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Perguntas · Eneida

A Eneida é propaganda de Augusto?

A Eneida celebra Augusto e a grandeza de Roma, e por isso muitos a leem como poema oficial do império, mas o texto sustenta também a leitura contrária: ele põe à vista o preço do império em vidas, e a pergunta não tem resposta única.

Há muito a favor da leitura oficial. Júpiter promete aos romanos um império "sem limite de espaço nem de tempo". No Livro 6, Anquises mostra a Enéias "Augusto César, filho de deus", que fundará de novo séculos de ouro no Lácio, e dita a missão de Roma: reger os povos, poupar os submetidos e abater os soberbos. No Livro 8, o escudo termina em Ácio, com Augusto na popa e os Penates ao lado, e no triunfo que consagra trezentos templos.

Há também o que a leitura oficial não explica. No mesmo desfile em que Anquises mostra os futuros romanos, ele avisa contra a guerra civil de César e Pompeu, e a revista termina com o jovem Marcelo, que os fados levarão cedo, enquanto Anquises pede flores para a alma dele. O escudo não decide nenhum combate, e o herói o leva sem entender. Catão, adversário de César, pai adotivo de Augusto, aparece dando leis aos justos. A praga de Dido dá origem poética à inimizade entre Roma e Cartago. E o poema termina com o vencedor matando um rendido que pediu a vida em nome de um pai velho.

A fórmula "poupar os submetidos e abater os soberbos" serve de medida do bom domínio e de justificativa de toda conquista, e o texto não separa as duas coisas. Por isso os leitores seguem divididos: o poema dá a Augusto o seu futuro e diz em verso o preço dele.

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