O livro se chama Noites Brancas por causa das noites claras do começo do verão em São Petersburgo, quando o sol desce pouco abaixo do horizonte e o céu não escurece de todo. São as noites em que acontecem os quatro encontros do Sonhador com Nástienka, todos ao ar livre, no cais de um canal.
A expressão quase não aparece no texto. Surge uma única vez, na Terceira Noite, quando o Sonhador, escrevendo num dia de chuva em que não verá Nástienka, começa a contar o encontro da véspera: "Ontem foi o nosso terceiro encontro, a nossa terceira noite branca...". Ele usa o possessivo nossa e conta as noites como quem conta um bem que possui.
O que o livro mostra é o regime dessas noites. A novela abre numa noite maravilhosa, de céu estrelado e claro, das que só existem, diz o narrador, quando se é jovem. Os encontros acontecem à noite e terminam em despedidas antes do dia, e a última parte do livro se chama Manhã e começa dizendo que as noites acabaram, numa manhã de chuva.
A noite branca é um tempo que não é nem dia nem noite, e é o tempo exato do Sonhador: o devaneio, a vida que não é nem real nem inventada de todo. Há quem leia o título só como cenário, a Petersburgo do começo do verão, e quem o leia como imagem de uma felicidade clara demais para durar, que acaba quando a luz comum volta. O texto sustenta as duas leituras.