Resumo da cena
Em Chipre, o governador Montano e dois fidalgos olham o mar em fúria e concluem que a frota turca se perdeu na tempestade; um terceiro fidalgo traz a notícia de que o temporal desfez a frota inimiga e a guerra acabou. Cássio, tenente de Otelo, chega primeiro e reza pelo general, de quem o temporal o separou no mar. Quando Montano pergunta se o general se casou, Cássio responde que sim, com uma jovem de perfeição sem par. Aporta então Desdêmona, com Iago, Emília e Rodrigo, e pergunta por notícias do marido, que ainda não chegou.
Enquanto esperam Otelo, Iago zomba das mulheres diante de Emília e de Desdêmona, e Desdêmona lhe pede que a elogie, para passar o tempo. Iago responde com uma série de dísticos sobre a mulher bela e sábia, a morena, a bela e boba, a feia e tola, que Desdêmona chama de pilhéria boba para divertir os simplórios nas tabernas, e Cássio desculpa Iago dizendo que ele fala como soldado. Em aparte, Iago diz que vai prender Cássio numa teia por causa das cortesias dele com Desdêmona. Soam trombetas, e Otelo é o último a desembarcar e reencontra a esposa em plena felicidade: diz que, se a morte viesse agora, seria a máxima alegria, pois teme que nenhum conforto igual se repita. Iago comenta em aparte que vai afrouxar as cordas dessa melodia.
Otelo segue com os demais para o castelo, e Iago, a sós com Rodrigo, afirma que Desdêmona está apaixonada por Cássio e logo vai enjoar do Mouro, e o convence a provocar Cássio na guarda daquela noite, para que o tenente reaja, os cipriotas se amotinem e Cássio seja removido. Sozinho, Iago admite que Otelo é constante, amável e nobre, e que provavelmente será bom marido. Diz amar também Desdêmona, mais como alimento da vingança, pois suspeita que o Mouro se deitou com Emília, a mulher dele, e decide, no mínimo, lançar Otelo num ciúme tão forte que lhe tire o juízo e difamar Cássio diante dele.
Análise
Iago precisa de alguém que provoque Cássio e escolhe Rodrigo, a quem vende uma esperança: Desdêmona vai enjoar do Mouro e já olha para Cássio. Sozinho, desmente o que acabou de dizer: admite que Otelo é "constante, amável e nobre" e que provavelmente será bom marido. O que sustenta o plano não é achar que Otelo será mau marido, o que ele acaba de negar, e sim a suspeita de que o Mouro se deitou com Emília, a mulher de Iago, e a decisão de, no mínimo, lançá-lo num ciúme tão forte que lhe tire o juízo.
Um dos dísticos improvisados por Iago no jogo de elogios: Se ela é bela e sábia, saber e belezura / Um é bom pra o uso, o outro para a usura.
(II.1, v. 130-131)
Assinatura
A análise completa de cada ato de Otelo está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.