O monstro de olhos verdes é o ciúme. A imagem vem de Iago, no Ato III, cena 3, quando avisa Otelo: "Cuidado, senhor, com o ciúme." O ciúme, diz ele, é um monstro "De olho verde que vive a escarnecer da carne" de quem o nutriu, isto é, um monstro que zomba de quem o alimenta.
Iago diz isso antes de apresentar qualquer prova. Otelo responde que não levaria uma vida de ciúme, perseguindo suspeita após suspeita, e que quer "Ver antes de duvidar" e, quando duvidar, ter prova. Mais adiante, na mesma cena, abandona essa calma e exige uma prova ocular.
No Ato III, cena 4, Emília retoma a ideia: "O ciúme vem do ciúme." É um monstro "Que a si mesmo gera e a si mesmo procria". Desdêmona pede aos céus que mantenham esse monstro longe de Otelo.
A palavra volta em outras bocas. No Ato I, cena 3, Iago chama de "nascença monstra" o plano que acaba de formar; no Ato IV, cena 1, Otelo diz que "Um homem com chifres é um monstro, é uma besta"; e no Ato V, cena 2, Montano chama o assassinato de "Ato monstruoso!", e Ludovico chama Iago de "esse monstro infernal".