O livro não diz, e Bentinho nunca apresenta prova: o que ele tem é uma semelhança. Ezequiel é o filho de Bentinho e Capitu, nascido depois de anos de espera. Ainda pequeno, imita os gestos de outras pessoas, entre eles os de Escobar, como o jeito dos pés e das mãos. Em 1872, Capitu comenta à mesa que o menino tem nos olhos uma expressão esquisita, que ela só viu em um amigo do pai e no defunto Escobar. A partir daí, Bentinho passa a ver Escobar no rosto do filho.
O outro lado também tem apoio no texto. Bem antes, o livro mostra que há semelhanças sem culpa nenhuma: Gurgel acha Capitu parecida com o retrato da mulher dele, sem parentesco entre as duas. Bentinho se lembra disso no capítulo CXL e, ainda assim, lê as feições de Ezequiel como prova. Ele mesmo conta que o menino copiava os gestos de todos, de prima Justina a José Dias, e que José Dias, ao ver o menino copiar os seus gestos, dizia que parecia ser "eu mesmo, pequenino".
Na cena da xícara, Bentinho diz ao menino: "eu não sou teu pai". Anos depois, Ezequiel adulto aparece no Engenho Novo, e o narrador vê nele "o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar", mas confessa que a princípio lhe doeu que o rapaz não fosse realmente seu filho. Ezequiel morre meses depois, numa viagem de estudos, de febre tifoide, perto de Jerusalém. A pergunta fica sem resposta.