Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.
Em O Idiota
a senhora é uma beldade extraordinária, Aglaia Ivánovna. É tão bonita que dá medo de olhar. [...] A beleza é difícil de julgar; ainda não estou preparado. A beleza é um enigma.
“A beleza é um enigma” identifica um conceito abstrato a uma adivinha. A imagem diz que a beleza se oferece ao olhar e ao mesmo tempo se recusa a ser entendida, e por isso o príncipe prefere não julgá-la.
Primeira Parte: A chegada, Míchkin
E ousem dizer, enfim, que as fontes da vida não se enfraqueceram, não se turvaram sob essa estrela, sob essa rede que enredou os homens. [...] Há mais riqueza, porém menos força; a ideia que unia acabou; tudo amoleceu, tudo apodreceu e todos apodreceram! Todos, todos, todos nós apodrecemos!
Terceira Parte: A explicação, Liébediev
Olhando esse quadro, a natureza assoma na forma de uma fera enorme, implacável e muda [...] na forma de uma máquina gigantesca, de fabricação moderníssima, que sem sentido agarrou, triturou e engoliu [...] um ser grande e inestimável, um ser que sozinho valia toda a natureza e todas as suas leis, a terra inteira.
Terceira Parte: A explicação, Hippolit
De que me serve toda essa beleza, quando a cada minuto, a cada segundo, eu devo e sou obrigado a saber que até essa mosquinha minúscula, que zumbe agora perto de mim num raio de sol, até ela toma parte em todo esse banquete e nesse coro, conhece o seu lugar, ama-o e é feliz, e só eu sou um aborto.
Terceira Parte: A explicação, Hippolit
É porque ele achou a pátria que aqui não tinha enxergado, e se alegrou; achou a margem, a terra, e se atirou a beijá-la! [...] "Quem não tem chão debaixo de si também não tem Deus".
Quarta Parte: O desfecho, Míchkin
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.