Primeira Parte: O fidalgo e os moinhos
O fidalgo prova o capacete uma vez, vê que ele se desfaz, refaz e não prova de novo, e dedica quatro e depois oito dias a escolher os nomes do cavalo e o seu. Que tipo de verificação ele aceita fazer e que tipo evita?
Ninguém, nessa noite, diz a dom Quixote que ele está numa estalagem. O que cada um dos presentes (o estalajadeiro, as moças, o castrador de porcos) ganha ao entrar na brincadeira, ou ao ficar calado?
O estalajadeiro arma dom Quixote para se livrar dele, e dom Quixote sai agradecido e sem pagar. Se a investidura vale pelo que o oficiante crê ou pelo que o recebedor crê, o que ela vale aqui, e para quem?
Na mesma manhã, dom Quixote confia na palavra do lavrador sob juramento e exige dos mercadores que creiam sem ver. Em que um caso e outro pedem a quem ouve que confie numa palavra, e quem paga quando a confiança falha?
Pedro Alonso o chama de senhor Quijana, a ama e a sobrinha de senhor e de senhor tio, o padre de bom amigo, e ele responde que sabe quem é. Que nome cada um usa para ele, e o que cada nome supõe sobre o que está acontecendo?
O padre salva Amadis por ser o melhor e condena o filho Esplandián, salva Tirante porque os cavaleiros comem e morrem na cama, e queima os que acha arrogantes. Que critérios ele usa para condenar ou poupar um livro, e eles se sustentam uns aos outros?
O padre e o barbeiro mandam emparedar o aposento e dizer que um encantador levou os livros, a sobrinha enfeita a história, e dom Quixote corrige o nome do mago e explica a razão da inimizade. Quem, nesta cena, ajuda a ficção a se sustentar, e o que cada um ganha ao fazê-lo?
Diante dos moinhos, Sancho nomeia o que vê (pás, vento, pedra) e dom Quixote responde que ele não entende de aventuras. O que cada um dos dois, nesta cena, considera prova do que viu?
O narrador interrompe a batalha dizendo que não achou mais escrito sobre as façanhas. Que efeito tem sobre o leitor saber que quem conta depende de papéis alheios, e não da própria invenção?
O narrador diz que o autor árabe pode ter mentido, por ser árabe, e logo depois que, por ser inimigo, deve ter calado louvores que o cavaleiro merecia. Em que cada uma dessas duas frases protege o narrador, e a quem ele pede que o leitor creia?
Dom Quixote jura viver como o marquês de Mântua até conseguir outro capacete, e Sancho pergunta o que fazer se não aparecer homem armado. Que resposta o amo dá, e o que ela mostra de como ele trata o que não vê?
Primeira Parte: Marcela e a estalagem
Dom Quixote manda Sancho sentar-se à mesa dos cabreiros em nome da igualdade que a cavalaria traz, e Sancho prefere comer de pé, no seu canto. O que cada um deles quer da mesa, e quem decide no fim quem se senta?
Pedro conta a história de Marcela como o povoado a conta: rica e bela, ela se faz pastora, e os pretendentes a seguem pelos campos. O que ele reconhece a favor dela, do que a acusa, e o que falta ouvir para decidir quem tem razão?
Vivaldo provoca o fidalgo para se divertir no caminho, e o caminhante levanta dois escrúpulos contra a cavalaria: que o cavaleiro se encomenda à dama e não a Deus, e que nem todos têm dama. O que dom Quixote responde a cada um, e o que isso mostra do que ele toma por regra do ofício?
Marcela responde à acusação de ter matado Grisóstomo dizendo que não deu esperança a ninguém. Que parte do que ela diz o epitáfio de Ambrósio contradiz, e que ajuda dom Quixote lhe oferece sem que ela a tenha pedido?
Dom Quixote atribui a surra ao castigo por ter puxado a espada contra quem não era cavaleiro, ordena a Sancho que castigue a canalha da próxima vez e, minutos depois, diz que as feridas das estacas não afrontam. Que regra ele aplica em cada momento, e quem fica com o custo de cada uma?
O fidalgo recebe Maritornes como a princesa que os livros prometem e declina por fidelidade a Dulcineia, enquanto o arrieiro a espera por um encontro combinado e o estalajadeiro a procura para castigá-la. O que cada um acredita que está acontecendo naquela cama, e por que a cena termina em briga?
Dom Quixote atribui o murro do arrieiro a um mouro encantado que guarda a formosura da donzela, e Sancho diz que o mouro, se não se deixa ver, deixa-se sentir. O que cada um aceita e o que cada um recusa da explicação, e quem paga a conta no fim da estadia?
Dom Quixote atribui a transformação dos exércitos em rebanhos a um sábio inimigo e propõe que Sancho siga os pastores para ver as ovelhas voltarem ao ser primeiro, mas pede que ele fique ali, porque precisa de sua ajuda. O que a prova que ele propõe prova, e por que não a faz ele mesmo?
Em oito capítulos, o fidalgo explica as derrotas de modos diferentes: os arrieiros são canalha, o murro vem de um mouro encantado, os manteadores são fantasmas, os rebanhos foram mudados por um sábio inimigo. O que muda de uma explicação à outra, e o que Sancho aceita ou recusa a cada vez?
Primeira Parte: Os galeotes e a serra
Dom Quixote vê nos encamisados e na liteira uma aventura dos livros e ataca; o bacharel, caído, diz que o fidalgo o deixou torto ao tentar endireitar tortos. Que cena cada um dos dois vê, e como o fidalgo explica o golpe quando a sua não se sustenta?
Sancho amarra as patas de Rocinante e conta a história das cabras para reter o amo até o dia; ao amanhecer, o ruído é de seis maços de pisão. O que cada um faz com a descoberta, e quem fica por cima no fim da conversa?
Dom Quixote e Sancho veem o mesmo homem a cavalo e dão nomes diferentes ao que ele traz na cabeça; o fidalgo, de posse da bacia, explica por que lhe falta metade. O que cada um precisa que a coisa seja, e o que Sancho cala quando quer rir?
Dom Quixote ouve a causa de cada galeote antes de decidir, Sancho lembra que a justiça é o rei e Ginés diz que seu livro ainda não acabou. O que cada galeote conta de si, e o que o fidalgo escolhe aproveitar dessas histórias para concluir que deve soltá-los?
O fidalgo pede aos libertos que levem a cadeia ao Toboso e se apresentem a Dulcineia; Ginés responde que é impossível e propõe ave-marias e credos. Que razões cada um dá, e o que acontece quando o fidalgo insiste?
Sancho acha na maleta mais de cem escudos e dom Quixote quer devolvê-los antes de saber de quem são. O que cada um deles conclui do soneto, da carta e da mula morta sobre o dono, e que razão dá cada um para guardar ou devolver o dinheiro?
Cardênio só aceita contar a história se ninguém o interromper; dom Quixote interrompe ao ouvir "Amadis de Gaula" e depois responde com cólera ao que Cardênio diz da rainha Madásima. O que cada interrupção mostra de quem fala, e o que acontece ao fio da história?
Primeira Parte: A penitência e Micomicona
Dom Quixote escolhe a penitência de Amadís porque é mais fácil de imitar do que a de Orlando, e diz que enlouquecer sem motivo é o que vale. O que ele quer provar a Dulcineia, que nunca viu a penitência nem leu a carta, e o que Sancho, que jura ter visto, leva para contar?
O padre e o barbeiro decidem não tirar Sancho do erro e deixar o fidalgo ser levado por uma ficção parecida com as que ele lê. O que os faz pensar que esse caminho é melhor que o da verdade, e por que ele deve funcionar com dom Quixote?
Cardênio conta que ouviu o sim de Luscinda atrás de um tapete, sem sair, e depois enlouqueceu na serra. O que ele diz que devia ter feito, o que o impediu, e por que conta tudo ao padre e ao barbeiro, que vieram buscar outro louco?
Doroteia diz a dom Fernando que é sua vassala e não sua escrava, e depois aceita a mão dele diante de uma imagem. O que a faz mudar de uma frase à outra, e o que Cardênio, que a ouve sem dizer quem é, já sabe da outra mulher da história?
Doroteia aceita o papel de princesa Micomicona e dom Quixote concede o dom sem saber qual é. O que cada um dos que armam a ficção ganha com ela, e o que a distingue de uma mentira, para quem a faz e para quem a crê?
Dom Quixote diz que o cavaleiro andante não pergunta a culpa de quem socorre, e logo aceita que Doroteia o guie por uma história que traz o sinal dele. O que o convence de que a profecia de Tinacrio é sobre ele, e o que Sancho, ao contrário, quer da mesma profecia?
Sancho conta uma visita que nunca fez, e dom Quixote transforma cada detalhe em prova a favor de Dulcineia. O que cada resposta de Sancho diz da aldeia e da dama, e o que o amo faz com ela?
Primeira Parte: O Curioso Impertinente
Cada um na estalagem diz o que os livros de cavalarias lhe dão: ao estalajadeiro, vida; à estalajadeira, descanso; à filha, as lamentações; ao padre, passatempo de ociosos. Em que o uso que o padre propõe difere do que a estalagem de fato faz com eles, e por que o estalajadeiro não aceita o argumento?
Lotário enumera por que a prova não vale nada e Anselmo responde que sofre de um desejo que nenhum argumento tira. O que cada um pressupõe sobre o que Camila é e sobre o que se pode saber dela, e por que o argumento da joia não convence quem pediu a prova?
Camila arma uma cena para um marido escondido, e Lotário e Leonela a sustentam sem ensaio. O que cada um dos três tenta salvar com a encenação, e o que Anselmo, que pediu a prova, só consegue ver nela?
Sancho jura ter visto correr o sangue do gigante e dom Quixote, acordado, dá o gigante por morto e se ajoelha diante do padre. O que cada um deles precisa que seja verdade nessa cena, e o que o estalajadeiro, que paga os odres, vê no lugar?
Dom Fernando ouve Luscinda, Doroteia e o grupo que o cerca, e é a Doroteia que ele diz ter vencido. O que cada argumento aciona nele, e por que a palavra de Doroteia, e não a de Luscinda, o desarma?
Sancho aceita a ficção do amo até o ponto em que ela lhe custa o corpo, e Doroteia a sustenta por razões que não são as do fidalgo. O que cada um dos que cercam dom Quixote ganha em manter o engano da princesa Micomicona, e em que ponto Sancho se recusa a segui-lo?
Primeira Parte: As armas e o cativo
Dom Quixote prova que o soldado merece mais que o letrado e, na mesma fala, lamenta viver numa idade de pólvora. O que o argumento põe como medida do valor, e o que o lamento diz sobre o que ele espera do próprio ofício?
O pai dá a cada filho uma parte da herança e um caminho: Igreja, mar ou casa real. O que ele promete a cada caminho, e o que o cativo diz ter obtido do seu em vinte e dois anos?
Zoraida escreve a um cativo que nunca viu e põe uma condição: que seja cavaleiro. O que ela quer com a fuga, o que arrisca, e por que o plano do renegado vence o que ela mesma propusera?
Agi Morato dá duas razões para a conversão da filha, o proveito e a desonestidade da terra dos cristãos, e Zoraida dá uma terceira, a pressa da alma. O que cada um dos três vê na fuga, e quem decide cada passo no relato que o cativo faz?
O padre conta ao ouvidor a vida do capitão como a de um camarada seu, em vez de apresentar o irmão de imediato. O que ganha com o rodeio, e o que a resposta do ouvidor diz sobre o que o cativo temia?
Dona Clara diz que o cantor tomado por moço de mulas é senhor de lugares e de sua alma, e dom Quixote vê janela de castelo onde há um buraco de palheiro. O que cada um enxerga por trás da aparência, e o que cada um precisa que seja verdade?
Primeira Parte: A jaula e o cônego
Dom Quixote pede licença à princesa para socorrer o estalajadeiro e se detém diante dos hóspedes porque são gente de escudeiro, depois jura pela ordem de cavalaria que a bacia é o elmo e deixa a albarda ao parecer dos outros. Em qual desses gestos ele obedece à regra que professa, e em qual a regra lhe serve de pretexto?
Dom Fernando põe a estalagem para votar se o objeto é albarda ou jaez, e dom Quixote acaba aplacando a briga pedindo que o ouvidor e o padre façam de reis Agramante e Sobrino. O que a votação decide, o que a ficção do campo de Agramante consegue, e o que o mandado da Santa Irmandade mostra que nenhuma das duas decide?
Os quadrilheiros desistem do mandado quando o padre diz que o fidalgo é louco, e o padre usa para levá-lo a mesma linguagem de que ele vive. O que ele aceita de bom grado nessa profecia, o que o leva a crer sem desconfiar, e o que Sancho, que reconheceu todos, sabe e deixa de dizer?
O cônego condena os livros de cavalaria porque lhes falta forma e verossimilhança, e o fidalgo na jaula vive de acordo com eles. O que o cônego exige de uma boa fábula, e o que na própria cena do carro de bois mostra que o padre armou a burla com o gosto desses mesmos livros?
O cônego escreveu cem folhas de um livro de cavalarias, desistiu por causa do povo e fala de um examinador de comédias, e o padre quer o mesmo para os livros novos. O que cada um deles exige do público e dos autores, e o que isso diz sobre o que fizeram com a biblioteca de dom Quixote?
Sancho prova que o amo não está encantado porque come, bebe e responde, e o fidalgo responde que há muitas maneiras de encantamento e que, se não estivesse encantado, estaria defraudando os necessitados. O que Sancho quer provar com isso, o que o fidalgo protege na resposta, e por que o cônego, que também sente prazer na leitura, não consegue persuadi-lo?
Dom Quixote defende os livros com a licença dos reis e com a cena de um lago de piche, o cônego pede verossimilhança, e Sancho transforma o condado em renda. O que cada um dos três quer da aventura de que falam, e que prova cada um oferece de que ela vale a pena?
Eugênio conta que Leandra se enamorou do oropel e das façanhas de um soldado que contava vestidos e batalhas, e que depois de roubada garantiu que a honra ficou intacta. O que cada um dos que a cercam, o pai, os pretendentes, o soldado e ela mesma, quer que seja verdade nessa história, e que ela mesma quereria?
O livro fecha com o fidalgo na cama da aldeia, a promessa de uma terceira saída e uma caixa de chumbo com epitáfios para os três. O que o narrador entrega a quem lê e o que retém, e por que o último pedido é de crédito igual ao que se dá aos livros de cavalarias?
Segunda Parte: O livro impresso
Cervantes diz ao leitor que não vai chamar o rival de asno, de mentecapto nem de atrevido, e a frase põe as três palavras no papel. O que o prólogo ganha com uma recusa dita assim?
Ele promete dar ao leitor um dom Quixote "morto e sepultado". Por que a morte do personagem protege o livro contra quem queira continuá-lo?
O padre combina com o barbeiro não tocar em cavalaria andante e, minutos depois, é ele quem puxa o assunto do Turco. O que ele quer saber, e o que a resposta de dom Quixote lhe diz?
O barbeiro conta a história do licenciado de Sevilha como um conto que "veio de molde", e dom Quixote responde que as comparações são odiosas. Como o fidalgo lê a história, e o que ele recusa nela?
Dom Quixote exige que Sancho lhe diga a verdade "sem acrescentar ao bem nem tirar ao mal", e Sancho põe a condição de que o amo não se zangue. Por que cada um deles sabe que a pergunta é perigosa?
Sancho lhe conta que a história deles já anda impressa, com o nome dele e o de Dulcineia, e dom Quixote responde que o autor deve ser um sábio encantador. O que essa explicação evita que ele tenha de pensar?
Dom Quixote se consola ao pensar que a história de um cavaleiro andante há de ser verdadeira, e se desconsola por saber que o autor é mouro. O que ele teme que a história tenha contado dos seus amores?
Carrasco diz que o poeta conta as coisas como deviam ser e o historiador como foram. Por que a regra serve de resposta à queixa de dom Quixote sobre os golpes, e o que o livro de Cervantes é, para quem o lê, segundo essa regra?
Carrasco aponta como erro da história que Sancho vai montado no ruço antes de o jumento reaparecer, e Sancho responde que o historiador se enganou ou o impressor se descuidou. O que essa resposta faz com a ideia de que o livro dos dois é um relato exato?
Sancho diz que não pediria uma ínsula, mas que não a recusaria se o céu a desse, e Carrasco responde que os ofícios mudam os costumes. Quem tem mais razão sobre o que um cargo faz a quem o recebe?
Teresa diz que prefere viver sem governo, mas pede que, se Sancho o tiver, não se esqueça dela nem dos filhos. O que ela teme perder, e o que ela aceita ganhar?
O tradutor do manuscrito árabe declara apócrifo o capítulo porque Sancho fala com sutileza demais. O que o livro ganha ao deixar essa dúvida no texto?
A sobrinha diz que ele é cavaleiro sem sê-lo, porque os fidalgos podem sê-lo e os pobres não, e dom Quixote responde com as quatro espécies de linhagem. O que a resposta dele concede e o que ela evita?
Dom Quixote diz que há dois caminhos para a honra, o das letras e o das armas, e que tem mais armas que letras. O que a sobrinha mostra saber dele, ao chamá-lo de poeta e pregador?
Dom Quixote responde ao pedido de salário que nenhum cavaleiro andante pagou a seu escudeiro, e que a recompensa é uma ínsula ou coisa equivalente. Que parte dessa resposta vem do que ele leu, e que parte do que ele pode pagar?
Carrasco se oferece como escudeiro, e Sancho, que ainda há pouco discutia salário, jura lealdade com lágrimas nos olhos. O que a oferta do bacharel muda no que Sancho teme?
Sancho conta que viu Dulcineia peneirando trigo atrás de bardas, e dom Quixote responde que a inveja de um encantador troca as coisas. O que a explicação faz com a lembrança de Sancho?
Sancho conclui que mais vale ser frade que cavaleiro andante, e o amo responde que cavalaria é religião. O que cada um quer da fama, e por que a resposta de dom Quixote não fecha a discussão?
Dom Quixote diz a Sancho que nunca viu Dulcineia e que está enamorado de ouvir dizer. Por que ele continua exigindo que Sancho tenha visto a dama peneirando trigo?
Sancho confessa que também a sua visita a Dulcineia foi de ouvir dizer, e dom Quixote responde que há tempos de burlar. O que a recusa do amo obriga Sancho a fazer no capítulo seguinte?
Sancho prevê que, se o amo não acreditar, ele jurará, e, se o amo jurar, jurará de novo. O que a decisão de Sancho aproveita do que dom Quixote disse no capítulo VIII?
Dom Quixote vê três lavradoras e atribui a diferença a um encantador que lhe pôs nuvens nos olhos. Que outras explicações o texto deixa à vista, e por que ele não as toma?
Segunda Parte: Espelhos, leões e Camacho
Dom Quixote diz que é forçoso "apalpar as aparências" e, no mesmo capítulo, corrige o retrato de Dulcineia que Sancho lhe deu. Que aparências ele aceita tocar neste capítulo, e qual deixa por tocar?
Para deter o amo, Sancho junta três argumentos: a pedra, a temeridade e a regra da cavalaria. Qual deles o faz desistir, e o que isso mostra sobre o que dom Quixote leva mais a sério?
Dom Quixote e Sancho concordam que a morte tira dos homens as roupas de seus papéis. Que papel cada um dos dois representa, a esta altura do livro, e quem decide que é esse?
Ao ouvir do Cavaleiro do Bosque que todos os cavaleiros da Mancha confessaram a beleza de Casildeia, dom Quixote protesta só diante de Sancho, em voz baixa. O que ele diz depois ao desconhecido, e o que prefere calar?
O escudeiro do Bosque diz que os governos de ínsula trazem uma carga de pensamentos e de incômodos, e que mais valeria voltar à aldeia. Que parte desse aviso Sancho acolhe neste capítulo, e que parte deixa passar?
Sancho chama o amo de mentecapto e, algumas falas adiante, jura amá-lo como às teias do coração. Que razões ele dá a cada frase, e o que o capítulo deixa por dizer?
O Cavaleiro do Bosque diz ter vencido dom Quixote e tomado a sua glória. Que regras do duelo os dois combinam antes de se deitarem, e quem as formula?
Dom Quixote impõe ao vencido que confesse que o cavaleiro que venceu não era dom Quixote, como ele crê que o vencido não é Carrasco. O que cada um ganha com essa confissão cruzada, e o que perde?
Tomé Cecial pergunta qual é mais louco, o que o é por não poder menos ou o que o é por vontade. O que Carrasco responde, e o que ele mesmo decide fazer em seguida?
Segundo o narrador, o plano do bacharel só falhou porque dom Quixote se deu a entender que o bacharel não era o bacharel. Que passagens do capítulo XIV sustentam essa frase?
Dom Quixote raciocina que Carrasco não teria motivo para vir lutar com ele, e Sancho responde com uma pergunta sobre outros dois que se parecessem. Por que Sancho não insiste, e o que o leitor sabe que o amo não sabe?
Dom Diego pergunta se alguém duvida de que as histórias de cavalaria sejam falsas, e dom Quixote responde "eu duvido". O que essa dúvida diz sobre como ele lê, e por que dom Diego volta a tomá-lo por mentecapto, para depois desistir?
O leão vira as costas e se deita, e dom Quixote toma a cena por vitória. Que parte do desfecho ele atribui a si, que parte ao leão e que parte ao leoneiro, e o que cada um deixa de dizer?
Dom Diego, calado, conclui que o hóspede é um são louco e um louco que tira a são. Que falas e gestos do capítulo sustentam cada metade da frase?
Dom Lorenzo duvida que tenha havido cavaleiros andantes com tantas virtudes. O que dom Quixote responde à dúvida, e que tipo de prova ele deixa de oferecer?
Dom Lorenzo muda de opinião sobre o hóspede entre o primeiro olhar e a hora do soneto. Em que ponto da conversa ele o julga bizarro, e o que o narrador diz da força que o convence?
Dom Quixote diz que Basílio merecia casar-se com a rainha Genebra e, algumas falas depois, que os pais devem ter a escolha dos maridos das filhas. Como o próprio fidalgo faz caber as duas coisas na mesma conversa?
Dom Quixote e Sancho falam do amor como de uma cegueira: os olhos do entendimento tapados, os óculos que fazem ouro do cobre. O que cada um conclui disso para quem vai se casar, e qual dos dois dá mais razão à moça?
Dom Quixote adivinha de pronto a quem serve o beneficiado que compôs a dança do Amor e do Interesse. Que sinais da dança o levam a isso, e o que Sancho conclui?
Sancho diz que só há duas linhagens, o ter e o não ter. Que medida de valor o fidalgo opõe a essa frase neste capítulo, e o que fica sem resposta?
Quitéria fica em silêncio, "mais dura que um mármore", e depois diz que dá a mão com a mais livre vontade que tem. O que no texto sustenta que ela sabia do ardil, e o que sustenta que não sabia?
Dom Quixote defende o ardil de Basílio comparando amor e guerra, e põe uma condição. Qual é ela, e como o fidalgo concilia a razão que dá a Basílio com o que disse, no capítulo XIX, sobre quem escolhe o marido?
Segunda Parte: Montesinos e o retábulo
Dom Quixote absolve o ardil de Basílio pelo fim a que ele serve. O mesmo critério absolveria qualquer engano cujo fim parecesse bom a quem o pratica?
Sancho tem a corda na mão e conta braças. O que a corda ensina aos dois que esperam fora sobre o que acontece lá embaixo, e o que ela deixa de ensinar?
Dom Quixote faz o teste de se apalpar para saber se está desperto e conclui que é o mesmo de cima. Que parte do que ele conta o teste alcança, e que parte deixa de fora?
Sancho oferece duas explicações para o que o amo conta: o tempo de lá é outro, ou Merlim lhe pôs a história na cabeça. Com qual delas ele concorda, e por que escolhe justamente essa?
A dama pede o empréstimo trazendo um penhor e prometendo devolver depressa. Que efeito o livro obtém ao pôr a necessidade de dinheiro no meio de uma visão de encantados?
Cide Hamete diz que a aventura da gruta lhe parece fora dos termos razoáveis e que, ao mesmo tempo, o fidalgo não mentiria. O que o historiador ganha ao pôr essa dúvida por escrito, e o que o leitor perde?
O primo usa as palavras de Durandarte como prova histórica da antiguidade dos naipes. Que tipo de leitura é essa, e por que o livro a põe na boca de um humanista?
Sancho quer que o macaco diga se a gruta foi verdadeira, e Dom Quixote aceita, embora acabe de suspeitar que o macaco age por pacto com o demônio. O que cada um espera ouvir, e o que a resposta do macaco lhes devolve?
O homem das lanças diz que a vergonha do zurro passou de povoado em povoado até virar guerra. Que partes do relato fazem a ofensa crescer, e quais delas o próprio dom Quixote terá de enfrentar mais adiante?
Mestre Pedro defende o teatro como obra de impropriedades que mesmo assim se aplaude, e dom Quixote lhe dá razão. Que parte dessa concessão ele esquece quando se levanta, e o que a faz esquecer?
O fidalgo paga sem discutir o prejuízo que causou, mas se recusa a pagar a Melisendra desnarigada. O que, no raciocínio dele, separa a figura que quebrou da dama que está a salvo em França?
O fidalgo diz que nenhum particular pode afrontar um povo inteiro, e logo depois um zurro de Sancho provoca o esquadrão inteiro. O que o argumento de dom Quixote leva em conta e o que deixa de fora?
Cide Hamete explica quem era mestre Pedro e como funcionava o macaco, e culpa os impressores pela falta de explicação do ruço no primeiro volume. Que efeito tem, sobre a leitura do capítulo XXV, saber agora o truque do titereiro?
A defesa que dom Quixote faz da retirada é uma doutrina sobre a valentia. Que parte da queixa de Sancho essa doutrina responde, e que parte deixa sem resposta?
O amo ri da conta de Sancho antes de se zangar com ela. O que, na conta, lhe faz graça, e o que o ofende, a ponto de chamar o escudeiro de asno?
Dom Quixote propõe a Sancho um teste para saber se passaram a linha equinocial, e o teste responde que não. Por que o fidalgo não leva em conta o resultado, e o que prova a nova explicação que ele dá logo adiante?
Na Primeira Parte o fidalgo via gigantes onde Sancho via moinhos. Aqui ele admite que as azenhas parecem azenhas e as atribui ao encanto. O que ganha e o que perde a teoria com essa concessão?
A duquesa reconhece dom Quixote pelo livro impresso, não pelo que ele faz diante dela. O que muda para o fidalgo, e para o leitor, quando alguém o recebe pelo que leu?
Sancho conversa com a duquesa sem pedir licença ao amo, e a duquesa o elogia por isso. O que o castelo lhe oferece que a estrada não oferece?
Os duques recebem dom Quixote como os livros mandam, e o narrador diz que aquele foi "o primeiro dia" em que ele se creu cavaleiro de verdade. O que essa certeza deve a quem a encena, e o que muda quando o cenário é desmontado?
Sancho conta a história da cabeceira à mesa dos duques, diante do amo e do eclesiástico. A quem ela é dirigida, e quem entende?
Segunda Parte: Os duques e o Cravelenho
Dom Quixote diz ao eclesiástico que a reprensão devia ser branda e conhecer o pecado, e depois afirma que o agravo que recebeu não o afronta. Que argumento o faz passar da cólera à distinção, e o que isso diz sobre o jeito como ele mede a própria honra?
A duquesa resolve acreditar que Dulcineia existe e manda lavar Sancho. Em que ponto do capítulo o fidalgo e o escudeiro são tratados com igual cerimônia, e em que ponto o escudeiro reclama a diferença?
Sancho diz que fingiu o encanto de Dulcineia para escapar das brigas do amo e, no mesmo capítulo, diz que deseja crer no que o amo contou da gruta. Em que ponto da conversa com a duquesa ele muda de posição, e o que o leva a mudar?
Perguntado por que segue um amo que tem por louco, Sancho cita o lugar comum, o pão comido e a fidelidade, e só depois fala da ínsula. Que motivo parece pesar mais na resposta, e que diferença faz que ele a dê à duquesa, que lhe prometeu o governo?
O duque e a duquesa escolhem o caso da gruta de Montesinos para fazer a burla a dom Quixote. O que essa escolha lhes dá, e o que ela exige do que o fidalgo contou na gruta?
Sancho foge do javali pendurando-se numa árvore, e logo depois diz ao duque que o bom governador fica em casa. Que relação o capítulo deixa ver entre a fuga e a doutrina?
Sancho aceita os três mil e trezentos açoites com condições que ele mesmo propõe e que Merlin concede. Quais são elas, e o que ele ganha com cada uma?
Ao ouvir a "Dulcineia" de véu, dom Quixote diz que tem a alma atravessada na garganta, e Sancho se queixa do modo de rogar dela. O que cada um dos dois ouve nas mesmas palavras?
Sancho dita uma carta à mulher em que se diz governador e se promete dinheiro. O que a duquesa corrige nela, e o que deixa passar?
Dom Quixote responde à entrada da Dolorida com um elogio dos cavaleiros andantes que tem por destinatário o clérigo ausente. O que ele afirma agora que não afirmou à mesa, e o que ele ignora quando fala?
Sancho teme que a aia atrapalhe a promessa do governo, e dona Rodríguez devolve a acusação aos escudeiros. Que argumentos cada um dos dois usa, e o que têm em comum?
Sancho aconselha que os duques recebam a condessa "pelo que tem de condessa" e não "pelo que tem de aia". Que regra de cortesia ele cita, e de quem a aprendeu?
A Trifaldi acusa os poetas pela sua queda e logo reconhece que foram a sua simplicidade e a sua leviandade. Quem ela culpa por último, e que parte do relato indica que ela não é totalmente inocente?
Sancho responde aos elogios da Dolorida dizendo que quer a alma barbada e com bigodes ao deixar esta vida. O que ele prefere nesta passagem, a bondade que lhe atribuem ou o serviço que pode prestar?
Sancho defende o casamento de Antonomásia com dom Clavijo recorrendo às regras de seu amo. Que regra é essa, e que ressalva dom Quixote acrescenta à fala dele?
Malambruno castiga as aias com barbas em vez de morte. Que pena diz ser, e o que o texto sugere que ela tem de pior do que a morte para quem a sofre?
Sancho se recusa a montar o cavalo de pau, reclama que o escudeiro não é nomeado nas façanhas e, ao fim do capítulo, decide acompanhar o amo. O que o faz mudar de ideia, e que parte da queixa fica sem resposta?
Dona Rodríguez diz que, barbadas ou lampinhas, as aias também nasceram de mãe como as outras mulheres. O que ela responde à opinião do boticário de Toledo, e o que deixa sem dizer?
Sancho conta que viu a terra como um grão de mostarda e que brincou com sete cabras de cores diferentes no céu, e dom Quixote diz que ele mente ou sonha. O que cada um dos dois defende nessa discussão, e o que dom Quixote propõe a Sancho no fim?
O duque promete a Sancho que a ínsula "não é movível nem fugitiva" e diz o preço que quer por ela. Que preço é esse, e o que Sancho aceita em troca?
Segunda Parte: O governo da ilha
Voltando do voo de Cravelenho, Sancho acha o governo pouca coisa e prefere meia légua de céu à maior ínsula, mas aceita o cargo. Que razão ele dá para querer governar, e o que o duque prevê para quem prova o mando?
Dom Quixote manda Sancho fazer gala da humildade de sua linhagem e, no mesmo discurso, que ensine e desbaste a mulher de sua rudeza natural. Como as duas ordens cabem juntas, e o que cada uma protege?
O narrador diz que dom Quixote, nos segundos conselhos, "pôs sua discrição e sua loucura num ponto elevado". Que conselhos desta rodada são de homem sensato, e quais são de fidalgo que olha o mundo pela cavalaria?
Sancho sabe firmar o nome, mas diz que fingirá a mão aleijada e deixará que outro firme. O que a cena mostra do que ele pensa do poder, e o que o amo lhe responde?
Sancho jura que o rosto do mordomo é o da Dolorida, e dom Quixote responde que o rosto da Dolorida é o do mordomo, mas o mordomo não é a Dolorida. O que um e outro têm como prova, e por que o fidalgo adia a averiguação?
Dom Quixote responde a Altisidora "entre si", sem que ela o ouça, e fecha a janela de golpe. O que a resposta e o gesto mostram do que ele entendeu da cena, e do que ela era?
O mordomo chama o governador de "dom Sancho Panza" e Sancho responde que seu pai, seu avô e todos os Panças foram Sancho a secas. Que relação tem a recusa com o que o amo lhe aconselhou antes de partir?
Nos casos do bastão e da bolsa, Sancho decide pelo que vê os litigantes fazerem; no dos capuzes, decide sem ver nada de novo. O que o texto diz que ajudou cada decisão, e por que o narrador deixa o escrivão em dúvida se Sancho é tolo ou discreto?
Ao pedir um alaúde, dom Quixote diz que nos princípios amorosos os desenganos prestos são remédios qualificados. Que desengano ele pensa dar a Altisidora, e quanto da cena depende de ela estar mesmo apaixonada?
O gato que lhe salta ao rosto é, para dom Quixote, um encantador; para o duque e a duquesa, que abrem com a chave mestra, é o resultado de uma burla. Que lhes sobra de controle sobre o que armaram, e o que o fidalgo guarda de seu comportamento depois da surra?
O médico tira cada prato com uma razão de medicina, e Sancho acaba por exigir comida. Quem manda de fato na mesa do governador, e quem dá ao médico a autoridade para isso?
O duque avisa por carta de um assalto e de quatro pessoas disfarçadas. Que efeito o aviso tem sobre o que Sancho decide fazer com o médico, o pão e as uvas, e sobre o modo como recebe o lavrador que chega logo depois?
Dom Quixote jura fidelidade a Dulcineia em voz alta antes de ver quem entra, e depois pede "segurança" a dona Rodríguez. O que cada momento mostra do que ele teme da visita, e do que ele espera dela?
Dona Rodríguez diz que o duque faz "orelhas de mercador" ao agravo de sua filha. Que razão ela dá, e o que isso diz de quem tem a última palavra na casa, e de quem a procura em seu lugar?
O mordomo diz que "as burlas se tornam veras e os burladores se acham burlados". O que no comportamento de Sancho nessa noite o leva a dizê-lo, e o que escapa do que os burladores ordenaram?
Na ronda, Sancho julga o caso do jogo, o do tecelão, o da moça e o do irmão. Em quais ele aplica pena e quais deixa ir, e o que decide a diferença?
O mouro revela quem eram os verdugos de dona Rodríguez e de dom Quixote, e por quê. O que a afronta de uma dueña muda no jogo dos duques, que até ali era só de burla?
Teresa, Sanchica, o padre e Sansão leem as mesmas cartas e veem o mesmo colar. O que cada um conclui, e como o pajem responde à dúvida do bacharel?
Sancho propõe primeiro dividir o homem da ponte e depois deixá-lo passar. O que o forasteiro lhe responde à primeira solução, que razão Sancho dá para a segunda, e de onde diz que a tirou?
Dom Quixote avisa que um negócio pode pô-lo em desgraça com os duques, e Sancho lhe pede que não se desavenha com eles. O que cada um deve aos duques, e como cada um mede a dívida?
Dom Quixote renuncia à sua fidalguia para desafiar um lavrador, ele que no capítulo XI não quis sacar a espada contra quem não era cavaleiro. O que mudou, e quem lhe dá o campo?
As duas cartas de Teresa pedem coisas diferentes: dinheiro para ir à corte, um coche, bolotas como ovos de avestruz, pérolas. O que cada pedido mostra do que ela entende que o governo é, e do que a duquesa e o marido lhe devem?
Durante o ataque fingido, Sancho só quer que a ínsula acabe de se perder, e ao ouvir "vitória" pede vinho. O que a cena mostra de como ele pensa o poder, e o que mostra de quem o burla?
Sancho se recusa a dar residência e diz que sair "nu" mostra que governou bem. Que prova ele apresenta, quem a aceita, e que outra prova o livro lhe deu pelo caminho?
Segunda Parte: Ricote, Roque e Barcelona
Ricote chama de inspirada a decisão do rei e, na frase seguinte, de terrível o castigo que ela trouxe. O que a convivência das duas coisas na mesma voz mostra de quem a pronuncia, e o que muda se o ouvinte for um vizinho cristão velho?
Sancho recusa os duzentos escudos, diz que seria traição ao rei e promete não denunciar o amigo. Entre o rei e Ricote, a quem a recusa serve, e em que ponto os dois deveres deixam de coincidir?
Dentro do fosso, Sancho compara a sua situação com a do amo na gruta de Montesinos: o amo achou regalo, ele verá sapos e cobras. O que a comparação mostra do que Sancho acha que a aventura deve a quem a vive?
Sancho jura que não está morto, e dom Quixote só se dá por convencido quando o ruço zurra. Por que a prova do animal basta onde a palavra do escudeiro não bastou, e o que o zurro já valeu como prova antes neste volume?
Ao prestar contas aos duques, Sancho diz que entrou nu no governo e nu saiu, e que nem perdeu nem ganhou. Que parte do que se passou em Barataria a frase deixa de contar, e o que isso diz de quem ele supõe que o escuta?
Tosilos desiste invocando o temor da consciência, e o narrador diz que o motivo foi o Amor. Qual das duas razões a cena sustenta, e o que muda para o duque, que o instruiu a vencer sem ferir, conforme se escolha uma ou outra?
A filha de dona Rodríguez aceita casar com o lacaio, "porque mais quer ser mulher legítima de um lacaio que amiga e enganada de um cavaleiro". O que a frase diz sobre o que ela buscava ao levar o caso aos duques, e como se compara com o que dom Quixote julgava estar defendendo no campo?
O refrão de Altisidora toma de Virgílio e de Ariosto os epítetos do amante cruel que foge. O que a paródia exige de quem a ouve, e o que os duques ganham fazendo-a cantar na despedida e diante de todos?
Dom Quixote responde à acusação de roubo e deixa sem resposta a de falta de amor. Que parte da queixa ele julga que lhe toca, e o que o silêncio sobre a outra parte pode dizer?
Dom Quixote louva a liberdade e explica que, em meio aos banquetes dos duques, se sentia entre as estreitezas da fome. Que obrigação o prendia no castelo, e como a bolsa de Sancho sobre o coração ensina outra maneira de viver com a mesma obrigação?
Diante dos santos cavaleiros, dom Quixote diz que peleja ao humano e que o juízo poderia melhorar se Dulcineia saísse do encanto. O que a condicional deixa ver de como ele pensa a própria loucura, e a quem ele a diz?
Sancho chama o amo de são diante dos pastores, e o fidalgo se zanga mais com a intromissão que com a palavra. Que parte da ira vem do conteúdo da defesa, e que parte vem de quem a faz?
Dom Quixote hojeia o livro apócrifo e acha três faltas, a última a de errar o nome da mulher de Sancho. Que critério de verdade essa objeção supõe, e que parte da história de que ele faz parte o critério deixa de alcançar?
Ao ouvi-lo contar o encanto de Dulcineia, os dois cavalheiros ora o têm por discreto, ora se lhes escorrega por mentecapto. O que, no relato, parece-lhes discreto, o que parece mentecaptice, e o que decide a fronteira entre as duas coisas?
Dom Quixote decide não ir a Saragoça para provar que não é o dom Quixote do outro livro. Em que sentido uma personagem prova quem é mudando de rumo, e quem o livro faz decidir isso, ele ou o autor?
Sancho derruba o amo e diz que não tira nem põe rei, mas que se ajuda a si mesmo, que é seu senhor. O que, na cena, ele defende, o corpo ou a vontade, e como a frase se compara com a promessa de se açoitar que ele mesmo fez?
Roque reparte o roubo com rigor e abre a cabeça de um dos seus por uma palavra. O que a justiça distributiva que Sancho elogia deixa fora, e o que o episódio mostra do que ela exige de quem a exerce?
Roque diz que uma vingança chama outra, e dom Quixote responde que o princípio da saúde é conhecer a doença. O que o diagnóstico de Roque sobre si tem em comum com o conselho do fidalgo, e em que os dois diferem?
Claudia dispara contra dom Vicente por uma notícia que ele diz ser falsa. O que a cena mostra de como ela decidiu, e o que a presença de Roque, de Sancho e de dom Quixote permite ou impede depois do tiro?
Os cavaleiros de Barcelona saúdam dom Quixote como o verdadeiro, o legal e o fiel, não como o apócrifo. O que essa saudação supõe que eles leram, e como o lugar do livro rival muda em relação à noite da estalagem?
Roque dorme afastado dos seus por medo de ser entregue por eles. Que relação a cena sugere entre o rigor com que ele governa o bando e a segurança de quem o governa?
A cabeça responde que não julga pensamentos nem desejos, e responde a uma mulher que o amor do marido se vê nas obras. Que tipo de pergunta o embuste evita, e o que isso diz do modo como ele foi feito?
Dom Quixote pergunta à cabeça se a gruta foi verdade ou sonho e ouve que "de tudo tem". O que a resposta confirma e o que deixa em aberto para ele, e como se compara com o que o narrador disse sobre a gruta quando a pôs em dúvida?
O narrador diz que dom Antônio quer mostrar as loucuras do hóspede sem dano dele, porque não são burlas as que doem. Que partes do dia, a sacada, o letreiro nas costas, o baile e a cabeça, respeitam essa regra, e quais a põem à prova?
Dom Quixote diz que as histórias fingidas valem tanto quanto se aproximam da verdade ou da semelhança dela. Pelo critério dele, a cabeça de bronze, que o narrador explica logo depois, é melhor ou pior que o livro de Tordesilhas?
Segunda Parte: A derrota e a morte
Dom Quixote, ao ver Sancho passado de braço em braço pelos remeiros, pergunta ao general se é cerimônia, e logo propõe ao escudeiro que se ponha entre os açoitados. Que relação ele estabelece entre o castigo dos remeiros e o desencanto de Dulcineia, e o que Sancho conclui da mesma cena?
O vice-rei quer poupar o arrais antes de saber que é mulher, e o general quer enforcá-lo. Que razão o narrador dá a cada um, e o que muda na decisão quando ela conta sua história?
Dom Quixote diz ao Cavaleiro da Lua Branca que, se este tivesse visto Dulcineia, não faria a demanda, e aceita o desafio com uma exceção. Qual é a exceção, e o que ele evita dizer ao recusar a tese do outro?
Caído, dom Quixote confessa a beleza de Dulcineia e pede ao vencedor que lhe tire a vida. O que o Cavaleiro da Lua Branca responde, o que ele exige em troca, e que limite dom Quixote põe à sua promessa?
Carrasco diz que quer o bem de dom Quixote e dom Antônio diz que ele prejudica o mundo. Que argumento cada um dá, e o que o segundo admite que sua posição vai contra?
Sancho propõe a dom Quixote voltar para casa e mostra o que ele próprio perdeu com o fim do governo, e dom Quixote responde com uma promessa. Que perda Sancho alega, e com que promessa dom Quixote a cobre?
Dom Quixote começa o capítulo dizendo que a desdita, e não a covardia, levou suas glórias, e logo depois diz que cada um é artífice de sua ventura. Que parte da derrota ele passa a atribuir a si, e o que afirma que continua dele?
Tosilos nega ter havido encanto e conta o que lhe aconteceu depois da batalha, e dom Quixote, mesmo assim, o tem por encantado. O que cada um tem por verdade sobre o lacaio, e como Sancho resume o amo diante dele?
Dom Quixote diz que as obras por amor diferem das obras por agradecimento e que um cavaleiro pode ser desenamorado, mas não desagradecido. O que ele deve a Altisidora segundo essa regra, e o que reserva a Dulcineia?
Dom Quixote propõe passarem o ano de retiro como pastores e dá nomes pastoris a si, a Sancho e aos conhecidos da aldeia. Que nomes são, e que receio Sancho levanta quanto à filha?
Sancho faz o elogio do sono e depois aponta o que ele tem de mau. O que Sancho diz que o sono faz com o pastor e o rei, o que ele aponta como defeito, e que observação dom Quixote faz sobre a forma como ele falou?
Dom Quixote diz que ser pisado pelos porcos é castigo dos céus por seu pecado, e Sancho responde com outro castigo. Que objeção Sancho levanta contra a ideia de que a pena do amo alcance o escudeiro?
Radamanto manda dar a Sancho tapas, beliscões e alfinetadas, e as dueñas se aproximam. Contra que parte do castigo Sancho protesta mais alto, e o que o faz aceitar o resto?
Quando Altisidora se mexe, dom Quixote se ajoelha diante de Sancho e pede os açoites do desencanto. Que resposta ele recebe, e que pagamento Altisidora oferece a Sancho?
Cide Hamete conta que Sansão Carrasco informou os duques e que os duques montaram o funeral. Que razão o bacharel dá para as transformações que fez, e que juízo o narrador faz dos burladores?
Altisidora conta o que viu à porta do inferno, e dom Quixote responde à parte sobre o livro. O que fazem os diabos com os livros, e que prova ele dá de que o livro nomeado não é dele?
Sancho propõe ao amo um preço por açoite e, passados uns poucos, pede mais. Que conta ele faz, e o que acontece no meio da tarefa que mostra que ele deixou de se açoitar?
Diante das telas de Helena e de Dido, dom Quixote fala do pintor e do escritor do novo dom Quixote. Que comparação ele faz com o pintor de Úbeda, e o que acrescenta o poeta Mauleón?
Dom Álvaro Tarfe diz ter conhecido outro dom Quixote e outro Sancho, e dom Quixote lhe pergunta se se parece com aquele. O que Tarfe responde sobre os dois pares, e que explicação ele acaba dando para ter diante de si dois dons Quixotes?
Dom Quixote diz que não sabe se é bom, mas sabe que não é o mau, e pede uma declaração diante do alcaide. Que prova ele dá de que não é o dom Quixote do livro de Avellaneda, e o que o narrador comenta da utilidade da declaração?
Dom Quixote lê como mau agouro a frase de um menino e a lebre que foge. Que leitura Sancho dá à mesma lebre, e o que ele faz para desfazer o primeiro presságio?
O padre e o bacharel aceitam fazer-se pastores com dom Quixote, e a ama e a sobrinha protestam. O que leva cada par a reagir assim, segundo o narrador, e que argumento a ama dá?
Ao acordar, dom Quixote diz que tem o juízo livre e claro e que o que lhe pesa é chegar tarde o desengano; Sansão Carrasco responde que não é hora de ele fazer-se ermitão. O que o fidalgo diz que quer deixar com sua morte, e que prova acaba de convencer os amigos de que está sensato?
No testamento, Alonso Quijano deixa a Sancho o que tiver das contas entre eles, impõe uma condição ao casamento da sobrinha e pede aos testamenteiros que peçam ao autor do livro apócrifo que o perdoe. O que cada cláusula revela do que ele pensa dos livros de cavalaria e de quem os serviu?
Cide Hamete, no fim, se dirige à sua pena, diz que dom Quixote nasceu só para ele e dá a razão de ter escrito. O que ele manda a pena dizer a quem a quiser descer, e que razão declara para ter escrito a história?
A obra inteira
Dom Quixote diz a Sancho que Dulcineia é Aldonza Lorenzo e que a pinta na imaginação (capítulo XXV da Primeira Parte); na Segunda Parte, confessa que nunca a viu e que está enamorado de ouvir dizer (capítulo IX da Segunda Parte), e sustenta a ilusão de Sancho mesmo contra o cheiro de alho cru (capítulo X da Segunda Parte). O amor dele é pela mulher que Dulcineia é, pela que ele a faz ser, ou pelo gesto de amar como os livros ensinam?
Marcela diz que nasceu livre e que quem é amado pela beleza não é obrigado a amar (capítulo XIV da Primeira Parte), e o fidalgo a defende com uma espada que ela não pediu. Defende a liberdade dela, ou a imagem que ele faz de si mesmo como protetor de donzelas?
Ao libertar os galeotes, dom Quixote diz que não é bom que homens honrados sejam verdugos de outros homens (capítulo XXII da Primeira Parte), e depois formula a regra de que ao cavaleiro cabe ver a pena e não averiguar a culpa, para se defender da acusação de Sancho (capítulo XXX da Primeira Parte). É a única boa ação que ele faz por inteiro, e a paga são pedras. A regra é justiça, ou uma cegueira que serve de escudo?
O padre lê em voz alta a novela do Curioso Impertinente e, ao fim, a aprova, mas diz não poder crer que um marido peça uma prova assim (capítulo XXXV da Primeira Parte). Por que Cervantes põe, no meio de um livro sobre quem toma a ficção por verdade, uma novela que quem a ouve acha bem escrita e inverossímil?
Preso na jaula pelos amigos, que usam o estilo dos livros, o fidalgo aceita o encantamento (capítulo XLVI da Primeira Parte), e Sancho prova que o amo não está encantado, porque come, bebe e faz as necessidades (capítulo XLIX da Primeira Parte). O que uma prova pode provar a quem tem uma doutrina pronta para cada desmentido?
Sancho inventa o encanto de Dulcineia para fugir de um recado que não deu (capítulo X da Segunda Parte), a duquesa lhe diz que o enganado é ele (capítulo XXXIII da Segunda Parte), e Merlim lhe impõe os açoites que desfariam a mentira (capítulo XXXV da Segunda Parte). Depois de contada, de quem é a mentira: de quem a inventou, de quem a assumiu ou de quem a paga?
O fidalgo muda de rumo para não ir a Saragoça e provar que não é o dom Quixote do livro falso (capítulo LIX da Segunda Parte); dom Álvaro Tarfe, personagem desse livro, declara diante de um alcaide que este é o verdadeiro (capítulo LXXII da Segunda Parte). O que um personagem ganha quando outro personagem, e não o autor, atesta que ele é quem diz ser?
O bacharel vence na praia de Barcelona para curar (capítulo LXIV da Segunda Parte), e a cura dá certo: Alonso Quijano acorda com o juízo livre e claro e morre dizendo que foi louco e já é sensato (capítulo LXXIV da Segunda Parte). O epitáfio diz que ele morreu sensato e viveu louco, e a objeção de dom Antônio Moreno, de que a sensatez nunca valeria o prazer das loucuras, fica sem resposta (capítulo LXV da Segunda Parte). A cura é vitória do bacharel, perda do leitor, ou as duas?