Resumo da parte
Na serra, o fidalgo inventa um desespero que não tem motivo e o executa por método, e o resto da gente que o cerca responde com ficções suas: a visita que Sancho nunca fez, a princesa que o padre apresenta, a profecia que Doroteia compõe pelo estilo dos livros. Cada um mente por uma razão que o capítulo mostra, e é a loucura de dom Quixote que torna a mentira eficaz. Entre uma e outra, as histórias de Cardênio e de Doroteia põem em cena a traição de dom Fernando, a que nenhuma ficção alcança.
Capítulo XXV: A penitência de Beltenebros e a Dulcineia de Aldonza
Resumo do capítulo
Dom Quixote se despede do cabreiro e entra pelo mais áspero da serra, com Sancho Pança atrás, de muito má vontade. O escudeiro, a quem o amo proibiu de falar, não aguenta tanto silêncio e pede licença para voltar à mulher e aos filhos: seguir o amo por ermos, de dia e de noite, sem poder dizer o que tem no coração, é enterrar-se em vida, e andar buscando aventuras para achar só coices, manteamentos, pedradas e murros não se leva em paciência. O fidalgo levanta a proibição, mas só enquanto andarem pela serra. Sancho a usa de imediato para perguntar o que o amo ganhou em defender a rainha Madásima contra Cardênio, e o fidalgo responde que o cavaleiro andante está obrigado, contra sãos e contra loucos, a defender a honra das mulheres, e que o louco, quando falou do mestre Elisabat, já estava sem juízo. Quando Sancho começa a ensartar provérbios, o amo o manda calar e diz por que vieram: não só para achar o louco, mas para fazer ali uma façanha que lhe dará fama perpétua e que depende da diligência do escudeiro. Só então a explica, com o argumento de que o pintor que quer fama imita os melhores originais, e de que Homero pintou Ulisses e Virgílio, Eneias, não como foram, mas como deviam ser:
Análise
Amadís fue el norte, el lucero, el sol de los valientes y enamorados caballeros, a quien debemos de imitar todos aquellos que debajo de la bandera de amor y de la caballería militamos
, Amadís foi o norte, a estrela, o sol dos cavaleiros valentes e enamorados, a quem devemos imitar todos os que militamos sob a bandeira do amor e da cavalaria.
O fidalgo trata Amadís como original a copiar, no mesmo sentido em que o pintor copia o mestre, e por isso a imitação não lhe parece desvario, e sim método. Escolhe a penitência da Penha Pobre porque lhe é mais fácil do que fender gigantes ou desfazer encantamentos, e o diz com o ar de quem sabe o que faz.
Assinatura
A análise completa de cada parte de Dom Quixote está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo XXVI: Versos na serra e o recado que Sancho não leva
Resumo do capítulo
Sozinho, Dom Quixote sobe a um penhasco e pensa de novo no que nunca resolvera: se lhe convém mais imitar Orlando nas loucuras desaforadas ou Amadís nas melancólicas. Orlando era encantado e só se mataria com um alfinete na planta do pé, e perdeu o juízo pelos sinais que achou na fonte e pela notícia do pastor de que Angélica dormira mais de duas sestas com Medoro, mas ele não tem motivo igual:
Análise
Capítulo XXVII: Os disfarces do padre e a história completa de Cardênio
Resumo do capítulo
O barbeiro aprova a invenção do padre e eles a põem em obra na estalagem. A estalajadeira empresta saia e toucas, em penhor de uma batina nova do padre; o barbeiro faz uma barba comprida de uma cauda ruça ou ruiva de boi; e o casal, ao saber que o louco da serra é o hóspede do bálsamo e o amo do escudeiro manteado, conta ao padre tudo o que se passara, sem calar o que Sancho calava. Mal saem, o padre repara que fica mal a um sacerdote vestir-se assim, mesmo por boa causa, e propõe trocar os papéis: o barbeiro será a donzela e ele, o escudeiro, de modo que se profane menos a sua dignidade; e, se o outro recusar, ele não passa adiante, ainda que levem o diabo a dom Quixote. O barbeiro cede. No caminho, Sancho Pança os guia e conta o que lhe aconteceu com o louco da serra, encobrindo o achado da maleta, porque o moço, ainda que tonto, era um pouco cobiçoso. Chegam às ramas que ele deixara de sinal, e Sancho vai adiante procurar o amo, com a resposta de Dulcineia, que bastaria para tirá-lo dali, enquanto os outros dois o esperam à sombra de uma ravina.
Análise
Capítulo XXVIII: Doroteia na serra
Resumo do capítulo
O narrador abre o capítulo louvando os tempos felizes em que nasceu dom Quixote, graças a quem se goza também dos contos e episódios que a história traz. A voz que suspendera o padre é a de um moço vestido de lavrador que lava os pés no arroio, com um lamento: já achou lugar para sepultura do corpo, que sustenta contra a vontade. Os três o rodeiam em silêncio, e, quando o moço tira o gorro e sacode a cabeça, caem cabelos louros que o cobrem todo, e se vê que é uma mulher, de beleza tal que Cardênio diz ao padre, em voz baixa, que, se não é Luscinda, não é pessoa humana, mas divina. Ao ver os homens, ela foge, mas os pés delicados não aguentam as pedras e cai. O padre a detém, lhe diz que o traje se desmente pelo cabelo e oferece ajuda para o que for, e ela, depois de um suspiro, responde que seria em vão fingir de novo e que, para a honra não ficar vacilando na opinião deles, contará o que quisera calar. É Doroteia, filha de lavradores ricos, vassalos de um duque da Andaluzia, cristãos velhos sem mistura, que a criaram como o espelho em que se olhavam e a fizeram mordoma de toda a fazenda. Dom Fernando, filho menor do duque, se prende a ela por um só olhar; ele suborna a gente da casa, escreve bilhetes cheios de promessas, e os pais lhe dizem que a desigualdade mostra que ele busca seu gosto e não o proveito dela. Ao saber que os pais a querem casar, ele entra uma noite em seu aposento, onde ela, turbada, não tem voz para gritar nem força para defender-se, e ele a toma nos braços com razões tais que ela não entende como a mentira pode parecer tão verdadeira. Passado o sobressalto, ela responde:
Análise
Capítulo XXIX: A princesa Micomicona
Resumo do capítulo
Doroteia termina a história e pede conselho: onde viver sem temer ser achada, pois a vergonha de se mostrar aos pais de outro modo que eles esperavam a faz preferir o desterro. Cardênio toma a palavra antes do padre, diz que ela é a filha única do rico Clenardo e se revela o desditoso a quem Luscinda disse ser esposa. Conta por que foi embora, sem saber o que o desmaio e o papel tinham dito, e propõe uma esperança: como Luscinda não pode casar com dom Fernando por ser dele, nem dom Fernando com ela por ser dela, o céu pode ainda restituir a cada um o que é seu. Então ele jura:
Análise
Capítulo XXX: A profecia de Tinacrio e a briga por Dulcineia
Resumo do capítulo
Mal o padre acaba de contar o roubo dos galeotes, Sancho Pança diz que quem os soltou foi o amo, que ele avisara de que era pecado dar-lhes liberdade, porque iam todos por grandíssimos velhacos. Dom Quixote o chama de majadero e responde que aos cavaleiros andantes não cabe averiguar a culpa dos que encontram encadeados:
Análise
Capítulo XXXI: A visita que Sancho inventa e o reaparecimento de Andrés
Resumo do capítulo
A sós com o escudeiro, Dom Quixote quer saber tudo da embaixada a Dulcineia del Toboso. Sancho Pança não levou carta alguma, como confessou ao amo no fim do capítulo anterior, e inventa as respostas a cada pergunta, sem hesitar; o fidalgo toma o que escuta e o transforma em seu favor:
Análise
Leitura da parte
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