Turno é o jovem chefe dos rútulos, o guerreiro que se opõe a Enéias na guerra do Lácio e morre por sua mão no último verso da Eneida.
Ele entra no poema como pretendente legítimo de Lavínia: o mais belo dos que a pedem, poderoso por avós e bisavós, e escolhido pela rainha Amata para genro do rei Latino. Quem barra o casamento são portentos dos deuses e o oráculo de Fauno, que manda Latino esperar genros estrangeiros. Juno envia a Fúria Alecto, que lhe crava uma tocha no peito, mas o poema mostra que ele já sabia dos navios troianos e já perdia noiva e trono: a fúria acende o que estava ali.
A coragem de Turno e a sua impaciência aparecem no Livro 9. Impedido de atacar um acampamento que não sai dos muros, ele ronda como um lobo diante do curral, tenta queimar a frota e entra sozinho no acampamento, onde mata chefe após chefe, mas não abre o portão aos seus. No Livro 10 mata o jovem Palante, arranca-lhe o talim, onde está gravado o massacre dos maridos pelas filhas de Dânao, e o narrador avisa que um dia ele odiará esse despojo. Depois, quando Drances o acusa de medo, aceita o duelo: "Só Enéias me chama? Que chame, eu peço".
No Livro 12, Turno exige que o duelo se faça e assume sozinho a acusação comum. O pacto se rompe por obra de Juno e de sua irmã Juturna, Júpiter pesa os dois destinos, a espada de Turno se parte nas armas de Vulcano e ele cai, ferido. Pede a vida ou o corpo devolvido ao pai, Dauno. Enéias ia atender, até ver o talim de Palante no ombro dele.