chão
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Capítulo XLIII: Você tem medo?

Resumo da seção

Capitu interrompe a reflexão, fixa em Bentinho os olhos de ressaca e pergunta se ele tem medo de apanhar, de ser preso, de brigar, de andar, de trabalhar. Ele não entende e imagina de onde viriam pancadas e prisões, vendo em pensamento o aljube e a Casa de Correção. Capitu diz que brincava, chama-o de medroso, bate-lhe de leve na cara e alega estar meio maluca. Põe uma rodela de limão nas fontes e os dois se sentam na borda do poço, onde ela fala da separação como coisa certa e risca perfis no chão com uma taquara. Bentinho pede a taquara para escrever e ela não atende.

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Capítulo XLIV: O primeiro filho

Resumo da seção

Capitu, com o olhar oblíquo que José Dias lhe atribuíra, pergunta se Bentinho escolheria entre ela e a mãe. Ele diz que viria do seminário, contra a ordem da mãe, se ela estivesse para morrer de saudades; Capitu sorri sem cor e escreve no chão "mentiroso". Para se vingar, Bentinho diz que a vida de padre não é má, na esperança de vê-la atirar-se a ele em lágrimas. Ela responde com ironia: prefere cônego, por causa das meias roxas, e quer ouvir a missa nova de vestido de saia-balão. Ele impõe uma condição: que ela só se confesse com ele e que ele seja o padre a casá-la. Capitu recusa a segunda, porque seria esperar demais, e promete que ele batizará o seu primeiro filho.

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Capítulo XLV: Abane a cabeça, leitor

Resumo da seção

O narrador pede ao leitor que abane a cabeça, faça gestos de incredulidade e até largue o livro, mas assegura que Capitu falou assim mesmo do primeiro filho, como se fosse a primeira boneca. Bentinho sentiu um fluido percorrê-lo: o filho de Capitu significava casamento dela com outro, separação absoluta. Ficou sem palavra nem gesto, enquanto ela sorria.

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Capítulo XLVI: As pazes

Resumo da seção

As pazes se fazem depressa, como a guerra, e Bentinho garante que foi Capitu quem as iniciou: abaixou a cabeça olhando para cima para ver os olhos dele, e ele se deixou ficar e passou-lhe o braço pela cintura. D. Fortunata aparece à porta da casa e some; o narrador pergunta se foi cerimônia ou certeza do que o coração lhe dizia. Cada um quer as culpas para si e pede perdão; Capitu alega insônia e "calundus", e Bentinho, chorão, sente os olhos molhados.

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Capítulo XLVII: "A senhora saiu"

Resumo da seção

Bentinho pergunta a Capitu por que lhe perguntara se tinha medo de apanhar. Depois de hesitar, ela responde que ouviu dizer que no seminário se dão pancadas, e logo diz que também não crê. A explicação agrada a Bentinho; o narrador velho acha que Capitu não disse a verdade e compara a mentira à criada que responde "a senhora saiu" quando a senhora não quer receber. As andorinhas voltam em sentido contrário, e os dois ficam somando ilusões, temores e já saudades.

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Capítulo XLVIII: Juramento do poço

Resumo da seção

Depois de alguns minutos de silêncio, Bentinho exclama que não pode ser assim: dois ou três anos passam depressa, e ele pede que Capitu jure que só se casará com ele. Ela jura três vezes, até o limite de não casar nunca, mesmo que ele case com outra, e ele jura por Deus que só se casará com ela. Capitu então propõe outra fórmula, mais forte, e os dois juram que se hão de casar um com o outro, haja o que houver. Bentinho pensa em ir ao seminário fingindo que é um colégio qualquer, sem tomar ordens, e Capitu aceita, porque não afligiria Dona Glória e qualquer resistência confirmaria a denúncia de José Dias.

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Capítulo XLIX: Uma vela aos sábados

Resumo da seção

Aliviados do juramento, os dois falam do futuro. Bentinho promete à "esposa" uma vida sossegada, longe da cidade, numa casa nem grande nem pequena, com flores, móveis, sege e um oratório de jacarandá com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, onde acenderiam uma vela aos sábados. Ele se demora no oratório em parte por religiosidade, em parte para compensar a batina que deixaria, e em parte, atribui, por um intuito secreto de captar a proteção do céu.

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Capítulo L: Um meio-termo

Resumo da seção

Meses depois, Bentinho vai para o seminário de S. José, aos quinze anos, chorando muito. Padre Cabral propõe um meio-termo: dois anos para provar a vocação, e, se ela não aparecer, outra carreira, porque Deus quer que as promessas se cumpram conforme a vontade dele. Dona Glória hesita, José Dias apoia mas quer um ano, e em particular diz a Bentinho que sem gosto o remédio é a Europa. Capitu dá igual conselho. Ao mesmo tempo, ela vai prendendo Dona Glória, que lhe dá um anel e uma miniatura feita aos vinte e cinco anos; Capitu beija o retrato com paixão.

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Capítulo LI: Entre luz e fusco

Resumo da seção

Na véspera da partida, no instante entre a luz e o fusco, Bentinho e Capitu se despedem na sala de visitas dela, antes de acender as velas. Juram de novo que se casarão e, desta vez, selam o contrato com um beijo na boca. O narrador diz que talvez risque a passagem, mas decide mantê-la porque é a defesa deles: Deus fez os lábios limpos, e a malícia está na cabeça de quem lê. Entra no seminário puro, e a vocação era Capitu.

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Capítulo LII: O velho Pádua

Resumo da seção

Na manhã da partida, o velho Pádua vem à casa de Bentinho, é mandado por Dona Glória ao quarto dele e o abraça. Diz que ele não acredite em intrigas, lembra que também foi vítima delas, elogia Dona Glória e o tio e distingue-se dos parasitas, e oferece a casa à sua companhia, mesmo de padre. Pede uma lembrança, "um trapinho", um botão de colete. Bentinho tinha um cacho dos próprios cabelos, cortado na véspera, que levaria a Capitu, e o dá ao pai para a filha guardar. O velho recebe o cacho com agradecimentos e se despede de olhos úmidos, com a cara de quem gastou todas as economias de esperança num bilhete branco.

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Capítulo LIII: A caminho!

Resumo da seção

Bentinho segue para o seminário e poupa o leitor das despedidas: Dona Glória o aperta ao peito, a prima Justina suspira e dá ordens, tio Cosme diz que volte "papa" e José Dias, que na véspera lhe prometera a Europa antes de um ano, recusa a ideia de estudar medicina na Escola daqui por causa da alopatia. Na hora, José Dias fala pouco, solta o aforismo de que dividir o filho com Deus é ainda possuí-lo, e na rua pede a Bentinho que aguente um ano, porque até lá tudo estará arranjado. Os escravos pedem a bênção.

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