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Perguntas · Noites Brancas

Do que fala Noites Brancas?

Noites Brancas fala do que um homem que vive de devaneio faz quando a vida real enfim lhe acontece, e a resposta do livro é que ele a transforma em lembrança antes que ela termine. A novela trata da solidão numa cidade grande, do sonho que ocupa o lugar da vida e do amor que chega na hora errada, mas o centro é essa operação do Sonhador, que vê um encontro como matéria para lembrar.

Logo na Primeira Noite, o encontro mal começou e ele pede para voltar ao cais só para lembrá-lo: "tenho tão pouca vida real que momentos como este, como agora, conto-os tão raramente que não posso deixar de repeti-los em devaneio". Na Segunda, faz o diagnóstico de si mesmo e chama o devaneio, na mesma linha, de felicidade e de veneno. Confessa até que já comemora "o aniversário do que antes era tão querido e que, no fundo, nunca aconteceu".

O livro põe ao lado dele outra forma de solidão. Nástienka vive presa ao vestido da avó por um alfinete e também sonha, mas o sonho dela tem um rosto, o do inquilino, que pode chegar pela rua. Os dois chegam ao devaneio por caminhos opostos: ele vive sem ninguém, ela vive grudada a alguém. A diferença entre os dois sonhos decide o fim.

A última frase devolve a pergunta ao leitor: "Um minuto inteiro de bem-aventurança! Será isso pouco, mesmo para uma vida humana inteira?" O texto sustenta duas leituras. Para uns, é a gratidão de quem enfim se contenta com o que existe. Para outros, é o último devaneio, em que ele se dá o papel nobre de quem abençoa.

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