É o verso com que as três bruxas encerram a primeira cena da peça (Ato I, cena 1): "O belo é podre, e o podre, belo sabe ser" e "Ambos pairam na cerração e na imundície do ar". O sentido corrente é o de que, nessa história, as aparências enganam: o que parece belo pode ser podre, e o contrário.
O verso tem eco imediato. Na cena 3, Macbeth ainda não ouviu as bruxas e entra dizendo: "Tão feio e tão lindo, dia assim eu nunca tinha visto." Ele usa palavras parecidas sem saber do verso.
Depois, a peça mostra várias vezes um rosto escondendo outra coisa. Duncan diz que não se adivinha o caráter de um homem pela fisionomia, a propósito de Cawdor, um cavalheiro em quem confiava e que o traiu, e logo em seguida confia em Macbeth. Lady Macbeth manda o marido receber o rei assim: "Com a aparência de inocente flor, sê a serpente sob esse disfarce." E Macbeth decide: "Aquilo que sabe o coração falso, a cara falsa deve esconder."
Os próprios personagens falam das profecias nesses termos. Banquo já avisa na charneca que o mal conta verdades pequenas para trair nas grandes, e, no Ato V, cena 5, Macbeth diz que o demônio brinca com as palavras, "mentindo como se falasse verdades".