O que é
O muro de pedra é a imagem com que o homem do subsolo nomeia o limite que as leis da natureza, as conclusões das ciências naturais e a matemática põem ao homem. Diante dele, o homem de ação cede com sinceridade e se tranquiliza, porque o muro lhe parece uma solução. O narrador não cede e não rompe: admite que não tem força para atravessá-lo e se recusa a se reconciliar só por isso. A fórmula que resume o muro é o dois e dois são quatro.
Onde aparece
No capítulo II da Primeira Parte a palavra aparece uma vez, na explicação do prazer da humilhação: ele vem de sentir que se chegou à última parede, que já não há saída e que nada o tornará outro homem.
No capítulo III da Primeira Parte o muro ocupa o centro. O homem de ação, de nervos fortes, se acalma diante do impossível, e o impossível é o muro: as leis da natureza, as ciências, a aritmética. Se lhe demonstram que descende do macaco, deve aceitar.
потому дважды два — математика. Попробуйте возразить., porque dois e dois é matemática. Experimentem retrucar.
O narrador responde que não vai quebrar o muro com a testa, se faltar força, mas também não vai se conformar só porque tem diante de si um muro de pedra.
Разумеется, я не пробью такой стены лбом, если и в самом деле сил не будет пробить, но я и не примирюсь с ней потому только, что у меня каменная стена и у меня сил не хватило., É claro que não vou romper um muro desses com a testa, se realmente não tiver força para romper, mas também não vou me conformar com ele só porque tenho diante de mim um muro de pedra e minhas forças não bastaram.
No capítulo IV da Primeira Parte, quem sofre de dor de dentes e protesta só tem, diz ele, o consolo de se açoitar ou de bater com o punho no próprio muro. No capítulo V da Primeira Parte, a raiva se decompõe pelas leis da consciência, a ofensa vira fatum, como uma dor de dentes de que ninguém é culpado, e sobra a mesma saída: bater no muro.
No capítulo IX da Primeira Parte a imagem muda de nome e fica a mesma. O dois e dois são quatro surge de mãos na cintura, atravessado no caminho, cuspindo, e o narrador o declara o começo da morte.
а ведь дважды два четыре есть уже не жизнь, господа, а начало смерти., e dois e dois são quatro já não é vida, senhores, e sim o começo da morte.
No capítulo I da Segunda Parte a palavra volta em outro sentido, o do limite da coragem: todo homem decente de seu tempo, diz ele, é covarde e escravo, e os que se mostram valentes são asnos, e só até certo muro.
O que significa
O muro marca o que a razão não deixa mudar e que o narrador não aceita como bom. A diferença entre ele e o homem de ação é de reação, não de conhecimento: os dois veem o muro, um se aquieta e o outro rói. O resultado é a menor forma de resistência que ele tem, a de não se reconciliar, que o capítulo III da Primeira Parte descreve como ranger de dentes em silêncio. Duas leituras: protesto mínimo de quem se recusa a chamar de bom o que é apenas inevitável, ou desculpa de quem usa o muro para não agir. O texto sustenta as duas, e é nelas que se encontram a Razão, a Ação e inação e o Destino e livre-arbítrio da obra.
Relações
- Temas da obra: Razão, Ação e inação, Destino e livre-arbítrio.
- Personagem: o homem do subsolo.
- Símbolos vizinhos: a tecla de piano, que leva o dois e dois ao homem, e o palácio de cristal, o muro feito casa.