Depende de quem se olha, e o livro deixa a resposta em aberto de propósito. Para Nástienka, o final é feliz: o inquilino volta, apaixonado, e os dois se casam na semana seguinte. Para o Sonhador, é uma perda: ele fica sozinho no quarto, com febre, e se vê ali mesmo dali a quinze anos, com a mesma criada. Mas ele mesmo recusa chamar o fim de infeliz.
Na Quarta Noite, por algumas horas, ele teve tudo: Nástienka aceitou a sua mão, e os dois fizeram planos de vida em comum. Um moço passou e a chamou pelo nome; ela correu para ele, voltou para beijar o Sonhador e foi embora com o outro. Na Manhã, a carta dela pede perdão, diz que queria poder amar os dois e pede que ele seja amigo e irmão.
A resposta dele não é rancor. Recusa turvar a felicidade dela com uma censura e a abençoa "pelo minuto de bem-aventurança e de felicidade que deu a outro coração, solitário e agradecido". E termina com uma pergunta: "Um minuto inteiro de bem-aventurança! Será isso pouco, mesmo para uma vida humana inteira?"
A frase final admite duas leituras, e o texto não escolhe. Numa, é gratidão verdadeira: um homem que passou a vida sonhando recebeu um minuto real e se contenta com ele pela primeira vez. Na outra, é o último devaneio: ele acaba de se ver sozinho no futuro e se dá o papel nobre de quem abençoa, porque esse papel ele sabe representar. O que pesa contra a leitura irônica é que, antes de saber que seria deixado, ele já oferecia um amor que não exigia ser preferido.