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Dom Quixote · Segunda Parte

Ricote, Roque e Barcelona

Resumo da parte

Na volta do governo, Sancho Pança encontra na estrada o vizinho Ricote, mourisco expulso da Espanha e disfarçado de peregrino, e a partir daí o volume toma o rumo de Barcelona, passando pelo duelo desfeito de Tosilos, pela despedida dos duques e pelo elogio da liberdade. Numa estalagem, Dom Quixote ouve pela primeira vez, dentro do livro, o Quixote falso de Avellaneda, e muda de rumo para desmenti-lo: o bandoleiro Roque Guinart o recebe entre ladrões que repartem o roubo com rigor, e Barcelona o aclama como o verdadeiro até a tipografia, onde o livro rival está sendo composto.

Capítulo LIV: Ricote na estrada

Resumo do capítulo

Os duques resolvem que o desafio de Dom Quixote ao vassalo deles siga adiante. O rapaz que prometera casamento à filha de dona Rodríguez fugiu para Flandres, para não ter a aia por sogra, e então põem no lugar dele um lacaio gascão chamado Tosilos, instruído de antemão em tudo o que há de fazer. Dois dias depois o duque avisa o fidalgo de que em quatro o adversário se apresentará no campo, armado de cavaleiro, e sustentará que a donzela mente pela metade da barba, e até pela barba inteira, se afirmarem que ele lhe deu palavra de casamento. Dom Quixote se alegra, promete a si mesmo fazer maravilhas e conta os dias com tanta ânsia que os quatro lhe parecem quatrocentos séculos. O narrador os deixa passar e vai ao encontro de Sancho Pança, que volta montado no ruço à procura do amo, cuja companhia lhe agrada mais que governar todas as ínsulas do mundo. Nunca chegou a averiguar, diz o texto, se o que governava era ínsula, cidade, vila ou lugar.

Análise

Pouco adiante da ínsula, seis peregrinos estrangeiros com seus bordões, dos que pedem esmola cantando, cercam-no em fila e entoam numa língua que ele não entende, salvo a palavra "esmola". Sancho, que segundo Cide Hamete Benengeli era caridoso além do comum, lhes dá meio pão e meio queijo e explica por sinais que não tem mais; eles pedem "guelte" (dinheiro, em alemão), e ele, pondo o polegar na garganta e a mão no alto, mostra que não tem um tostão. Quando passa, um deles o abraça e o chama pelo nome em castelhano claro: é Ricote, o mourisco, antigo vizinho e lojista do povoado, irreconhecível naquele traje. Sancho lhe pergunta como ousa voltar a uma Espanha onde, se o pegarem, terá má sorte, e o outro responde que ninguém o conhecerá se Sancho não o denunciar. Vão com os companheiros a um álamo fora do caminho real, e os peregrinos, rapazes de boa estampa, armam o banquete: pão, sal, nozes, queijo, ossos de presunto, caviar, azeitonas secas e seis botas de vinho, uma para cada, a de Ricote tão grande quanto as cinco. Sancho, pelo refrão de quem vai a Roma, empina a dele como os outros, e entre brindes de "espanhol e tudesco, tudo um" esquece o governo; quando o vinho acaba o sono derruba todos, menos Ricote e Sancho, que comeram mais e beberam menos. Sentam-se ao pé de uma faia e Ricote conta, em castelhano puro, o que lhe aconteceu depois da expulsão. O decreto de Sua Majestade o aterrorizou, e ele decidiu sair sozinho, antes de a pressa tomar os demais, para achar onde alojar a família. Ele diz que viu, como viram os mais velhos, que os pregões eram leis e não ameaças, e que a razão para crer nisso era conhecer os intentos ruins dos seus:

me parece que fue inspiración divina la que movió a Su Majestad a poner en efecto tan gallarda resolución, no porque todos fuésemos culpados, que algunos había cristianos firmes y verdaderos; pero eran tan pocos que no se podían oponer a los que no lo eran, y no era bien criar la sierpe en el seno, teniendo los enemigos dentro de casa. Finalmente, con justa razón fuimos castigados con la pena del destierro, blanda y suave al parecer de algunos, pero al nuestro, la más terrible que se nos podía dar, me parece que foi inspiração divina a que moveu Sua Majestade a pôr em efeito tão galharda resolução, não porque todos fôssemos culpados, que alguns havia cristãos firmes e verdadeiros; mas eram tão poucos que não podiam se opor aos que não o eram, e não era bom criar a serpente no seio, tendo os inimigos dentro de casa. Finalmente, com justa razão fomos castigados com a pena do desterro, branda e suave ao parecer de alguns, mas ao nosso a mais terrível que se nos podia dar.

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Capítulo LV: Sancho no fosso

Resumo do capítulo

A demora com Ricote impede Sancho Pança de chegar ao castelo naquele dia: a meia légua dele, a noite o apanha, e como é verão ele sai do caminho para esperar a manhã. Procurando onde se acomodar, cai com o ruço num fosso fundo e escuríssimo, entre edifícios antiquíssimos, e, enquanto cai, se encomenda a Deus de todo o coração, crendo que não pararia antes do fundo dos abismos. O ruço dá fundo a pouco mais de três estados, e ele se acha em cima do animal sem ferida nenhuma; apalpa o corpo todo e, vendo-se "bom, inteiro e católico de saúde", agradece sem se fartar. As paredes são lisas e sem onde pegar, e o ruço se queixa terna e dolorosamente. Então Sancho se lamenta em voz alta:

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Capítulo LVI: O duelo com Tosilos

Resumo do capítulo

Os duques não se arrependem da burla do governo, e naquele mesmo dia o mordomo lhes conta, quase palavra por palavra, o que Sancho Pança disse e fez em Barataria, e encarece o assalto à ínsula e o medo do escudeiro. Chega então o dia da batalha aprazada. O duque instrui várias vezes o lacaio Tosilos sobre como vencer Dom Quixote sem matá-lo nem feri-lo e manda tirar os ferros das lanças, alegando à frente do fidalgo que a cristandade de que se preza não permite tanto risco de vidas e que dá campo franco em suas terras, embora o duelo vá contra o decreto do Santo Concílio, que proíbe desafios. Dom Quixote responde que Sua Excelência disponha como quiser. Diante do castelo se arma um cadafalso para os juízes do campo e para as aias, mãe e filha, demandantes, e acorre gente de todas as aldeias em redor. O mestre de cerimônias percorre o campo para ver que não haja engano; as aias se sentam cobertas de mantos até os olhos; Tosilos aparece sobre um poderoso cavalo frisão de cor tordilha, de armas fortes e reluzentes, com uma arroba de lã pendurada em cada pata, calada a viseira. O trato é que, se dom Quixote vencer, o adversário se casa com a filha de dona Rodríguez, e se for vencido, o outro fica livre da palavra, sem outra satisfação. Soam tambores e trombetas, e o fidalgo, encomendado a Deus e à senhora Dulcineia, aguarda o sinal. Mas o lacaio, ao passar diante das aias, se detém a olhar a que o pede por esposo e a acha a mais formosa que viu em toda a vida: o Amor, que "é invisível, e entra e sai por onde quer, sem que ninguém lhe peça contas dos seus feitos", lhe crava uma flecha de duas varas que lhe atravessa o coração. Quando dão o sinal, ele está transportado e não atende à trombeta.

Dom Quixote arremete com Rocinante, Sancho grita que Deus lhe dê a vitória, "pois levas a razão do teu lado", e Tosilos não sai do lugar. Em vez de se bater, chama o mestre de campo e pergunta se a batalha se faz para ver se ele se casa ou não com aquela senhora, e, ouvindo que sim, declara que é temeroso de sua consciência e que se dá por vencido e quer se casar logo. Até o mestre de campo, que sabia do plano, fica sem resposta; o duque, sem saber a causa, fica suspenso e colérico. Tosilos vai a dona Rodríguez e diz que quer se casar com a filha, e que não quer conseguir por pleitos o que pode conseguir por paz e sem perigo de morte.

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Capítulo LVII: A despedida dos duques

Resumo do capítulo

Dom Quixote decide que é hora de sair de tanta ociosidade: imagina que faz grande falta ao mundo enquanto fica encerrado e preguiçoso entre os regalos que aqueles senhores lhe dão como a cavaleiro andante, e que terá de prestar contas ao céu desse encerramento. Pede licença aos duques, que a dão com mostras de pesar. A duquesa entrega a Sancho Pança as cartas da mulher, Teresa Pança, e ele chora lendo-as, pensando em quão grandes eram as esperanças que as notícias do governo tinham posto no peito de Teresa e como todas pararam em ele voltar às arrastadas aventuras do amo. Consola-se, porém, com as bolotas que ela mandou à duquesa, que nem se podem chamar suborno, porque ele já tinha o governo quando ela as enviou, e porque os que recebem benefícios devem mostrar-se agradecidos. E repete consigo a conta que fez diante dos duques: entrou nu no governo e sai nu, e poderá dizer com segura consciência: "Nu nasci, nu me acho: nem perco, nem ganho". Dom Quixote ainda não sabe de um detalhe: o mordomo do duque, o mesmo que fez a Trifaldi, deu a Sancho uma bolsa com duzentos escudos de ouro para as despesas do caminho.

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Capítulo LVIII: Liberdade, santos e Arcádia

Resumo do capítulo

Na campina rasa, livre das requebras de Altisidora, Dom Quixote sente-se no seu centro e os espíritos se renovam para o assunto das cavalarias. Volta-se a Sancho Pança e fala da liberdade, a propósito do castelo que deixaram:

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Capítulo LIX: A estalagem e o Quixote apócrifo

Resumo do capítulo

Depois dos touros, uma fonte limpa entre um arvoredo fresco acolhe Dom Quixote e Sancho Pança, que soltam o ruço e Rocinante e se sentam à beira da água. O fidalgo não come, de puro pesaroso; Sancho, que esperava que o amo fizesse a salva, vendo que ele não se lembra de levar o pão à boca, atropela a criação e começa a embaular o que tem. Dom Quixote o manda comer, que a vida lhe importa mais que a ele, e deixá-lo morrer às mãos dos pensamentos: nasceu para viver morrendo, e Sancho para morrer comendo. Considera-se impresso em histórias, famoso nas armas, respeitado de príncipes, solicitado de donzelas, e quando esperava palmas e coroas viu-se de manhã pisado e escoiceado por animais imundos; quer deixar-se morrer de fome, "morte a mais cruel das mortes". Sancho responde com o refrão de que quem morre, morre farto, e diz que ele pensa tirar a vida comendo, como o sapateiro que estira o couro com os dentes, até chegar ao fim que o céu lhe determinou; não há loucura maior que a de querer desesperar-se. O fidalgo acha as razões mais de filósofo que de mentecapto, e, depois de comer, pede ao escudeiro um favor: que, enquanto ele dorme, se afaste e se dê, com as rédeas de Rocinante, trezentos ou quatrocentos açoites por conta dos três mil e tantos que deve pelo desencanto de Dulcineia del Toboso, que é pena que a pobre senhora esteja encantada por descuido dele. Sancho responde que há muito a dizer: durmam por ora, e depois Deus dirá. Açoitar-se a sangue frio é coisa dura, mais em corpo mal sustentado e pior comido; que a senhora Dulcineia tenha paciência, que quando menos se cuidar o verá feito peneira de açoites, e "até a morte, tudo é vida". Dormem os dois, deixando Rocinante e o ruço a pastar à vontade.

Acordam tarde e seguem para uma estalagem que se divisa a uma légua. Dom Quixote a chama de estalagem, fora do costume de chamar castelo a todas, e Sancho agradece ao céu. O estalajadeiro oferece tudo que o ar, a terra e o mar produzem, e a lista vai desmentindo-se: não tem frangos, que os milhafres assolaram, nem franguinhas, que mandou vender, nem vitela nem cabrito; o que tem "real e verdadeiramente" são duas unhas de vaca que parecem mãos de vitela, ou duas mãos de vitela que parecem unhas de vaca, cozidas com grão-de-bico, cebola e toucinho, e que estão dizendo "come-me, come-me". Sancho as marca por suas. Para o estalajadeiro, os outros hóspedes são "de puro principais" e trazem cozinheiro e despensa; Sancho responde que ninguém mais principal que seu amo, mas que o ofício dele não permite despensas e que se fartam de bolotas e nêsperas num prado. Esta foi a conversa, sem Sancho querer passar adiante quando o homem lhe perguntou que ofício era o do amo.

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Capítulo LX: Roque Guinart, o bandoleiro

Resumo do capítulo

Dom Quixote sai da estalagem pelo caminho mais direto para Barcelona sem tocar em Saragoça, tal o desejo de desmentir o novo historiador. Passam-se mais de seis dias sem nada digno de escrita, e a noite os apanha fora do caminho, entre carvalhos e sobreiros. Sancho Pança, que merendou, adormece de rompante; o fidalgo, a quem as imaginações desvelam mais que a fome, vai e vem em pensamento pela gruta de Montesinos, pela Dulcineia del Toboso convertida em lavradora, pelas palavras de Merlim sobre o desencanto. Desespera-se com a frouxidão e a pouca caridade do escudeiro, que, a seu ver, se deu só cinco açoites, número desigual e pequeno diante dos que faltam, e discorre assim:

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Capítulo LXI: A entrada em Barcelona

Resumo do capítulo

Dom Quixote passa três dias e três noites com Roque Guinart e, se passasse trezentos anos, não lhe faltaria o que ver e admirar naquele modo de vida: ali amanhecem, acolá comem, ora fogem sem saber de quem, ora esperam sem saber a quem, dormem em pé e interrompem o sono, mudam-se de um lugar a outro, sempre com espias postos, sentinelas escutando e cordas de arcabuz assopradas, embora quase todos se sirvam de pedreñales.

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Capítulo LXII: A cabeça encantada e a tipografia

Resumo do capítulo

O anfitrião de Dom Quixote se chama dom Antônio Moreno, cavaleiro rico e discreto, amigo de se divertir de modo honesto e afável. Procura meios de pôr à vista as loucuras do hóspede sem prejuízo dele, porque, diz o narrador, não são burlas as que doem, nem há passatempo que valha se é em dano de terceiro. Faz desarmá-lo e o põe, no seu apertado traje de camurça, a uma sacada sobre uma das ruas principais, à vista da gente e dos meninos, que o olham como a um macaco; correm de novo diante dele os cavaleiros de librés, como se os tivessem posto só para ele. Sancho Pança, contentíssimo, julga ter achado, sem saber como, outras bodas de Camacho, outra casa como a de dom Diego de Miranda e outro castelo como o do duque. À mesa, com amigos de dom Antônio, tratam o fidalgo como cavaleiro andante, e ele, empolado, não cabe em si de contente. Dom Antônio provoca Sancho: ouviu dizer que é tão amigo de manjar branco e de almôndegas que, se sobram, as guarda no peito para o dia seguinte. Sancho nega, que tem mais de limpo que de guloso, e dom Quixote o louva, a ponto de dizer que em seu governo aprendeu a comer com garfo as uvas e até os bagos da romã. Sancho conta o governo de Barataria em poucas palavras e dom Quixote o conta por miúdo, com gosto dos ouvintes.

Levantadas as toalhas, dom Antônio leva dom Quixote a um aposento à parte, onde não há mais adorno que uma mesa de jaspe sobre um pé do mesmo, e sobre ela, à maneira das cabeças dos imperadores romanos, uma de bronze. Pede segredo, e o fidalgo jura e diz que tem ouvidos para ouvir e não língua para falar. Dom Antônio explica que a cabeça foi feita por um dos maiores encantadores do mundo, polonês, discípulo de Escotilho, por mil escudos, e que tem a propriedade de responder ao ouvido a quanto lhe perguntarem; só que às sextas está muda, e como o dia é sexta, terão de esperar até amanhã. À tarde passeiam o fidalgo, não armado mas de rua, num balandrau de pano leonado que faria suar o gelo, em cima de um grande macho de passo manso, e às costas, sem que ele veja, lhe costuram um pergaminho com letras grandes: "Este é dom Quixote de la Mancha". Mandam entreter Sancho dentro de casa, para que não saia. Os que leem o letreiro o nomeiam, e dom Quixote se admira de ser conhecido de todos, até dos meninos que nunca o viram, e diz que é grande a prerrogativa da andante cavalaria, que torna conhecido e famoso quem a professa em todos os termos da terra. Dom Antônio responde que o fogo não pode estar escondido e a virtude não pode deixar de ser conhecida. Um castelhano lê o letreiro e grita, em desabafo, como é que ele chegou até ali sem que o matassem os infinitos paus que tem às costas: é louco, e se o fosse a sós e dentro das portas de sua loucura seria menos mal, mas tem a propriedade de tornar loucos e mentecaptos quantos o tratam; que volte para casa e olhe sua fazenda, sua mulher e seus filhos. Dom Antônio o manda seguir caminho e não dar conselhos a quem não os pede, que o senhor dom Quixote é muito cordato; o castelhano responde que aconselhar o bom homem é dar coices contra o aguilhão, mas lhe dá grande pena que o bom engenho que dizem que tem em tudo se lhe esgote pelo canal da andante cavalaria, e jura não dar mais conselho a ninguém, ainda que viva mais que Matusalém. Os meninos e a gente leem o letreiro com tanta pressa que dom Antônio é obrigado a tirá-lo, como quem tira outra coisa.

À noite, baile em casa: a mulher de dom Antônio, senhora principal e alegre, convida amigas a honrar o hóspede e a gostar de suas nunca vistas loucuras. Duas delas, de gosto brincalhão, o tiram para dançar com tanta insistência que o moem "não só o corpo, mas a alma". Requebrado como às escondidas, ele as desdenha também às escondidas, e, apertado pelos requebros, levanta a voz e grita "Fugite, partes adversae!": que o deixem em seu sossego, pensamentos mal vindos, e que as senhoras se avenham com seus desejos, porque a que é rainha dos seus, a sem-par Dulcineia del Toboso, não consente que outros que os dela o avassalem e rendam. Senta-se no meio da sala, no chão, moído do exercício, e dom Antônio o manda levar em peso à cama. O primeiro que o segura é Sancho, que o repreende: pensa que todos os valentes são dançarinos e todos os andantes bailarinos? Há quem se atreva a matar um gigante antes que a fazer uma cabriola, e se fosse de zapatear ele supriria a falta do amo, que zapateia como um gerifalte, mas em matéria de dançar não dá ponto. Com essas razões faz rir os do baile e põe o amo na cama, agasalhado para que sue a frialdade da dança.

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