Clavis Libri

Perguntas · Noites Brancas

Noites Brancas é bom para começar a ler Dostoiévski?

Sim, Noites Brancas é uma das melhores portas de entrada para Dostoiévski: é curta, tem só dois personagens em cena na maior parte do tempo e uma história fácil de seguir, contada em quatro noites e uma manhã. Ao mesmo tempo já traz o que o autor vai desenvolver depois: o homem solitário de Petersburgo, a confissão longa e a pergunta sem resposta no fim.

Ela tem vantagens claras para quem começa. Saiu em 1848, numa revista, meses antes da prisão de Dostoiévski, e é uma obra de juventude, com o tom terno e o humor de um narrador que ri de si mesmo. Há poucos nomes russos para guardar: o Sonhador não tem nome, Nástienka é Nástienka do começo ao fim, e o inquilino e a avó são chamados só assim. O enredo é linear, e os encontros se repetem no mesmo lugar, o banco do cais.

Também é preciso saber o que ela não é. Não tem a trama policial de Crime e Castigo nem os grandes debates de ideias dos romances da maturidade. O longo discurso do Sonhador na Segunda Noite, em que ele fala de si em terceira pessoa, pede paciência, e o livro não resolve nada: termina numa pergunta. Quem espera ação pode achar pouco; quem gosta de personagem e de voz acha muito.

Uma boa ordem de leitura é começar por ela e seguir para Memórias do Subsolo, de 1864, onde outro homem de Petersburgo que vive num canto reaparece, agora sem a ternura deste narrador. Há leitores que preferem começar pelos romances grandes e deixar Noites Brancas para depois, como descanso; o livro funciona dos dois jeitos.

Outras perguntas sobre Noites Brancas

Ver todas as perguntas