Resumo da cena
Numa rua de Veneza, à noite, diante da casa de Brabâncio, Rodrigo reclama de Iago: Iago usou a bolsa dele como se fosse sua e sabia de tudo sem avisá-lo. Iago responde que odeia Otelo, o general mouro a quem serve, porque três nobres da cidade foram pedir a Otelo que o nomeasse tenente e Otelo escolheu Cássio, um homem que nunca comandou tropa no campo, enquanto Iago, cujos serviços Otelo viu em Rodes e em Chipre, ficou apenas como alferes.
Iago explica a Rodrigo por que serve a Otelo: cálculo, e não lealdade, depois de ser preterido no posto de tenente em favor de Cássio. Diz que há criados que se matam de servir por uma ração e outros que só fingem dever para lucrar, e que ele é do segundo tipo: se mostrasse por fora o que sente por dentro, entregaria o próprio coração às gralhas para que o bicassem. Em seguida manda Rodrigo acordar o pai de Desdêmona, acusar o Mouro na rua e estragar a alegria dele.
Os dois gritam sob a janela de Brabâncio que há ladrões, e Iago lhe diz que um carneiro preto, velho, está cobrindo a sua ovelha branca, isto é, que a filha dele fugiu com o Mouro. Brabâncio reconhece Rodrigo, a quem já proibira de rondar a casa e dissera que a filha não era para ele, mas, ao ouvir de Rodrigo que a moça foi levada por um mouro, manda acender luzes e chamar os criados. Iago se afasta antes que o pai desça, porque não lhe convém ser visto frente a frente com Otelo: o Estado não pode dispensar o general na guerra de Chipre, e por isso Iago diz que tem de exibir as "bandeiras e pendões do amor", que são só sinais. Brabâncio sai com criados atrás da fugitiva, e Rodrigo se oferece para levá-lo até o Mouro.
Análise
Iago acorda Brabâncio sem dar o nome: grita com Rodrigo sob a janela, escolhe as imagens e sai antes de o pai descer. E explica por que se afasta: o Estado não pode dispensar Otelo na guerra de Chipre, então Iago, que o odeia, só pode exibir por fora o que chama de "bandeiras e pendões do amor", que são só sinais, isto é, aparência de afeto sem afeto verdadeiro. Rodrigo age como pretendente recusado: Brabâncio lembra que já o proibira de rondar a casa e lhe dissera que a filha não era para ele.
Iago fecha o que acaba de dizer a Rodrigo (que mostrar por fora o que sente por dentro seria entregar o próprio coração às gralhas) com a fórmula que rege toda a peça: Pra que o espicacem. Eu não sou o que sou.
(I.1, v. 64)
Assinatura
A análise completa de cada ato de Otelo está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.