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Dom Casmurro · Capítulos CXXXVI a CXLVIII

A xícara, a separação e o resto

Capítulo CXXXVI: A xícara de café

Resumo da seção

Bentinho decide se matar com veneno dissolvido no café da manhã e, enquanto espera, lê um tomo de Plutarco sobre Catão, que antes de morrer leu e releu um livro de Platão, para tomar coragem. Guarda o livro para não deixar rastro, despeja a droga na xícara com a mão trêmula e, ao mexer o café, vê a fotografia de Escobar e se anima. Adia o gesto até a mulher e o filho saírem para a missa. Então Ezequiel entra gritando "Papai, papai!", e Bentinho recua até a estante.

Análise

Bentinho copia Catão do jeito que um leitor copia uma cena: busca o livro para fabricar coragem e se preocupa com o que as gazetas diriam das calças dele. O gesto suicida chega já vestido de leitura, e o narrador velho, que se lembra do espetáculo da véspera ("Desdêmona inocente", ligada a Otelo), mostra, por baixo do gesto trágico, um homem que ensaia a própria morte como cena de teatro.

Ainda assim tive ânimo de despejar a substância na xícara
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Capítulo CXXXVII: Segundo impulso

Resumo da seção

Se não olhasse para Ezequiel, Bentinho diz que teria bebido o café ali mesmo. Mas o menino lhe beija a mão como de costume, e Bentinho, que nomeia o impulso "criminoso", pergunta se o filho já tomou café. O menino diz que sim e vai à missa com a mãe; o pai insiste que beba mais meia xícara, que ele mandará vir outra, e lhe estende a xícara, trêmulo, disposto a fazê-lo engolir. Algo o faz recuar. Ele põe a xícara na mesa e se vê beijando a cabeça do menino com loucura. "Papai! papai!" exclama Ezequiel, e Bentinho responde que não é pai dele.

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Capítulo CXXXVIII: Capitu que entra

Resumo da seção

Quando levanta a cabeça, Bentinho vê Capitu diante dele, lívida, e os dois passam por um silêncio que ele chama de século. Ela manda o filho embora e pede explicação; ele diz que não há o que explicar e, diante da insistência, repete que Ezequiel não é seu filho. Capitu mostra espanto e indignação, observa que ele nunca revelou desconfiança e exige que diga tudo ou então pede a separação. Bentinho aceita a separação como decidida, diz que fala só o que pode e alude aos amores de Escobar sem dar o nome dele. Capitu ri e responde que nem os mortos escapam aos ciúmes dele. Depois, com desdém, diz que a causa é a casualidade da semelhança e que a vontade de Deus explicará tudo.

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Capítulo CXXXIX: A fotografia

Resumo da seção

Bentinho confessa que esteve a pique de crer numa ilusão de alucinado. A entrada de Ezequiel gritando que é hora da missa o devolve à realidade. Ele e Capitu, sem querer, olham ao mesmo tempo para a fotografia de Escobar e depois um para o outro. Bentinho lê na confusão dela uma confissão, e conclui que haveria por força uma fotografia de Escobar pequeno que seria o próprio Ezequiel. Capitu não confessa nada: repete as últimas palavras, pega o filho e sai para a missa.

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Capítulo CXL: Volta da igreja

Resumo da seção

Sozinho, Bentinho resolve não beber o café: a morte era uma solução, e ele achou outra, não definitiva, que deixa aberta a reparação, isto é, a justiça. Espera Capitu, que demora mais que de costume. Ao voltar, ela diz que entregou a Deus as amarguras e ouviu dentro de si que a separação é indispensável. Bentinho responde que vai pensar, embora tudo já esteja pensado. Ele recorda as palavras do finado Gurgel sobre as semelhanças inexplicáveis, nota as feições de Ezequiel, junta episódios antigos e lembra o dia das andorinhas no fio telegráfico, em que Escobar e Capitu se olharam e logo desviaram os olhos.

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Capítulo CXLI: A solução

Resumo da seção

Bentinho e a família vão para a Europa, sem passear, e param na Suíça. Uma professora do Rio Grande fica com Capitu e ensina a língua materna a Ezequiel, que aprenderá o resto nas escolas do país. Bentinho volta ao Brasil. Meses depois Capitu começa a escrever, e ele responde com brevidade e sequidão. As cartas dela são submissas, sem ódio, às vezes afetuosas e no fim saudosas, e pedem que ele vá vê-la. Ele embarca um ano depois e não a procura, repete a viagem com o mesmo resultado e, na volta, dá notícias dela como se tivesse acabado de conviver. Um dia, finalmente...

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Capítulo CXLII: Uma santa

Resumo da seção

José Dias não vai à Europa com Bentinho: fica de companhia ao tio Cosme, quase inválido, e à mãe, que envelheceu depressa. Despede-se a bordo, de lenço, e na última vez diz que não pode ir, que talvez não o veja mais e que vai "para a outra Europa, a eterna". A mãe de Bentinho embarca primeiro, para a outra Europa: morre antes de José Dias. Bentinho manda esculpir no cemitério de São João Batista uma sepultura sem nome, só com as palavras "Uma santa". O escultor estranha, o administrador consulta o vigário, que pondera que as santas estão no altar, e Bentinho explica que quer uma definição terrena de todas as virtudes dela, a modéstia inclusive, e por isso omite o nome. O vigário concorda ao ser lembrado do protonotário Cabral, bom parceiro de gamão. José Dias, que assistiu às diligências, diz depois que o vigário foi meticuloso e que, se a conhecessem, mandariam esculpir "santíssima".

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Capítulo CXLIII: O último superlativo

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O narrador diz que aquele não foi o último superlativo de José Dias: outros vieram, até o último, "o que lhe fez da morte um pedaço de vida". José Dias passa a morar com ele, apesar do legado deixado pela mãe, e se corresponde com Capitu, pedindo o retrato de Ezequiel, que ela vai adiando de correio a correio. Quando adoece, recusa o médico homeopata, aceita um alopata e diz que "a alopatia é o catolicismo da medicina". Pouco antes de morrer ouve que o céu está lindo e pede que abram a janela. Bentinho primeiro nega, depois cede. José Dias olha para fora e murmura "Lindíssimo!", a última palavra dele. Bentinho diz que chorou por ele.

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Capítulo CXLIV: Uma pergunta tardia

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Bentinho diz que é improvável que alguém chore por ele, porque se fez esquecer, mora longe e sai pouco. A casa do Engenho Novo reproduz a de Matacavalos, mas só a lembra por comparação e reflexão, não por sentimento. Responde, com atraso, por que deixou demolir a casa velha em vez de conservá-la: quando a mãe morreu, ele fez uma longa visita de inspeção e a casa o desconheceu. No quintal, a aroeira, a pitangueira, o poço, a caçamba e o lavadouro não sabiam dele, e a casuarina tinha o tronco torto como ponto de interrogação. A ramagem sussurrava a cantiga das manhãs novas, e os porcos grunhiam como troça filosófica. Tudo lhe era estranho e adverso, e ele deixou que demolissem.

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Capítulo CXLV: O regresso

Resumo da seção

Já na casa do Engenho Novo, Bentinho recebe um cartão com o nome Ezequiel A. de Santiago. Faz o visitante esperar dez ou quinze minutos e só então lembra que devia ter alvoroço. Capitu, informa, morreu e está enterrada na Suíça. Ao entrar na sala, vê um rapaz de costas olhando o busto de Massinissa e, quando ele se volta, reconhece o Escobar do seminário, "o próprio, o exato, o verdadeiro". Ezequiel o trata de "papai", conta a vida na Europa, os estudos de arqueologia, a recordação do dia em que foi levado ao colégio. No almoço Bentinho nota que ele come como Escobar, com a cara no prato. Fica com ele e se faz pai deveras, evita que prima Justina o veja e mais tarde dá dinheiro para uma viagem científica. Pensa que antes lhe pagasse a lepra e, com vergonha da crueldade, quer apertá-lo ao coração, mas recua e o encara como a um filho de verdade.

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Capítulo CXLVI: Não houve lepra

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Não houve lepra, mas houve febre: onze meses depois, Ezequiel morre de febre tifoide e é enterrado perto de Jerusalém, onde dois amigos da universidade levantam um túmulo com uma inscrição do profeta Ezequiel, em grego. Enviam a Bentinho os textos em grego e em latim, o desenho da sepultura, a conta das despesas e o resto do dinheiro. Bentinho consulta a Vulgata e vê que a frase tem um complemento, "desde o dia da tua criação", e pergunta calado qual teria sido o dia da criação de Ezequiel. Ninguém responde, e ele chama o caso de mistério entre os do mundo. Depois, janta bem e vai ao teatro.

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Capítulo CXLVII: A exposição retrospectiva

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Bentinho diz que a alma dele não ficou "como uma flor lívida e solitária": viveu o melhor que pôde, com amigas que o consolaram da primeira. Eram caprichos de pouca duração, que o deixavam como visitantes que se fartam de uma exposição retrospectiva ou a quem a luz da sala esmorece. Só uma delas tinha carro e cocheiro de libré; às outras ele buscava carro de praça quando chovia, e as despedia com a pergunta pelo catálogo. Elas não voltavam, e ele ficava à porta, esperando, até aparecer outra visita.

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Capítulo CXLVIII: E bem, e o resto?

Resumo da seção

Bentinho pergunta por que nenhuma das caprichosas lhe fez esquecer a primeira amada, e responde que talvez nenhuma tivesse os olhos de ressaca nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Diz que o resto do livro é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se foi mudada pelo caso incidente. Cita Jesus, filho de Sirach, que aconselha não ter ciúmes da mulher, mas afirma que a menina e a moça eram uma só, "como a fruta dentro da casca". Conclui que sua primeira amiga e seu maior amigo acabaram juntando-se e enganando-o, deseja que a terra lhes seja leve e passa à História dos Subúrbios.

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