Um fidalgo da Mancha enlouquece de ler livros de cavalaria e sai três vezes de casa, as duas primeiras em 1605 e a terceira em 1615, para viver o que leu. A partir da segunda leva Sancho Pança, um lavrador vizinho, a quem promete uma ínsula. Entre estalagens, pancadas e histórias alheias, a loucura dele é posta à prova por quem o ama e por quem zomba, e a Segunda Parte, em que todos já leram a Primeira, acaba com o fidalgo vencido, sensato e morto na cama como Alonso Quijano, o Bom.
Primeira Parte, prólogo e capítulos I a X: o fidalgo e os moinhos
No prólogo, o autor diz ser padrasto do livro. Um fidalgo de uns cinquenta anos lê até secar o cérebro, toma o nome de dom Quixote de la Mancha, dá ao rocim o de Rocinante e a uma lavradora, Aldonza Lorenzo, o de Dulcineia del Toboso (capítulo I). Sai sozinho, toma uma estalagem por castelo e se faz armar cavaleiro pelo estalajadeiro (capítulo II, capítulo III), livra de uma surra o pastor Andrés, que apanha mais depois, e é derrubado por mercadores de Toledo (capítulo IV). Levado para casa por um vizinho (capítulo V), vê o padre e o barbeiro condenarem quase toda a sua biblioteca à fogueira (capítulo VI). Sai de novo, com Sancho e a promessa de uma ínsula (capítulo VII), investe contra moinhos que vê como gigantes (capítulo VIII), e o narrador, que interrompe o duelo com um biscainho por falta de fonte, acha em Toledo os cadernos do historiador árabe Cide Hamete Benengeli (capítulo IX). Sancho ouve a receita do bálsamo de Fierabrás (capítulo X).
Primeira Parte, capítulos XI a XVIII: Marcela e a estalagem
Os cabreiros recolhem os dois, e o fidalgo discursa sobre a Idade de Ouro diante de um punhado de bolotas (capítulo XI). Com eles vai ao enterro de Grisóstomo, estudante morto de amor por Marcela (capítulo XII, capítulo XIII), e ouve Marcela defender-se: nasceu livre, e quem é amado pela beleza não é obrigado a amar (capítulo XIV). Rocinante ataca as éguas de uns arrieiros galegos e os dois apanham (capítulo XV). Numa estalagem que ele vê como castelo, a serviçal Maritornes, o bálsamo e a manta em que Sancho é lançado ao ar dão a noite de pancadas (capítulo XVI, capítulo XVII). Na estrada, duas nuvens de poeira são para ele exércitos e para Sancho são rebanhos (capítulo XVIII).
Primeira Parte, capítulos XIX a XXIV: os galeotes e a serra
À noite, o fidalgo investe contra um cortejo de encamisados que leva um morto, e Sancho, ao ver-lhe o rosto sem dentes, o batiza Cavaleiro da Triste Figura (capítulo XIX). O estrondo que os aterroriza no escuro vem de seis maços de pisão (capítulo XX), e a bacia de um barbeiro vira o elmo de Mambrino (capítulo XXI). Dom Quixote liberta uma corrente de galeotes, entre eles Ginés de Pasamonte, e é apedrejado pelos libertos (capítulo XXII). Fugindo da Santa Irmandade, os dois entram na Serra Morena e acham uma maleta (capítulo XXIII); um homem esfarrapado, Cardênio, conta parte de sua história e, quando se fala da rainha Madásima, apedreja o fidalgo (capítulo XXIV).
Primeira Parte, capítulos XXV a XXXI: a penitência e Micomicona
Na serra, dom Quixote decide imitar Amadis e faz a penitência de Beltenebros sem motivo, por método, e diz a Sancho que a sua dama é Aldonza Lorenzo (capítulo XXV). Manda Sancho levar uma carta a Dulcineia, que o escudeiro não leva (capítulo XXVI). O padre e o barbeiro, que o procuram, se disfarçam e topam com Cardênio, que conta a história completa (capítulo XXVII), e com Doroteia, traída por dom Fernando (capítulo XXVIII), que aceita fazer de princesa Micomicona para levar o fidalgo para casa (capítulo XXIX). Ele sai da serra para defender o reino dela (capítulo XXX), e Sancho inventa a visita à Dulcineia que nunca fez (capítulo XXXI).
Primeira Parte, capítulos XXXII a XXXVII: o Curioso Impertinente
Na estalagem, o estalajadeiro guarda livros de cavalaria e um manuscrito, e o padre lê em voz alta a novela de Anselmo, que pede ao melhor amigo, Lotário, que prove a virtude de Camila, sua mulher (capítulo XXXII, capítulo XXXIII). Camila cede (capítulo XXXIV). O fidalgo, enquanto isso, sonha uma batalha com um gigante e fura odres de vinho, e a novela termina com a morte dos três (capítulo XXXV). Chegam dom Fernando e Luscinda, e a verdade dita diante de todos faz dom Fernando ceder a Doroteia (capítulo XXXVI); chega também um cativo, com uma moura que se diz cristã (capítulo XXXVII).
Primeira Parte, capítulos XXXVIII a XLIII: as armas e o cativo
Dom Quixote discursa sobre as armas e as letras e é ouvido com pena (capítulo XXXVIII). O cativo conta a vida: o pai que repartiu a herança entre três filhos e três caminhos, Lepanto, o cativeiro em Argel (capítulo XXXIX), a carta de Zoraida, que escreve a um cristão que nunca viu (capítulo XL), e a fuga de barca para a Espanha (capítulo XLI). Um ouvidor que chega à estalagem é o irmão dele (capítulo XLII). A filha do ouvidor, dona Clara, reconhece o moço de mulas que a seguiu, e à noite Maritornes e a filha do estalajadeiro deixam o fidalgo pendurado pelo pulso (capítulo XLIII).
Primeira Parte, capítulos XLIV a LII: a jaula e o cônego
A estalagem acaba em briga por uma albarda que o fidalgo diz ser jaez e por uma bacia que diz ser elmo (capítulo XLIV), e dom Fernando a decide a voto, enquanto os quadrilheiros da Santa Irmandade chegam com um mandado de prisão (capítulo XLV). O padre os apazigua e arma com os outros a jaula em que o fidalgo vai preso, aceitando o encantamento (capítulo XLVI). No caminho, o cônego de Toledo discute com ele os livros de cavalaria, e Sancho tenta provar que o amo não está encantado (capítulo XLVII, capítulo XLVIII, capítulo XLIX, capítulo L). Um cabreiro conta a história de Leandra (capítulo LI); uma procissão de penitentes derruba o fidalgo, e ele volta à aldeia, onde o livro promete uma terceira saída e deixa epitáfios (capítulo LII).
Segunda Parte, prólogo e capítulos I a X: o livro impresso
O prólogo responde ao Quixote falso de Avellaneda sem lhe dar o nome e promete o fidalgo «morto e sepultado». O padre e o barbeiro põem à prova a cura, e o fidalgo se desmente em minutos (capítulo I). O bacharel Sansão Carrasco traz a notícia de que a história já anda impressa, com seus erros, entre eles o do jumento que reaparece sem explicação (capítulo III, capítulo IV). Sancho fala com a mulher, Teresa, e discute salário com o amo (capítulo V, capítulo VII); os dois saem pela terceira vez (capítulo VII, capítulo VIII), e no Toboso, sem saber onde mora a dama, Sancho mostra ao amo três lavradoras montadas e diz que uma delas é Dulcineia, encantada (capítulo IX, capítulo X).
Segunda Parte, capítulos XI a XXI: espelhos, leões e Camacho
Uma carreta de farsantes, as Cortes da Morte, cruza o caminho e quase acaba em pedrada (capítulo XI). No bosque, o Cavaleiro do Bosque, ou dos Espelhos, e o escudeiro dele conversam com os dois (capítulo XII, capítulo XIII); o fidalgo o vence e vê no rosto do vencido o do bacharel Carrasco, que ele atribui a encantadores, e o narrador explica depois que era mesmo o bacharel, decidido a reduzi-lo a ficar em casa (capítulo XIV, capítulo XV). Dom Diego de Miranda, o fidalgo sensato do Verde Gabão, o toma por louco (capítulo XVI); o fidalgo manda abrir a jaula de dois leões, e o leão lhe vira as costas (capítulo XVII); na casa de dom Diego, o pai e o filho poeta, dom Lorenzo, chegam ao diagnóstico de um louco entremeado de lúcidos intervalos (capítulo XVIII). Nas bodas de Camacho, o pobre Basílio finge morrer para casar com Quitéria, e o fidalgo se põe do lado dos amantes (capítulo XIX, capítulo XX, capítulo XXI).
Segunda Parte, capítulos XXII a XXXI: Montesinos e o retábulo
O fidalgo desce à gruta de Montesinos, e para Sancho e o primo foi uma hora o que ele conta como três dias de visão (capítulo XXII, capítulo XXIII); o narrador, Cide Hamete, diz não garantir a história (capítulo XXIV). O titereiro mestre Pedro e o macaco adivinho dão a Quixote notícias parte falsas e parte verossímeis (capítulo XXV); o fidalgo despedaça o retábulo a golpes como se os bonecos fossem mouros, e mestre Pedro é Ginés de Pasamonte (capítulo XXVI, capítulo XXVII). Depois do esquadrão do zurro, que dá uma paulada em Sancho (capítulo XXVII), a defesa da retirada (capítulo XXVIII), o barco encantado, que é um barco (capítulo XXIX), e a bela caçadora (capítulo XXX) levam os dois ao castelo dos duques (capítulo XXXI).
Segunda Parte, capítulos XXXII a XLI: os duques e o Cravelenho
Os duques leram a Primeira Parte e armam, uma por uma, as aventuras que ela ensinou a admirar. O fidalgo responde ao eclesiástico que o despreza (capítulo XXXII), Sancho confessa à duquesa que inventou o encanto de Dulcineia e ouve que o enganado foi ele (capítulo XXXIII), e Merlim, numa caçada, impõe a Sancho três mil e trezentos açoites para desencantar Dulcineia (capítulo XXXIV, capítulo XXXV). A Aia Dolorida, que é a condessa Trifaldi, pede ajuda contra o gigante Malambruno (capítulo XXXVI, capítulo XXXVIII, capítulo XXXIX), e os dois, de olhos vendados num cavalo de pau, o Cravelenho, creem voar (capítulo XL, capítulo XLI).
Segunda Parte, capítulos XLII a LIII: o governo da ilha
O fidalgo dá a Sancho, que vai governar, conselhos sensatos sobre a justiça, a misericórdia e a humildade (capítulo XLII, capítulo XLIII). Sancho toma posse da ínsula Barataria, que é uma aldeia dos duques, e julga as primeiras causas com juízo (capítulo XLV); passa fome por ordem de um médico de comédia (capítulo XLVII) e dá as sentenças da ronda e da ponte (capítulo XLIX, capítulo LI). No castelo, dom Quixote leva um susto de gatos e cencerros (capítulo XLVI), ouve de dona Rodríguez o pedido de justiça pela filha burlada e apanha no escuro (capítulo XLVIII), e acaba aceitando a causa (capítulo LII). Sancho renuncia depois de um falso assalto à ilha, e diz que entrou nu e sai nu (capítulo LIII).
Segunda Parte, capítulos LIV a LXII: Ricote, Roque e Barcelona
Na volta, Sancho encontra o vizinho Ricote, mourisco expulso da Espanha, e recusa lucrar com a desgraça dele (capítulo LIV), cai num fosso (capítulo LV) e o duelo armado pelos duques se desfaz quando o lacaio Tosilos desiste (capítulo LVI). Os dois deixam o castelo, e o fidalgo louva a liberdade (capítulo LVII, capítulo LVIII). Numa estalagem ouve ler o livro de Avellaneda e muda de rumo para Barcelona (capítulo LIX). O bandoleiro Roque Guinart o recebe entre ladrões que repartem o roubo com rigor (capítulo LX), e Barcelona o aclama como o verdadeiro, até a cabeça encantada e a tipografia em que o livro rival está sendo composto (capítulo LXI, capítulo LXII).
Segunda Parte, capítulos LXIII a LXXIV: a derrota e a morte
Nas galés de Barcelona, o arrais preso se revela uma mulher, Ana Félix, filha de Ricote (capítulo LXIII), e na praia o Cavaleiro da Lua Branca derruba o fidalgo, que confessa a beleza de Dulcineia e promete um ano sem armas (capítulo LXIV). O vencedor é Sansão Carrasco, que quer curá-lo (capítulo LXV). Na volta, o fidalgo põe a derrota na conta da desdita (capítulo LXVI) e propõe virar pastor (capítulo LXVII); os porcos o pisam (capítulo LXVIII), os duques encenam o funeral de Altisidora, de cuja ressurreição Sancho paga as tapas e os beliscões (capítulo LXIX), e ela conta o inferno que viu (capítulo LXX). Seguem os açoites nas árvores (capítulo LXXI) e dom Álvaro Tarfe, que depõe diante de um alcaide (capítulo LXXII). Na aldeia, os agouros (capítulo LXXIII), a febre, o juízo que volta, o testamento e a morte de Alonso Quijano fecham o livro (capítulo LXXIV).