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Dom Quixote

Citações

As 70 passagens que decidem a obra, cada uma com quem fala, os temas e personagens ligados e uma explicação.

Primeira Parte: O fidalgo e os moinhos

tende a mira posta em derrubar a máquina mal fundada destes cavaleirescos livros, aborrecidos de tantos e louvados de muitos mais.
Quem fala
o amigo do autor, no prólogo, sobre o propósito do livro
Temas
Linguagem e narração
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Metáfora, Sátira

Explicação e análise

No prólogo, o autor conta que ficou parado diante do papel, sem saber como dar ao livro as notas, as citações e os louvores que o vulgo espera. Um amigo gracioso entra na conversa e lhe ensina a fabricar tudo isso: um nome pescado ao acaso, como o do gigante Golias, rende uma grande anotação, com a referência a um capítulo que ninguém vai conferir. Depois de mostrar o truque, o amigo diz que o livro nem precisa dele, e é nesse ponto que vem a frase citada.

A frase dá ao livro uma tarefa e um alvo. O alvo não é um homem, é uma «máquina mal fundada»: o conjunto dos livros de cavalaria, aborrecidos por muitos e, ao mesmo tempo, louvados por mais ainda. O amigo acrescenta que esses livros nunca ouviram falar de Aristóteles, de modo que o novo livro não precisa de erudição para derrubá-los, e que deve fazer rir o melancólico, rir mais o risonho e admirar o discreto, sem cansar o simples. O que se promete, portanto, é uma sátira de público largo.

Vale notar quem fala. Não é o autor, é um amigo, e o propósito do livro nasce de uma conversa que o próprio prólogo encena. O programa também deixa uma pergunta em aberto, que os capítulos seguintes respondem aos poucos: quando o primeiro leitor derrubado pelos livros aparece, o fidalgo da Mancha, o riso prometido se mantém ou se complica? O texto pede ao leitor que acompanhe a resposta.

em resolução, ele se embebeu tanto na sua leitura que as noites lhe passavam lendo de claro em claro, e os dias de turvo em turvo; e assim, do pouco dormir e do muito ler, ressecou-se-lhe o cérebro, de tal sorte que chegou a perder o juízo.
Quem fala
o narrador, sobre o fidalgo do capítulo I
Personagens
Dom Quixote
Temas
Loucura
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Paralelismo, Antítese

Explicação e análise

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Assinatura

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como a esse nosso aventureiro tudo o que pensava, via ou imaginava lhe parecia feito e acontecido ao modo do que lera, assim que viu a estalagem se lhe figurou um castelo com suas quatro torres e agulhas de luzente prata, sem faltar-lhe ponte levadiça e fosso fundo, com todos os apetrechos que tais castelos trazem nas pinturas.
Quem fala
o narrador, sobre a chegada do fidalgo à estalagem
Personagens
Dom Quixote
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Símbolos
A estalagem
Recursos
Imagem sensorial, Ironia dramática

Explicação e análise

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aqueles que ali se veem não são gigantes, e sim moinhos de vento, e o que neles parecem braços são as pás, que, tocadas pelo vento, fazem girar a pedra do moinho.
Quem fala
Sancho Pança, ao amo, diante dos moinhos
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote
Temas
Aparência e realidade
Símbolos
Os moinhos de vento
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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voltando de improviso o árabe em castelhano, disse que dizia: História de dom Quixote de la Mancha, escrita por Cide Hamete Benengeli, historiador árabe.
Quem fala
o narrador, ao contar o que o mouro leu no caderno achado em Toledo
Personagens
Cide Hamete Benengeli, Dom Quixote
Temas
Linguagem e narração
Recursos
Narrativa dentro da narrativa

Explicação e análise

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Primeira Parte: Marcela e a estalagem

ditosa idade e ditosos séculos aqueles a quem os antigos puseram o nome de dourados, e não porque neles o ouro, que nesta nossa idade de ferro tanto se estima, se alcançasse naquela venturosa sem fadiga alguma, mas porque então os que nela viviam ignoravam estas duas palavras: teu e meu.
Quem fala
dom Quixote, aos cabreiros, com um punhado de bolotas na mão
Personagens
Dom Quixote
Temas
Justiça e leiLiberdade e opressão
Recursos
Apóstrofe, Antítese

Explicação e análise

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mas não alcanço que, por razão de ser amado, esteja obrigado o que é amado por belo a amar quem o ama.
Quem fala
Marcela, na defesa diante dos pastores, no enterro de Grisóstomo
Personagens
Marcela
Temas
AmorLiberdade e opressão
Recursos
Repetição

Explicação e análise

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eu nasci livre, e para poder viver livre escolhi a solidão dos campos. As árvores destas montanhas são minha companhia, as claras águas destes riachos, meus espelhos.
Quem fala
Marcela, ao defender-se diante dos pastores
Personagens
Marcela
Temas
Liberdade e opressão
Recursos
Metáfora, Paralelismo

Explicação e análise

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não afrontam as feridas que se dão com os instrumentos que por acaso se acham nas mãos; e isto está na lei do duelo, escrito por palavras expressas: que se o sapateiro dá em outro com a forma que tem na mão, ainda que de verdade seja de pau, nem por isso se dirá que fica apaleado aquele a quem ela acertou.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, depois da surra dos arrieiros
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Honra e reputaçãoJustiça e lei
Recursos
Ironia

Explicação e análise

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se não se deixam ver, deixam-se sentir, disse Sancho; senão, digam-no minhas costas.
Quem fala
Sancho Pança, ao amo, na estalagem tomada por castelo
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote
Temas
Aparência e realidade
Símbolos
A estalagem
Recursos
Antítese, Ironia

Explicação e análise

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Primeira Parte: Os galeotes e a serra

pois a mim, de direito, me deixastes torto, deixando-me uma perna quebrada, que não se verá direita em todos os dias da sua vida; e o agravo que em mim desfizestes foi deixar-me agravado de modo que ficarei agravado para sempre.
Quem fala
o bacharel Alonso López, caído debaixo da mula, a dom Quixote
Personagens
Dom Quixote
Temas
Justiça e lei
Recursos
Paradoxo, Trocadilho

Explicação e análise

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todas as coisas que via, com muita facilidade as acomodava a suas desvairadas cavalarias e malandantes pensamentos.
Quem fala
o narrador, sobre dom Quixote diante do barbeiro com a bacia
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Símbolos
O elmo de Mambrino
Recursos
Narrador intruso

Explicação e análise

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eu sou Ginés de Pasamonte, cuja vida está escrita por estes polegares.
Quem fala
Ginés de Pasamonte, o último galeote da corrente
Personagens
Ginés de Pasamonte
Temas
Linguagem e narração
Recursos
Metonímia

Explicação e análise

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não é bom que os homens honrados sejam verdugos de outros homens, sem que lhes vá nada nisso.
Quem fala
dom Quixote, aos guardas dos galeotes
Personagens
Dom Quixote
Temas
Justiça e leiLiberdade e opressão
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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se quereis, senhores, que vos diga em poucas razões a imensidão de minhas desventuras, haveis de me prometer que com nenhuma pergunta, nem outra coisa, não interrompereis o fio de minha triste história; porque no ponto em que o fizerdes, nesse ficará o que eu for contando.
Quem fala
Cardênio, o Roto da Má Figura, antes de contar a sua história
Personagens
Cardênio, Dom Quixote
Temas
AmorLinguagem e narração
Recursos
Prenúncio, Narrativa dentro da narrativa

Explicação e análise

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Primeira Parte: A penitência e Micomicona

que enlouquecer um cavaleiro andante com motivo, nem mérito nem agradecimento: o toque está em desatinar sem ocasião e dar a entender à minha dama que, se faço isto a seco, o que não faria molhado?
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, na Serra Morena
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
LoucuraAmor
Recursos
Pergunta retórica, Antítese

Explicação e análise

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assim, Sancho, pelo que eu quero a Dulcineia del Toboso, vale tanto quanto a mais alta princesa da terra [...] pinto-a na minha imaginação como a desejo, tanto na beleza como na primazia.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, depois de saber que o escudeiro conhece Aldonza Lorenzo
Personagens
Dom Quixote, Dulcineia del Toboso, Sancho Pança
Temas
AmorAparência e realidade
Recursos
Metáfora, Hipérbole

Explicação e análise

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tua vassala sou, mas não tua escrava; nem tem nem deve ter império a nobreza do teu sangue para desonrar e ter em pouco a humildade do meu; e em tanto me estimo eu, vilã e lavradora, como tu, senhor e cavaleiro.
Quem fala
Doroteia, a dom Fernando, ao contar sua história a Cardênio e ao padre
Personagens
Doroteia
Temas
Honra e reputaçãoLiberdade e opressãoAmor
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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aos cavaleiros andantes não toca nem cabe averiguar se os aflitos, encadeados e oprimidos que encontram pelos caminhos vão daquela maneira, ou estão naquela angústia, por suas culpas ou por suas graças; só lhes toca ajudá-los como necessitados, pondo os olhos em suas penas e não em suas velhacarias.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, ao ouvir o padre contar o roubo dos galeotes
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança, O padre e o barbeiro
Temas
Justiça e lei
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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aquele sábio nigromante que tem conta de minhas coisas e é meu amigo [...] algum sábio amigo te deve ter levado em voos, sem que tu o sentisses.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, que diz ter ido e voltado do Toboso em três dias
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança, Dulcineia del Toboso
Temas
Aparência e realidade
Recursos
Ironia dramática

Explicação e análise

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Primeira Parte: O Curioso Impertinente

como se eu não soubesse quantas são cinco e onde me aperta o sapato! [...] estando impresso com licença dos senhores do Conselho Real, como se eles fossem gente que havia de deixar imprimir tanta mentira junta.
Quem fala
o estalajadeiro, ao padre, em defesa dos seus livros de cavalaria
Personagens
O padre e o barbeiro
Temas
Linguagem e narraçãoAparência e realidade
Símbolos
Os livros de cavalaria, A estalagem
Recursos
Ironia

Explicação e análise

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uma mulher não é boa senão na medida em que é ou não é solicitada, e só é forte aquela que não se dobra às promessas, às dádivas, às lágrimas e às contínuas importunações dos amantes solícitos.
Quem fala
Anselmo, a Lotário, na novela lida pelo padre
Temas
AmorHonra e reputação
Recursos
Paralelismo

Explicação e análise

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bem me parece esta novela, disse o padre, mas não me posso persuadir de que isto seja verdade; e, se é fingido, fingiu mal o autor, porque não se pode imaginar que haja marido tão néscio que queira fazer tão custosa experiência como Anselmo. Se este caso se pusesse entre um galã e uma dama, poder-se-ia levar, mas entre marido e mulher algo tem de impossível.
Quem fala
o padre, ao fim da novela do Curioso Impertinente
Personagens
O padre e o barbeiro
Temas
Linguagem e narração
Recursos
Ironia de situação

Explicação e análise

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tu não podes ser da formosa Luscinda, porque és meu, nem ela pode ser tua, porque é de Cardênio; e mais fácil te será, se nisso reparas, reduzir tua vontade a querer quem te adora do que encaminhar a que te aborrece a que bem te queira.
Quem fala
Doroteia, ajoelhada diante de dom Fernando
Personagens
Doroteia, Cardênio
Temas
AmorHonra e reputação
Recursos
Paralelismo

Explicação e análise

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tudo isso eu creria, respondeu Sancho, se também o meu manteamento fosse coisa dessa laia, mas não foi, e sim real e verdadeiramente; e vi eu que o estalajadeiro que aqui está hoje tinha uma ponta da manta e me empurrava para o céu com muito donaire e brio, e com tanto riso como força; e onde se conhecem as pessoas, tenho para mim, ainda que simples e pecador, que não há encantamento algum, mas muita moedura e muita má ventura.
Quem fala
Sancho Pança, ao amo, na estalagem
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote
Temas
Aparência e realidade
Símbolos
A estalagem
Recursos
Ironia

Explicação e análise

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Primeira Parte: As armas e o cativo

e assim, considerando isto, estou por dizer que em minha alma me pesa ter tomado este exercício de cavaleiro andante em idade tão detestável como esta em que agora vivemos; porque, ainda que a mim nenhum perigo ponha medo, todavia me põe receio pensar se a pólvora e o estanho hão de tirar-me a ocasião de fazer-me famoso e conhecido pelo valor de meu braço e pelos fios de minha espada.
Quem fala
dom Quixote, à mesa da estalagem, no discurso das armas e das letras
Personagens
Dom Quixote
Temas
Honra e reputação
Recursos
Metonímia

Explicação e análise

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vim eu a ficar cativo em seu poder, e só eu fui o triste entre tantos alegres e o cativo entre tantos livres; porque foram quinze mil os cristãos que naquele dia alcançaram a desejada liberdade, que todos vinham ao remo na armada turquesca.
Quem fala
o cativo, aos hóspedes da estalagem, sobre o dia de Lepanto
Personagens
O cativo
Temas
Liberdade e opressão
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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muitos cristãos tenho visto por esta janela, e nenhum me pareceu cavaleiro senão tu. Eu sou muito formosa e moça, e tenho muitos dinheiros para levar comigo: vê tu se podes fazer como nos vamos, e serás lá meu marido, se quiseres, e se não quiseres, não se me dará nada, que Lela Marién me dará com quem me case.
Quem fala
Zoraida, numa carta ao cativo, traduzida pelo renegado
Personagens
O cativo
Temas
AmorLiberdade e opressão

Explicação e análise

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Alá sabe bem que não pude fazer outra coisa que a que fiz, e que estes cristãos nada devem à minha vontade, pois, ainda que quisesse não vir com eles e ficar em minha casa, me seria impossível, segundo a pressa que minha alma me dava para pôr em obra esta que a mim parece tão boa como tu, pai amado, a julgas má.
Quem fala
Zoraida, ao pai, quando o barco já se afasta da praia
Personagens
O cativo
Temas
Liberdade e opressãoAmorHonra e reputação
Recursos
Apóstrofe, Antítese

Explicação e análise

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tomai, senhora, essa mão, ou, por melhor dizer, esse verdugo dos malfeitores do mundo; tomai essa mão, digo, a quem não tocou outra de mulher alguma, nem mesmo a daquela que tem inteira posse de todo o meu corpo.
Quem fala
dom Quixote, do alto de Rocinante, a Maritornes, que ele toma por donzela enamorada
Personagens
Dom Quixote, Dulcineia del Toboso
Temas
Aparência e realidadeAmor
Símbolos
A estalagem
Recursos
Hipérbole, Ironia

Explicação e análise

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Primeira Parte: A jaula e o cônego

quem foi o ignorante que firmou mandado de prisão contra um tal cavaleiro como eu sou? Quem ignorou que são isentos de todo foro judicial os cavaleiros andantes, e que sua lei é sua espada; seus foros, seus brios; suas pragmáticas, sua vontade?
Quem fala
dom Quixote, aos quadrilheiros da Santa Irmandade, na estalagem
Personagens
Dom Quixote
Temas
Justiça e lei
Símbolos
A estalagem
Recursos
Pergunta retórica, Paralelismo

Explicação e análise

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não vi nenhum livro de cavalarias que faça um corpo de fábula inteiro com todos os seus membros, de maneira que o meio corresponda ao princípio, e o fim ao princípio e ao meio [...] e por isso dignos de ser desterrados da república cristã, como gente inútil.
Quem fala
o cônego de Toledo, ao padre, a caminho da aldeia
Personagens
O padre e o barbeiro
Temas
Linguagem e narração
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Metáfora, Paralelismo

Explicação e análise

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eu sei e tenho para mim que vou encantado, e isto me basta para a segurança de minha consciência; que a formaria muito grande se eu pensasse que não estava encantado e me deixasse estar nesta jaula, preguiçoso e covarde, defraudando o socorro que poderia dar a muitos necessitados e carentes que de minha ajuda e amparo devem ter a esta hora precisa e extrema necessidade.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, dentro da jaula
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
LoucuraAparência e realidade
Símbolos
A jaula
Recursos
Ironia dramática

Explicação e análise

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está boa essa, respondeu dom Quixote. Os livros que estão impressos com licença dos reis e com aprovação daqueles a quem se remeteram, e que com gosto geral são lidos e celebrados de grandes e de pequenos, de pobres e de ricos, de letrados e ignorantes, de plebeus e cavaleiros, enfim, de todo gênero de pessoas, de qualquer estado e condição que sejam, haviam de ser mentira? [...] e mais levando tanta aparência de verdade, pois nos contam o pai, a mãe, a pátria, os parentes, a idade, o lugar e as façanhas, ponto por ponto e dia por dia, que o tal cavaleiro fez, ou cavaleiros fizeram.
Quem fala
dom Quixote, em resposta ao cônego de Toledo
Personagens
Dom Quixote
Temas
Linguagem e narraçãoAparência e realidade
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Pergunta retórica, Paralelismo

Explicação e análise

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o qual autor não pede aos que a lerem, em prêmio do imenso trabalho que lhe custou inquirir e buscar todos os arquivos manchegos, para a tirar à luz, senão que lhe deem o mesmo crédito que costumam dar os discretos aos livros de cavalarias, que tão valorizados andam no mundo.
Quem fala
o narrador, no fim da Primeira Parte
Temas
Linguagem e narração
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Ironia

Explicação e análise

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Segunda Parte: O livro impresso

gostarias que eu o tratasse de asno, de mentecapto e de atrevido, mas isso nem me passa pelo pensamento: que o seu pecado o castigue, que coma o seu pão e se arranje.
Quem fala
Cervantes, no prólogo da Segunda Parte, ao leitor
Temas
Linguagem e narração
Recursos
Ironia

Explicação e análise

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escrever como poeta é uma coisa, como historiador é outra: ao poeta cabe contar, ou cantar, as coisas não como foram, mas como deviam ser; ao historiador, escrevê-las não como deviam ser, mas como foram, sem acrescentar nem tirar nada à verdade.
Quem fala
Sansão Carrasco, a dom Quixote e a Sancho, sobre o livro impresso
Personagens
Sansão Carrasco, Dom Quixote
Temas
Linguagem e narração
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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pelo ditado que diz quem te cobre te descobre. Pelo pobre todos passam os olhos como de corrida, e no rico os detêm; e se o tal rico foi um dia pobre, ali é o murmurar e o maldizer, e o pior é a perseverança dos maldizentes, que os há por essas ruas aos montões, como enxames de abelhas.
Quem fala
Teresa Pança, ao marido, que quer ver a filha condessa
Personagens
Teresa Pança, Sancho Pança
Temas
Honra e reputação
Recursos
Antítese, Comparação

Explicação e análise

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não te disse mil vezes que em todos os dias da minha vida não vi a sem-par Dulcineia, nem jamais atravessei os umbrais do seu palácio, e que só estou enamorado de ouvir dizer e da grande fama que ela tem de formosa e discreta?
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, nas ruas do Toboso, à meia-noite
Personagens
Dom Quixote, Dulcineia del Toboso, Sancho Pança
Temas
AmorAparência e realidade
Recursos
Pergunta retórica, Hipérbole

Explicação e análise

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não será muito difícil fazê-lo crer que uma lavradora, a primeira que eu encontrar por aqui, é a senhora Dulcineia.
Quem fala
Sancho, a sós, às portas do Toboso
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote, Dulcineia del Toboso
Temas
Aparência e realidade
Recursos
Prenúncio

Explicação e análise

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já que o maligno encantador me persegue, pôs nuvens e cataratas nos meus olhos e, só para eles e não para outros, mudou e transformou a tua sem-igual formosura e rosto no de uma lavradora pobre, se é que também o meu não mudou no de algum monstrengo, para me fazer aborrecível aos teus olhos.
Quem fala
dom Quixote, de joelhos, diante da lavradora que Sancho apresenta como Dulcineia
Personagens
Dom Quixote, Dulcineia del Toboso, Sancho Pança
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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Segunda Parte: Espelhos, leões e Camacho

quando vi este carro, imaginei que me aparecia alguma grande aventura; e agora digo que é forçoso apalpar as aparências para dar lugar ao desengano.
Quem fala
dom Quixote, ao Diabo da carreta das Cortes da Morte
Personagens
Dom Quixote
Temas
Aparência e realidade
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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viu, diz a história, o rosto mesmo, a mesma figura, o mesmo aspecto, a mesma fisionomia, a mesma efígie, a perspectiva mesma do bacharel Sansão Carrasco.
Quem fala
o narrador, quando dom Quixote desata o elmo do Cavaleiro dos Espelhos
Personagens
Dom Quixote, Sansão Carrasco
Temas
Aparência e realidade
Recursos
Repetição

Explicação e análise

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a diferença que há entre esses dois loucos é que o que o é à força o será sempre, e o que o é por gosto deixará de sê-lo quando lhe aprouver.
Quem fala
Sansão Carrasco, a Tomé Cecial, depois de derrotado
Personagens
Sansão Carrasco, Dom Quixote
Temas
Loucura
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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o generoso leão, mais comedido que arrogante, sem fazer caso de meninices nem de bravatas, depois de olhar para uma e outra parte, voltou as costas e mostrou a dom Quixote suas partes traseiras, e com grande fleuma e remanso tornou a deitar-se na jaula.
Quem fala
o narrador, quando o leão fica diante do fidalgo
Personagens
Dom Quixote
Temas
Honra e reputaçãoAparência e realidade
Símbolos
A jaula
Recursos
Personificação, Ironia

Explicação e análise

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não o tirarão do borrão de sua loucura quantos médicos e bons escrivães tem o mundo: ele é um louco entremeado, cheio de lúcidos intervalos.
Quem fala
dom Lorenzo, ao pai, depois de conversar com o hóspede
Personagens
Dom Quixote
Temas
Loucura
Recursos
Oxímoro

Explicação e análise

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reparai que o amor e a guerra são a mesma coisa, e assim como na guerra é coisa lícita e costumada usar de ardis e estratagemas para vencer o inimigo, assim nas contendas e competências amorosas se têm por bons os embustes e tramoias que se fazem para conseguir o fim que se deseja, contanto que não sejam em prejuízo e desonra da coisa amada. [...] Camacho é rico, e poderá comprar seu gosto quando, onde e como quiser. Basílio não tem mais que esta ovelha, e não há de tirar-lha ninguém, por poderoso que seja; que aos dois que Deus junta não poderá separar o homem.
Quem fala
dom Quixote, aos partidários de Camacho, depois do ardil de Basílio
Personagens
Dom Quixote
Temas
AmorJustiça e lei
Recursos
Comparação

Explicação e análise

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Segunda Parte: Montesinos e o retábulo

vi que não dormia, e sim que estava realmente desperto [...] me certificaram de que eu era ali naquele momento o que sou aqui agora.
Quem fala
dom Quixote, ao primo e a Sancho, ao contar o que viu na gruta
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Símbolos
A gruta de Montesinos
Recursos
Narrativa dentro da narrativa

Explicação e análise

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não posso dar a entender, nem posso persuadir-me, de que ao valoroso dom Quixote tenha acontecido pontualmente tudo o que no capítulo anterior fica escrito [...] e se esta aventura parece apócrifa, eu não tenho a culpa; e assim, sem afirmá-la falsa ou verdadeira, a escrevo.
Quem fala
Cide Hamete Benengeli, em nota de próprio punho à margem
Personagens
Cide Hamete Benengeli, Dom Quixote
Temas
Linguagem e narração
Símbolos
A gruta de Montesinos
Recursos
Narrador intruso

Explicação e análise

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um só não pode afrontar reino, província, cidade, república nem povo inteiro.
Quem fala
dom Quixote, ao esquadrão do zurro
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Honra e reputaçãoJustiça e lei

Explicação e análise

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voltaram às suas bestas, e a ser bestas, dom Quixote e Sancho, e este fim teve a aventura do encantado barco.
Quem fala
o narrador, no fim da aventura do barco
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Aparência e realidade
Recursos
Trocadilho, Ironia

Explicação e análise

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aquele foi o primeiro dia em que de todo em todo conheceu e creu ser cavaleiro andante verdadeiro, e não fantástico, vendo-se tratar do mesmo modo que ele tinha lido que se tratavam os tais cavaleiros nos séculos passados.
Quem fala
o narrador, na chegada de dom Quixote ao castelo dos duques
Personagens
Dom Quixote
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Recursos
Antítese, Ironia dramática

Explicação e análise

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Segunda Parte: Os duques e o Cravelenho

se me tivessem por tolo os cavaleiros, os magníficos, os generosos, os altamente nascidos, eu o teria por afronta irreparável; mas que me tenham por sandeu os estudantes, que nunca entraram nem pisaram as sendas da cavalaria, não ligo um ardite: cavaleiro sou e cavaleiro hei de morrer, se aprouver ao Altíssimo.
Quem fala
dom Quixote, à mesa dos duques, ao eclesiástico que o desprezou
Personagens
Dom Quixote, Os duques
Temas
Honra e reputaçãoLoucura
Recursos
Antítese, Repetição

Explicação e análise

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Deus sabe se há Dulcineia ou não no mundo, ou se é fantástica ou não é fantástica; e estas não são das coisas cuja averiguação se há de levar até o cabo. Nem eu engendrei nem pari minha senhora, ainda que a contemple como convém que seja uma dama que contenha em si os dotes que possam fazê-la famosa em todas as partes do mundo.
Quem fala
dom Quixote, à duquesa, diante do duque
Personagens
Dom Quixote, Dulcineia del Toboso, Os duques
Temas
AmorAparência e realidade
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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eu tenho meu senhor dom Quixote por louco rematado, ainda que algumas vezes diga coisas que, a meu parecer, e ainda de todos aqueles que o escutam, são tão discretas e por tão bom carril encaminhadas, que o próprio Satanás não as poderia dizer melhores; mas, com tudo isso, verdadeiramente e sem escrúpulo, a mim se me assentou que é um mentecapto. [...] atrevo-me a fazê-lo crer no que não leva pés nem cabeça, como foi aquilo da resposta da carta, e o de há seis ou oito dias, que ainda não está em história; convém saber: o do encanto de minha senhora dona Dulcineia, que lhe dei a entender que está encantada, não sendo mais verdade que pelos cerros de Úbeda.
Quem fala
Sancho, à duquesa, depois de levantar os dosséis da sala
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote, Os duques, Dulcineia del Toboso
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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a ínsula que eu vos prometi não é movível nem fugitiva: raízes tem tão fundas, lançadas nos abismos da terra, que não a arrancarão nem mudarão de onde está a três puxões.
Quem fala
o duque, a Sancho, que se recusa a subir no cavalo de pau
Personagens
Sancho Pança, Os duques, Dom Quixote
Temas
Aparência e realidade
Símbolos
A ínsula
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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Sancho, pois vós quereis que se vos creia o que vistes no céu, eu quero que vós me creiais a mim o que vi na gruta de Montesinos; e não vos digo mais.
Quem fala
dom Quixote, ao ouvido de Sancho, depois do voo do Cravelenho
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Linguagem e narraçãoAparência e realidade
Símbolos
A gruta de Montesinos
Recursos
Paralelismo, Ironia

Explicação e análise

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Segunda Parte: O governo da ilha

o culpado que cair debaixo de tua jurisdição considera-o homem miserável, sujeito às condições da depravada natureza nossa, e em tudo quanto for de tua parte, sem fazer agravo à parte contrária, mostra-te piedoso e clemente, porque, ainda que os atributos de Deus todos sejam iguais, mais resplandece e sobressai a nosso ver o da misericórdia que o da justiça.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, nos primeiros conselhos de governo
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança
Temas
Justiça e lei
Símbolos
A ínsula
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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irmã minha, se o mesmo alento e valor que mostrastes para defender esta bolsa o mostrásseis, e ainda a metade menos, para defender vosso corpo, as forças de Hércules não vos fariam força.
Quem fala
Sancho governador, à mulher que acusava um criador de porcos
Personagens
Sancho Pança
Temas
Justiça e lei
Símbolos
A ínsula
Recursos
Trocadilho, Alusão

Explicação e análise

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desde aqui digo que por esta vez renuncio à minha fidalguia, e me aplano e ajusto com a lhaneza do danador, e me faço igual a ele, habilitando-o para poder combater comigo; e assim, ainda que ausente, o desafio e repto.
Quem fala
dom Quixote, ao assumir a causa da filha de dona Rodríguez
Personagens
Dom Quixote, Os duques
Temas
Honra e reputaçãoJustiça e leiAmor

Explicação e análise

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vinde cá, companheiro meu e amigo meu, e suportador de meus trabalhos e misérias: quando eu me avinha convosco e não tinha outros pensamentos que os que me davam os cuidados de remendar vossos aparelhos e de sustentar vosso corpinho, ditosas eram minhas horas, meus dias e meus anos; mas, depois que vos deixei e subi sobre as torres da ambição e da soberba, entraram-me pela alma adentro mil misérias, mil trabalhos e quatro mil desassossegos.
Quem fala
Sancho, ao ruço, na cavalariça, ao deixar o governo
Personagens
Sancho Pança
Temas
Liberdade e opressão
Símbolos
A ínsula
Recursos
Apóstrofe, Metáfora

Explicação e análise

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deixai-me voltar à minha antiga liberdade; deixai-me ir buscar a vida passada, para que me ressuscite desta morte presente.
Quem fala
Sancho, ao mordomo, ao secretário, ao mestre-sala e ao doutor Recio
Personagens
Sancho Pança
Temas
Liberdade e opressão
Símbolos
A ínsula
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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Segunda Parte: Ricote, Roque e Barcelona

a liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que os céus deram aos homens; com ela não se podem igualar os tesouros que a terra encerra nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, pode-se e deve-se aventurar a vida, e, ao contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens.
Quem fala
dom Quixote, a Sancho, ao deixar o castelo dos duques
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança, Os duques
Temas
Liberdade e opressãoHonra e reputação
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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por isso mesmo, respondeu dom Quixote, não porei os pés em Saragoça, e assim tirarei à praça do mundo a mentira desse historiador moderno, e as gentes verão como eu não sou o dom Quixote que ele diz.
Quem fala
dom Quixote, na estalagem, a dom Juan e dom Jerônimo
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança, Cide Hamete Benengeli
Temas
Aparência e realidadeLinguagem e narração
Símbolos
A estalagem
Recursos
Narrativa dentro da narrativa

Explicação e análise

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nem tiro rei, nem ponho rei, respondeu Sancho, mas ajudo a mim mesmo, que sou meu senhor.
Quem fala
Sancho, ao amo, quando este tenta açoitá-lo à força
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote, Dulcineia del Toboso
Temas
Liberdade e opressão
Recursos
Paralelismo, Ironia

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o traduzir de uma língua em outra, como não seja das rainhas das línguas, a grega e a latina, é como quem olha os tapetes flamengos pelo avesso, que, ainda que se vejam as figuras, estão cheias de fios que as escurecem, e não se veem com a lisura e a tez do lado direito.
Quem fala
dom Quixote, na tipografia de Barcelona, a um homem que traduziu um livro toscano
Personagens
Dom Quixote, Sancho Pança, Cide Hamete Benengeli
Temas
Linguagem e narração
Recursos
Comparação

Explicação e análise

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Segunda Parte: A derrota e a morte

Dulcineia del Toboso é a mais formosa mulher do mundo, e eu o mais desditoso cavaleiro da terra, e não é bem que minha fraqueza defraude esta verdade. Aperta, cavaleiro, a lança, e tira-me a vida, pois me tiraste a honra.
Quem fala
dom Quixote, derrubado na praia de Barcelona, ao Cavaleiro da Lua Branca
Personagens
Dom Quixote, Dulcineia del Toboso, Sansão Carrasco
Temas
Honra e reputaçãoAmor
Recursos
Antítese, Hipérbole

Explicação e análise

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abre os olhos, desejada pátria, e vê que volta a ti Sancho Pança, teu filho, se não muito rico, muito bem açoitado. Abre os braços e recebe também teu filho dom Quixote, que, se vem vencido dos braços alheios, vem vencedor de si mesmo; que, segundo ele me disse, é o maior vencimento que se pode desejar. Dinheiros levo, porque, se bons açoites me davam, bem cavaleiro eu ia.
Quem fala
Sancho, de joelhos, ao avistar a aldeia, com o amo ao lado
Personagens
Sancho Pança, Dom Quixote
Temas
Honra e reputaçãoAparência e realidade
Recursos
Paradoxo, Ironia

Explicação e análise

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dai-me parabéns, bons senhores, de que já eu não sou dom Quixote de la Mancha, mas Alonso Quijano, a quem meus costumes deram renome de Bom. Já sou inimigo de Amadis de Gaula e de toda a infinita caterva de sua linhagem.
Quem fala
dom Quixote, ao padre, ao bacharel e ao barbeiro, ao despertar doente em casa
Personagens
Dom Quixote, O padre e o barbeiro, Sansão Carrasco
Temas
LoucuraAparência e realidade
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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para mim só nasceu dom Quixote, e eu para ele; ele soube obrar e eu escrever; só nós dois somos feitos um para o outro, a despeito e pesar do escritor fingido e tordesilhesco.
Quem fala
Cide Hamete Benengeli, à sua pena, ao fechar o livro
Personagens
Cide Hamete Benengeli, Dom Quixote
Temas
Linguagem e narração
Símbolos
Os livros de cavalaria
Recursos
Paralelismo, Narrador intruso

Explicação e análise

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