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Símbolo

O vint

O que é

O jogo de cartas da roda de Ivan Ilitch Golovin: o uíste (вист) da juventude em província, no capítulo II, e o vint (винт) da maturidade, do capítulo I ao capítulo IV, jogado em quatro, com parceiros que não gritam, e a que o narrador dá o posto de única alegria verdadeira da vida dele. É também o que os colegas não desmarcam no dia da missa de corpo presente, e o primeiro prazer que a doença lhe tira.

Винт quer dizer também parafuso, e o verbo do jogo, повинтить (jogar uma partida de vint, no capítulo I), tem a mesma raiz do verbo que o capítulo XI usa para a dor nova: стало винтить, começou a parafusar (tradução nossa).

Onde aparece

No capítulo I, na escada da casa do morto, Schwartz pisca para Piotr Ivánovitch como quem diz que o morto se arranjou mal, e para no alto porque quer combinar onde jogar naquela noite; quando a viúva leva Piotr consigo, o olhar de Schwartz lamenta o vint perdido e propõe que joguem a cinco. Piotr sai do velório direto para a casa de Fiódor Vassílievitch e entra como quinto no fim do primeiro rober.

No capítulo II, juiz de instrução numa cidade nova, Ivan Ilitch começa a jogar uíste, em que tem a habilidade de jogar bem e quase sempre ganha; o jogo, as conversas e os jantares enchem a vida dele junto com o serviço.

No capítulo III, na casa nova, ele só se aborrece à noite quando poderia estar jogando, e o narrador põe o jogo no topo:

Радости служебные были радости самолюбия; радости общественные были радости тщеславия; но настоящие радости Ивана Ильича были радости игры в винт., As alegrias do serviço eram alegrias do amor-próprio; as alegrias sociais eram alegrias da vaidade; mas as verdadeiras alegrias de Ivan Ilitch eram as alegrias do jogo de vint.
Capítulos I a III: O velório e a vida

No capítulo IV o jogo marca a doença. Prascóvia Fiódorovna Golovina conta aos conhecidos que ele fica no vint até uma da manhã (ele retruca que foi uma vez só, em casa de Piotr Ivánovitch, e ela lembra a véspera, com Shebek), e qualquer carta ruim o derruba. Numa noite, com sete cartas de ouros e o parceiro Mikhail Mikháilovitch a apoiar, tudo pede um slam; a dor e o gosto na boca tornam absurdo alegrar-se com ele, o parceiro lhe empurra as vazas para poupar-lhe o braço, Ivan Ilitch se distrai e perde o slam por três, e vê que o parceiro sofre sem que isso lhe importe.

No capítulo XI a palavra do jogo volta para a dor: algo de novo começa a parafusar, a disparar, a apertar a respiração.

O que significa

O jogo é a forma mais pura do agradável e do decoroso: regras fixas, bons parceiros, pequeno ganho, nenhuma surpresa. Por isso serve aos vivos do capítulo I para manter a morte do colega fora da noite, e por isso é o primeiro biombo que cai no capítulo IV, quando a dor se senta à mesa com ele.

O slam perdido do capítulo IV é a primeira cena em que a indiferença de Ivan Ilitch se volta contra ele: o parceiro sofre e a ele tanto faz, e ele percebe com horror que tanto faz. É a mesma indiferença dos colegas que, no capítulo I, jogam na noite da missa, e a que ele encontrará no médico e na família. Duas leituras do jogo cabem aqui. Numa, o vint é inocente, um prazer medido que só a doença estraga. Noutra, é a imagem da vida que o narrador condena, porque é uma alegria que exige parceiros e não pessoas, e a ausência de pena que ele sente à mesa já é sintoma, e não só efeito, da doença.

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