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Dom Quixote · Segunda Parte

Montesinos e o retábulo

Resumo da parte

Na gruta de Montesinos, Dom Quixote vive três dias que, para Sancho Pança e o primo, duraram uma hora, e conta uma visão que o narrador Cide Hamete diz não poder garantir e que o macaco de mestre Pedro declara em parte falsa e em parte verossímil. Os capítulos seguintes devolvem a pergunta em outras formas: o titereiro que adivinha é o galeote Ginés de Pasamonte, o retábulo é destroçado como se os bonecos fossem mouros, o esquadrão do zurro rebate o discurso do fidalgo com uma paulada em Sancho, o barco encantado é um barco. A parte fecha com os duques, que leram o livro e o recebem como cavaleiro de verdade: pela primeira vez a ficção lhe vem de fora.

Capítulo XXII: A descida à gruta

Resumo do capítulo

Depois das bodas de Camacho, os noivos cobrem Dom Quixote de presentes, por ter defendido a causa deles, e ficam sabendo que a ferida fingida de Basílio não fora combinada com Quitéria, e sim engenho dele, que só avisara alguns amigos para que o ajudassem na hora. O fidalgo responde que enganos feitos por fins virtuosos não são enganos:

Análise

No se pueden ni deben llamar engaños [...] los que ponen la mira en virtuosos fines, não se podem nem se devem chamar enganos [...] os que miram fins virtuosos.

A frase serve ao ardil de Basílio, mas é uma regra geral, e quem a enuncia acaba de ver um pobre ganhar a noiva rica por uma ferida que não existia. Duas leituras: coerência de quem julga os fins antes dos meios, ou a primeira vez que o livro lhe dá uma defesa da ficção útil, que ele mesmo usará quando contar o que viu na gruta.

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Capítulo XXIII: O que contou ter visto

Resumo do capítulo

Às quatro da tarde, com o sol coberto de nuvens, Dom Quixote conta aos dois ouvintes o que viu. A uns doze ou catorze estados de fundura, à direita, abre-se uma concavidade onde cabe um carro com mulas; ele a escolhe para descansar, cansado de ficar pendurado na corda, grita que não soltem mais, recolhe a corda que lhe mandam e senta-se em cima do rolo. Aí, diz, o pegou um sono profundíssimo, do qual acordou no meio de um prado tão belo que a mais discreta imaginação não o inventaria:

Análise

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Capítulo XXIV: O que o narrador não garante

Resumo do capítulo

O capítulo abre com o tradutor dizendo que Cide Hamete Benengeli, ao chegar à gruta, deixou escritas na margem, de próprio punho, estas razões, que Cervantes põe como se vindas do árabe:

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Capítulo XXV: O zurro e o macaco adivinho

Resumo do capítulo

Dom Quixote não se contém de curiosidade pelas maravilhas prometidas e vai atrás do homem das lanças. Para que o outro lhe conte já, ajuda-o a peneirar a cevada e a limpar a manjedoura, humildade que o obriga a falar, e todos se sentam em volta como senado e auditório. A história é esta. Num povoado a quatro léguas e meia, a um vereador sumiu o asno, por indústria de uma criada; quinze dias depois outro vereador lhe diz que o viu no monte, magro e arisco, e os dois vão procurá-lo. Um deles propõe a traça de zurrar de trecho em trecho, para que o asno ouça e responda; os dois zurram quase juntos e, enganado cada um pelo zurro do outro, se encontram sem asno, e cada um jura que o outro zurra tão bem que o próprio bicho não o distinguiria. Acham por fim o asno morto, comido pelos lobos, e voltam roucos e desconsolados, gabando o zurro um do outro:

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Capítulo XXVI: O retábulo de mestre Pedro

Resumo do capítulo

Ao som de timbales, trombetas e artilharia, o moço intérprete de mestre Pedro anuncia a história de dom Gaiferos, que livra a esposa Melisendra do cativeiro entre os mouros de Sansueña, a atual Saragoça, e a conta sacada das crônicas francesas e dos romances que correm de boca em boca. Gaiferos joga tabuleiro e esqueceu a esposa; Carlos Magno, sogro, sai para repreendê-lo; o genro lhe nega ajuda quando Rolando se oferece, e arma-se sozinho. Na torre, Melisendra vê a estrada de França; um mouro lhe rouba um beijo, ela cospe e limpa a boca, e o rei Marsílio manda dar duzentos açoites ao atrevido, que são aplicados antes de qualquer prova. Dom Quixote interrompe o moço, que se perdia em ornamentos, para que siga a história em linha reta, porque para tirar uma verdade a limpo são necessárias muitas provas e reprovas, e mestre Pedro, de dentro, manda o menino cantar a canto-chão e deixar os contrapontos, que se quebram de sutis. O moço conta a descida de Melisendra pela janela, o saiote preso na ferragem do balcão, o galope dos dois sobre o cavalo, e que os mouros, avisados por olhos ociosos, tocam as campanas das mesquitas. O fidalgo corrige: entre mouros não se usam campanas, e sim timbales e charamelas. Mestre Pedro retruca:

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Capítulo XXVII: Mestre Pedro revelado, e o esquadrão do zurro

Resumo do capítulo

Cide Hamete Benengeli abre o capítulo jurando "como católico cristão", e o tradutor explica que o mouro quis dizer só que, assim como o cristão que jura diz a verdade, ele diz a verdade sobre quem eram mestre Pedro e o macaco. O leitor da Primeira Parte lembrará de Ginés de Pasamonte, o galeote que Dom Quixote soltou na Serra Morena, em Primeira Parte: Os galeotes e a serra, favor mal pago por aquela gente. Foi ele quem furtou o ruço de Sancho Pança, e Cide Hamete diz que o como e o quando faltaram ao primeiro volume por culpa dos impressores, e não da memória do autor:

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Capítulo XXVIII: Retirar não é fugir

Resumo do capítulo

O narrador abre com uma sentença, a de que quando o valente foge o embuste está descoberto e é de varões prudentes guardar-se para melhor ocasião, e conta que Dom Quixote se pôs a salvo a galope, sem se lembrar de Sancho Pança nem do perigo em que o deixava. Quando o escudeiro chega, atravessado no jumento, cai aos pés de Rocinante, ansioso, moído e espancado; o amo o examina, acha-o são dos pés à cabeça e, com cólera, censura-o por ter zurrado, o que é nomear a corda em casa de enforcado: a música de zurros só poderia levar contraponto de varapaus, e que agradeça a Deus por o terem santificado com um pau e não com um alfanje. Sancho diz que fala pelas costas, promete silêncio nos zurros, mas não em dizer que cavaleiros andantes fogem e deixam os bons escudeiros moídos nas mãos dos inimigos:

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Capítulo XXIX: O barco encantado

Resumo do capítulo

Dois dias depois, ao chegarem ao Ebro, Dom Quixote se deleita com a amenidade das margens e, entre pensamentos de amor, volta à gruta de Montesinos: embora o macaco de mestre Pedro tenha dito que parte do que ele viu era verdade e parte mentira, ele se atém mais às verdades, ao contrário de Sancho Pança, que tem tudo por mentira inteira. Então vê um barquinho sem remos amarrado a um tronco, apeia, manda Sancho amarrar os animais juntos a um salgueiro e explica que o barco o chama, porque é estilo dos livros de cavalaria e dos encantadores nelas metidos levar o cavaleiro, por uma nuvem ou por um barco, a socorrer outro que está em apuros a duas ou três mil léguas. Sancho obedece, pelo provérbio de que se faz o que o amo manda e se senta com ele à mesa, mas deixa constar, para descargo da consciência, que o barco lhe parece de pescadores, porque o rio dá as melhores sáveis do mundo. Quando o amo diz que quem os leva a regiões "longínquas" cuidará de sustentar os animais, Sancho confessa que nunca ouviu a palavra, e o fidalgo, em vez de se enfadar, explica que quer dizer apartados e que ele não é obrigado a saber latim.

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Capítulo XXX: A bela caçadora

Resumo do capítulo

Os dois voltam aos animais melancólicos, Sancho Pança em especial, a quem dói cada real tirado da bolsa, e se afastam do rio sem trocar palavra: Dom Quixote sepultado nos pensamentos de amor, Sancho nos de seu acrescentamento, que lhe parece estar bem longe. Embora tonto, percebe que as ações do amo são quase todas disparates, e procura ocasião de ir-se para casa um dia, sem entrar em contas nem em despedidas. A fortuna, porém, ordena as coisas ao revés do que ele teme. No dia seguinte, ao pôr do sol, o fidalgo vê num prado verde caçadores de altanaria e, entre eles, uma senhora gentil sobre um palafrém branquíssimo, vestida de verde e com um falcão na mão esquerda. Ele manda Sancho levar-lhe o recado de que o Cavaleiro dos Leões beija as mãos à sua formosura e pede licença para ir servi-la, com a recomendação de não encaixar refrão algum. Sancho, que se gaba de levar embaixadas a altas senhoras, ajoelha-se e a profere com todos os requintes. A senhora responde que a embaixada tem todas as circunstâncias que tais embaixadas pedem, manda-o levantar-se, porque o escudeiro de tão grande cavaleiro, de quem já têm muita notícia, não deve estar de joelhos, e convida o amo a servir-se dela e do duque seu marido em uma casa de prazer que ali têm. Depois pergunta:

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Capítulo XXXI: A recepção no castelo

Resumo do capítulo

Sancho Pança vai alegre, crendo-se em privança com a duquesa e esperando no castelo a boa vida da casa de dom Diego e da de Basílio. Antes de chegarem, o duques se adianta e instrui os criados sobre como tratar Dom Quixote. À porta, dois lacaios de seda carmesim o pegam nos braços, sem que ele os veja nem ouça, e lhe dizem que vá apear a duquesa; os dois cedem com muitas mesuras, e a duquesa só desce nos braços do duque, por não se achar digna de dar tão inútil carga a tão grande cavaleiro. No pátio, duas donzelas põem sobre os ombros do fidalgo um grande manto de escarlata, os corredores se enchem de criados que gritam "bem-vinda seja a flor e a nata dos cavaleiros andantes", e todos derramam águas aromáticas sobre ele e sobre os duques:

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