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Inferno · Cantos XVIII a XXII

As cinco primeiras valas

Resumo dos cantos

Depois de Gerião, o poema entra em Malebolge, dez valas de pedra escura em torno de um poço. Aqui se pune a fraude que rompe só o vínculo natural de amor entre as pessoas (é a distinção do canto XI), e cada vala dá a esse engano uma forma física: o corpo vendido e o corpo seduzido, a palavra adocicada, o sagrado em leilão, o futuro roubado, o cargo público comprado. O castigo repete o pecado do lado de dentro. Açoites para quem tratou outros como mercadoria, esterco para a boca que lisonjeou, buracos de cabeça para baixo e plantas em chamas para quem trocou o sagrado por ouro, pescoço torcido para quem quis ver o que não lhe cabia, piche que gruda para quem vendeu o que era de todos. O tom muda de canto a canto: nojo no XVIII, invectiva no XIX, lágrimas repreendidas no XX, farsa nos dois últimos. Por trás da mudança há uma pergunta única, a de quanto vale a palavra, o ofício, o sagrado e o futuro quando se pode vendê-los. O poema responde com um humor que não alivia: os diabos do fim são risíveis e têm ganchos de verdade, e quem ri deles aprende, como Dante, a não baixar a guarda.

Canto XVIII: Alcoviteiros e aduladores

Resumo do canto

Gerião os deixa na base de uma ribanceira alta de pedra cor de ferro, e Virgílio toma à esquerda, com Dante atrás. Diante deles abre-se Malebolge, o oitavo círculo: um campo de pedra escura cortado em dez valas concêntricas, que o poeta compara aos fossos em volta de um castelo, com pontes de rocha que saem do pé do penhasco, atravessam as valas e vão dar num poço largo no centro. Na primeira vala, nus, os pecadores andam em duas filas de sentidos opostos, açoitados por demônios cornudos; Dante compara o movimento ao do povo de Roma no ano do jubileu, que se dividiu na ponte para ir a São Pedro de um lado e ao monte do outro. Um dos açoitados baixa o rosto para não ser visto, mas Dante o reconheceu e para, e Virgílio o deixa recuar. Dante o chama pelo nome: Venedico Caccianemico, de Bolonha. Ele responde a contragosto, obrigado pela fala clara de Dante, que o faz lembrar o mundo, e confessa que foi quem levou Ghisolabella (irmã dele, segundo a tradição) a fazer a vontade do marquês:

Análise

I’ fui colui che la Ghisolabella / condussi a far la voglia del marchese, / come che suoni la sconcia novella., fui eu quem levou Ghisolabella a fazer a vontade do marquês, por mais indecente que soe a história.

Venedico esconde o rosto e só fala porque a fala clara de Dante o obriga, mas, depois de confessar, não se encolhe: espalha a culpa pela cidade, dizendo que a vala está cheia de bolonheses e que o "avaro seno" de Bolonha é a prova. Ele não nega ter entregue Ghisolabella; quer deixar de ser o único a carregar o fato. O texto sustenta também a leitura contrária: quem sabe que a história já é pública fala dela sem pudor.

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Canto XIX: Os simoníacos

Resumo do canto

O canto abre sem cena, com uma apóstrofe de Dante a Simão Mago e a seus seguidores, que adulteram por ouro e prata o que pertence a Deus; a trombeta soa para eles porque estão na terceira vala:

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Canto XX: Os adivinhos

Resumo do canto

O canto abre dizendo que a pena é nova e pede versos novos. Do alto, Dante vê vir pelo vale redondo gente calada e chorando, no passo das ladainhas deste mundo, e, quando o olhar desce, vê que cada um tem o rosto torcido entre o queixo e o começo do peito, virado para as costas: andam de costas, porque lhes foi tirado o ver adiante. O poeta interrompe a narração e pede ao leitor que pense por si como ele poderia ter os olhos secos ao ver a imagem humana tão torta que o pranto dos olhos molhava as nádegas pela fenda. Dante chora, apoiado numa pedra da ponte, e Virgílio o repreende:

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Canto XXI: Os demônios e o piche

Resumo do canto

O canto abre com o poeta dizendo, de passagem, o que o poema deixa de fora do que os dois conversavam ao andar de ponte em ponte:

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Canto XXII: O navarrês e a briga dos demônios

Resumo do canto

O canto abre com Dante lembrando os sinais de guerra que já viu (trombetas, sinos, tambores, sinais de castelo) e dizendo que nunca viu cavaleiros ou naus se moverem por gaita tão estranha. Eles andam com os dez demônios:

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Leitura do bloco de cantos

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