Iago apresenta mais de um motivo para odiar Otelo, e o primeiro é o posto de tenente: no Ato I, cena 1, ele conta a Rodrigo que três nobres da cidade foram pedir que Otelo o nomeasse, e Otelo escolheu Cássio. Por causa disso, diz, será "só o alferes de Vossa Mourecência!".
O segundo é uma suspeita. No Ato I, cena 3, a sós, Iago diz: "Eu detesto o Mouro", e que corre por aí que Otelo "Oficiou meus encargos", isto é, que se deitou com a mulher dele, Emília. Admite que não sabe se é verdade, mas que age como se fosse. No Ato II, cena 1, repete a suspeita ("Trepou na minha sela"), diz que ama Desdêmona "pela dieta própria da vingança" e acrescenta que talvez Cássio também "dormiu com minha touca".
Há ainda um motivo ligado a Cássio. No Ato V, cena 1, Iago calcula, em aparte, que, se Cássio viver, "Ele tem a beleza assídua em sua vida", o que o faz parecer mais feio, e que o Mouro pode expô-lo diante dele. Por isso, conclui, Cássio tem de morrer.
Iago também reconhece qualidades em Otelo, que descreve como "de âmago constante, amável e nobre", e é do caráter aberto dele que tira o plano: no Ato I, cena 3, diz que ele "acha que é honesto quem só parece ser" e que, por isso, se deixará levar "pelo nariz". No fim da lista de motivos do Ato II, ele mesmo admite: "Tá tudo aqui, inda confuso." Iago dá mais de um motivo e não escolhe um.