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Perguntas · Eneida

Por que Juno odeia os troianos?

Juno odeia os troianos por duas razões que o poema dá logo no começo: um rancor antigo contra Troia, ligado ao julgamento de Páris, que preferiu Vênus, e ao rapto de Ganimedes, e o amor por Cartago, a cidade que o destino promete destruir por mãos de descendentes dos troianos.

O narrador pergunta à Musa "tanta ira cabe no ânimo dos deuses?" e não recebe resposta direta. Juno fala consigo: "eu, vencida, desistir do que comecei?". Ela sabe que o destino é contra ela, e é isso que a enfurece. O que a move é a honra de rainha dos deuses ofendida, pois lembra que Palas pôde afundar uma frota grega por causa de um só homem, e o medo de que ninguém mais a adore se ceder.

O ódio muda de alvo ao longo do poema. No Livro 1 ela suborna Éolo, que solta a tempestade. No Livro 4 propõe casar Dido e Enéias para retê-lo em Cartago. No Livro 7, ao ver os troianos já construindo no Lácio, admite que Lavínia será mesmo a esposa de Enéias e escolhe atrasar e encharcar de sangue: "se não posso dobrar os deuses do alto, moverei o Aqueronte", e manda a Fúria Alecto. No Livro 10, responde a Vênus que ela pôde tirar Enéias das mãos dos gregos e transformar a frota em ninfas, e que só a Juno se acusa de ter ajudado os rútulos.

Quando Júpiter a proíbe de continuar, no Livro 12, ela cede e pede uma única coisa: que os latinos conservem o nome, a fala e as roupas, e que Troia caia "com o seu nome". O leitor mede se os motivos bastam. Juno não tem razão à altura de anos de perseguição, e é por isso que o poema parece se interessar menos pela causa do que pela desproporção do sofrimento.

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