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Inferno · Cantos XXIII a XXVI

Hipócritas, ladrões e Ulisses

Resumo dos cantos

Nestes quatro cantos o Inferno tira a máscara dos castigos. Os hipócritas andam sob capas douradas por fora e de chumbo por dentro, os ladrões perdem o corpo que era deles, que passa a circular de um para outro entre serpentes, e os conselheiros fraudulentos ardem cada um dentro da própria chama, de modo que nenhuma deixa ver o pecador que guarda. Em cada vala o que se esconde, se rouba ou se embrulha vira a pena. O ritmo do poema muda com a matéria: o canto XXIII ainda é fuga e farsa, herdada da escolta dos demônios, mas termina com Virgílio desmentido por um frade; o XXIV é subida e cansaço, e leva à vergonha de Vanni Fucci; o XXV é o canto em que Dante desafia Lucano e Ovídio; o XXVI abre e fecha com o próprio poeta, que freia o engenho antes de ouvir o mais engenhoso dos condenados. O fio que une os quatro é a relação entre o que se mostra e o que se faz com o que se tem: aparência, posse, inteligência. A pergunta que o último canto deixa, sem responder, é se a viagem de Ulisses foi pecado, castigo ou as duas coisas, e o que ela diz sobre o poema que a conta.

Canto XXIII: Os hipócritas de capa de chumbo

Resumo do canto

Calados, sozinhos e sem companhia, Dante e Virgílio andam um à frente do outro como frades menores. Dante pensa na fábula de Esopo da rã e do rato por causa da briga que viu, e um pensamento nasce de outro e dobra o medo: os demônios foram escarnecidos por eles e, com a ira somada à má vontade, virão mais cruéis do que o cão sobre a lebre. Os cabelos se arrepiam e Dante pede ao mestre que os esconda. Virgílio responde que leu o pensamento, com o mesmo gesto e o mesmo rosto que os dele, e que se a ribanceira à direita for inclinada o bastante para descerem à outra vala, fugirão da caça imaginada. Ainda falava, e Dante vê os diabos de asas abertas, vindo para pegá-los:

Análise

Lo duca mio di sùbito mi prese, / come la madre ch’al romore è desta / e vede presso a sé le fiamme accese, / che prende il figlio e fugge e non s’arresta, / avendo più di lui che di sé cura, / tanto che solo una camiscia vesta, o meu guia me pegou de súbito, como a mãe que ao ruído acorda e vê as chamas acesas perto de si, que pega o filho e foge sem parar, tendo mais cuidado dele que de si, a ponto de vestir só uma camisa.

Virgílio não pondera nem discute: age antes de a ameaça chegar, e o poema o compara a uma mãe que salva o filho do fogo e se esquece de si. O mestre que repreendeu o choro de Dante no canto XX aparece aqui como quem cuida, e o fecho da cena diz o que ele é para Dante: leva-o ao peito como filho, não como companheiro. A dependência é descrita sem vergonha.

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Canto XXIV: Vanni Fucci e as serpentes

Resumo do canto

O canto abre com uma comparação: no começo do ano, quando a geada imita por pouco tempo a neve, o camponês que vê o campo branco bate na coxa, lamenta-se sem saber o que fazer, depois volta, vê o mundo mudado em pouco tempo, pega o cajado e leva as ovelhas a pastar. É o que Dante sente ao ver Virgílio de cenho turvo no fim do canto anterior e, ao chegarem à ponte quebrada, de novo com o olhar doce que ele conheceu ao pé do monte. Virgílio abre os braços depois de examinar a ruína e o levanta, escolhendo a pedra seguinte antes de subir. Não é caminho para quem veste capa: ele leve, Dante empurrado, sobem de pedra em pedra, e a encosta é mais curta deste lado, ou Dante teria sido vencido. No alto, sem fôlego, ele se senta, e o mestre o chama de volta:

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Canto XXV: As metamorfoses dos ladrões

Resumo do canto

Ao fim das palavras, o ladrão Vanni Fucci ergue as mãos com as duas figas e grita contra Deus, e o canto segue com Caco e com os ladrões que trocam de natureza com as serpentes:

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Canto XXVI: Ulisses e a última viagem

Resumo do canto

O canto abre com uma invectiva: goza, Florença, pois és tão grande que bates as asas por mar e por terra e teu nome se espalha pelo inferno. Dante achou entre os ladrões cinco florentinos, o que lhe traz vergonha, e a cidade não ganha honra com isso; se perto da manhã se sonha o verdadeiro, ela logo sentirá o que Prato, e outros, desejam contra ela, e se já fosse não seria cedo: seja logo, já que tem de ser, porque pesará mais quanto mais ele envelhecer. Sobre o lugar dessa invectiva no poema, Carpeaux acrescenta:

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Leitura do bloco de cantos

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