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Dom Quixote · Primeira Parte

O fidalgo e os moinhos

Resumo da parte

O romance de 1605 começa com um homem que lê até secar o cérebro e decide viver o que leu. Em dez capítulos, Dom Quixote sai de casa duas vezes: na primeira, toma uma estalagem por castelo e arranja um estalajadeiro que o arma cavaleiro por zombaria; na segunda, leva consigo Sancho Pança, a quem promete uma ínsula, e investe contra trinta moinhos de vento que vê como gigantes. Entre as duas, o padre e o barbeiro examinam a biblioteca, condenam quase tudo à fogueira e emparedam o aposento, e a ama e a sobrinha inventam um encantador para explicar o sumiço, ficção que o fidalgo adota e engorda: o mago Frestón passa a responder por todo desmentido. O narrador, por sua vez, interrompe a história no meio de um duelo e diz que a fonte acabou, e no capítulo IX encontra em Toledo os cadernos de Cide Hamete Benengeli, que um mouro traduz. Estes capítulos armam as duas saídas, o escrutínio, os moinhos e o manuscrito, e deixam pronto o que o livro vai fazer com eles: medir, a cada aventura, a distância entre o que o fidalgo vê e o que a cena mostra.

Prólogo

Resumo do capítulo

Miguel de Cervantes abre o livro fingindo ser padrasto e não pai de dom Quixote, e usa a imagem para soltar o leitor de qualquer obrigação de indulgência:

Análise

Desocupado lector: sin juramento me podrás creer que quisiera que este libro, como hijo del entendimiento, fuera el más hermoso, el más gallardo y más discreto que pudiera imaginarse, desocupado leitor: sem juramento podes crer-me que eu desejaria que este livro, qual filho do entendimento, fosse o mais belo, o mais garboso e o mais discreto que se pudesse imaginar.

O desejo de ter feito o melhor livro é logo contrariado: o engenho estéril só pode gerar um filho seco, e o amor de pai, que vê graça nas faltas dos filhos, é o que ele diz não ter, por ser padrasto. Daí tira o direito do leitor, que é senhor em sua casa como o rei de seus impostos e pode julgar sem medo de castigo ou de prêmio. Pode ser modéstia de ofício, e pode ser a primeira cláusula do pacto: aqui, quem lê manda.

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Capítulo I: O fidalgo que enlouqueceu lendo

Resumo do capítulo

Num lugar da Mancha vive um fidalgo de uns cinquenta anos, magro, madrugador e amigo da caça, com uma ama de mais de quarenta anos, uma sobrinha de menos de vinte anos e um moço de campo e praça que tanto sela o rocim como maneja a podadeira. O narrador não sabe ao certo o sobrenome dele (Quijada, Quesada, talvez Quejana) e diz que isso pouco importa, contanto que a narração não se afaste da verdade. O retrato abre o livro com uma lista de coisas gastas e magras:

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Capítulo II: A primeira saída e a estalagem-castelo

Resumo do capítulo

Pronto o aparato, Dom Quixote não quer esperar mais: acha que sua demora faz falta ao mundo, com tantos agravos por desfazer, tortos por endireitar e dívidas por pagar. Numa manhã quente de julho, antes do dia, sem avisar ninguém, sai por uma porta falsa do quintal, de armas e capacete de papelão. Mal se vê no campo, assalta-o a lembrança de que ainda não foi armado cavaleiro, e de que pela lei da cavalaria não pode nem deve medir armas com cavaleiro algum; e, mesmo que o fosse, teria de levar armas brancas, de cavaleiro novel, e escudo sem emblema até merecê-lo pelo próprio esforço.

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Capítulo III: A armação de cavaleiro

Resumo do capítulo

Aflito por ainda não ser cavaleiro, Dom Quixote acaba depressa a ceia de estalagem, tranca-se com o estalajadeiro na cavalariça e se ajoelha diante dele: não se levantará até que lhe seja concedido um dom, que o armem cavaleiro na manhã seguinte, enquanto vela as armas na capela do castelo. O estalajadeiro, que já desconfiava do juízo do hóspede e agora tem certeza, resolve entrar no humor dele "para ter de que rir aquela noite". Responde que o desejo é próprio de cavalheiros tão principais, conta que na mocidade também andou por muitas partes buscando aventuras (uma lista de bairros de má fama, de bolsas leves e de viúvas requestadas) e se recolheu àquele castelo, onde recebe os cavaleiros andantes para que repartam com ele seus haveres. Não há capela, mas as armas se velam em qualquer pátio.

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Capítulo IV: Andrés, o lavrador e os mercadores

Resumo do capítulo

Saindo da estalagem ao amanhecer, tão contente de estar armado cavaleiro que o gosto lhe estoura pelas cilhas do cavalo, Dom Quixote se lembra dos conselhos do estalajadeiro sobre dinheiro e camisas e decide voltar para casa a fim de se aprovisionar e arranjar um escudeiro, um lavrador vizinho, pobre e com filhos. Rocinante, que reconhece o caminho do estábulo, trota como se não pisasse o chão. Então ele ouve, de um bosque à direita, vozes delicadas de quem se queixa, e agradece ao céu por lhe pôr tão cedo uma ocasião de cumprir o que deve à profissão.

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Capítulo V: A volta moído, levado pelo vizinho

Resumo do capítulo

Caído no caminho e sem poder se mexer, Dom Quixote recorre ao remédio de sempre, pensar numa passagem dos livros, e a loucura lhe traz o romance de Valdovinos, deixado ferido na montanha por Carloto, e do marquês de Mântua, que "os meninos sabem e os moços não ignoram". Rolando no chão, recita o lamento que o ferido faz no bosque:

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Capítulo VI: O escrutínio da biblioteca

Resumo do capítulo

Com Dom Quixote ainda dormindo, o padre pede à sobrinha as chaves do quarto onde estão os livros, que ele chama autores do dano, e entra com o barbeiro, a sobrinha e a ama: encontram mais de cem exemplares grandes, de boa encadernação, e outros menores. A ama sai correndo e volta com uma escudela de água benta:

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Capítulo VII: A segunda saída, com Sancho

Resumo do capítulo

O escrutínio é interrompido por gritos: Dom Quixote se levantou, brande golpes ao ar e clama a seus cavaleiros num torneio imaginário. Os de casa o levam de volta ao leito, e ele, tomando o padre por Turpim, o arcebispo dos Doze Pares, lamenta que os cavaleiros cortesãos tenham levado a vitória sobre os aventureiros; moído e não ferido, culpa dom Roldão e promete vingança, e depois pede de comer e adormece. Naquela noite a ama queima todos os livros do pátio e da casa, e o narrador lamenta que alguns, dignos de guarda perpétua, tenham ardido com os outros, porque às vezes os justos pagam pelos pecadores. O padre e o barbeiro decidem emparedar o aposento dos livros, para que ele não os ache ao se levantar (quem sabe, tirada a causa, cessa o efeito), e dizer que um encantador os levou.

Dois dias depois ele procura o aposento, tateia a parede onde ficava a porta e acaba perguntando à ama. A ama e a sobrinha repetem a lição: foi o diabo, ou melhor, um sábio que veio numa nuvem, montado numa serpente, e saiu pelo telhado deixando a casa cheia de fumaça, dizendo por inimizade secreta ao dono do aposento que o dano se veria depois. Disse chamar-se Muñatón.

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Capítulo VIII: Os moinhos de vento e o biscainho

Resumo do capítulo

Caminhando pelo campo com Sancho Pança, Dom Quixote descobre trinta ou quarenta moinhos de vento e vê nisso a ventura guiando as coisas deles melhor do que saberiam desejar:

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Capítulo IX: O manuscrito árabe e o duelo

Resumo do capítulo

O narrador retoma a história no ponto em que a deixou: o biscainho e Dom Quixote de espadas altas, prestes a se partirem em duas como romãs, e a fonte sem dizer onde achar o resto. Diz então, em primeira pessoa, o que isso lhe custou:

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Capítulo X: O bálsamo de Fierabrás

Resumo do capítulo

Sancho Pança, maltratado pelos moços dos frades, rezou durante a luta para que o amo ganhasse uma ínsula de que o fizesse governador. Quando a pendência acaba, ele se ajoelha, beija a mão de Dom Quixote e lhe pede o governo da ínsula ganha. O amo responde que aventuras como aquela, de encruzilhada, não rendem ínsula, só cabeça quebrada ou uma orelha a menos, e que tenha paciência: as de verdade virão. (O título do capítulo, em Cervantes, anuncia o perigo de uma turba de arrieiros iangueses que nunca aparece nele.)

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Leitura da parte

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