O alfinete é o objeto com que a avó cega de Nástienka prende o vestido da neta ao seu, para vigiá-la sem vê-la, e significa a vida presa de Nástienka: a forma concreta de uma solidão oposta à do Sonhador. Ele vive sem ninguém; ela vive grudada a alguém.
Na Segunda Noite, Nástienka conta que, depois de uma travessura aos quinze anos que não revela, a avó "pegou um alfinete e prendeu o meu vestido ao dela" e disse que assim ficariam a vida inteira, a menos que a neta se tornasse melhor. Já são dois anos. Uma vez ela pôs Fiekla, a criada surda, no seu lugar, e Fiekla, sem ouvir o que a avó perguntava, desprendeu o alfinete e fugiu.
O alfinete organiza a história de amor. É por causa dele que o inquilino vê Nástienka arrastar a poltrona da avó e chorar de vergonha, e se retira com delicadeza. É contra ele que ela se rebela na noite da trouxa: "disse que não podia viver com a avó, que ia fugir dela, que não queria que me prendessem com alfinete". E é por ele que, na Quarta Noite, ela se pergunta se o seu amor não começou só porque vivia sob a vigilância da avó.
O objeto se lê de dois modos. Como prisão, faz da avó a carcereira e do amor uma fuga. Como cuidado, é o olho que uma velha cega não tem, a única proteção que ela pode dar a uma órfã. Nástienka mesma conta o castigo rindo e defende a avó logo depois, e o livro guarda as duas coisas.