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Perguntas · Noites Brancas

O que é o sonhador petersburguês de Noites Brancas?

O sonhador petersburguês é o tipo de homem que o narrador descreve na Segunda Noite, falando de si em terceira pessoa: alguém que vive num canto de São Petersburgo, quase sem falar com ninguém, e passa as horas livres numa vida inventada, mais intensa que a real. A palavra russa é мечтатель, sonhador: quem vive de devaneio.

No retrato, o sonhador mora em cantos estranhos da cidade, onde parece brilhar outro sol, e "gruda-se ao seu canto como um caracol". Ao fim do expediente, volta para casa sem ver o pôr do sol, porque a deusa fantasia já lhe tece uma história; janta sem perceber e só desperta quando a criada lhe traz o cachimbo. No devaneio é poeta coroado e amigo de Hoffmann, encontra as heroínas de Walter Scott e não deseja nada, "porque ele mesmo é o artista da sua vida".

O retrato é feito com ironia e com vergonha. O narrador pede para continuar na terceira pessoa porque na primeira se envergonha, e conta a visita de um conhecido que o encontra perturbado e sai rindo. Depois abandona a pose e admite o preço: os melhores anos perdidos e uma fantasia que se cansa, a ponto de ele comemorar "o aniversário do que antes era tão querido e que, no fundo, nunca aconteceu".

O tipo admite duas leituras. Pode ser visto como doença, a vida trocada por imagens, e o próprio narrador chama o devaneio de veneno. Pode ser visto também como uma forma de sensibilidade, a de quem sente tudo com força e só não encontra onde pôr o que sente. Nástienka, na Terceira Noite, diz que o sonhador descrito não é ele, que ele está se curando; o fim do livro deixa a dúvida.

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