Inferno
Personagens
Dante, o peregrino
Dante, o peregrino, é o personagem que faz a viagem: o homem que, no meio do caminho da vida, se vê numa selva escura sem saber dizer como entrou, e que atravessa o Inferno inteiro atrás de Virgílio até rever as estrelas no canto XXXIV do Inferno. Quem conta...
Virgílio
Virgílio é a sombra do poeta de Mântua, autor da Eneida, e aparece a Dante ao pé do monte, no canto I do Inferno, com a voz fraca de quem calou por muito tempo. Apresenta-se pelo que já não é (diz que homem já foi), pela terra dos pais, pelo tempo em que...
Francesca da Rimini
Francesca é a primeira condenada a quem o poema deixa contar a própria história, e a conta no segundo círculo, o dos luxuriosos, arrastados por uma ventania que nunca para. Chega ao chamado de Dante com outro espírito, que não fala e chora o tempo todo, como...
Farinata degli Uberti
Farinata é o chefe dos gibelinos de Florença, o partido que se opôs ao de Dante, e é nomeado por Virgílio ao apontá-lo no túmulo do sexto círculo, o dos hereges. Fala a Dante no canto X do Inferno de dentro de uma arca de tampa erguida, de pé da cintura para...
Brunetto Latini
Brunetto Latini é o mestre florentino que Dante encontra no terceiro giro do sétimo círculo, a charneca de areia ardente onde cai a chuva de fogo, e a quem o poema deixa o título que lhe cabia em vida, ser. Agarra o peregrino pela barra da veste, grita que...
Pier delle Vigne
Pier delle Vigne é a voz do tronco que grita quando Dante quebra um raminho no bosque dos suicidas, o segundo giro do sétimo círculo. O poema não diz o nome: o espírito se apresenta como aquele que tinha as duas chaves do coração de Frederico, e abria e...
Ulisses
Ulisses é o herói grego que Dante encontra na oitava vala do oitavo círculo, a dos conselheiros fraudulentos, dentro de uma chama de ponta dividida que ele compartilha com Diomedes. Cada condenado dessa vala arde dentro de uma chama que o esconde, e Ulisses...
Guido da Montefeltro
Guido da Montefeltro é o conselheiro que fala de dentro de uma chama, na mesma oitava vala em que arde Ulisses, e a fala dele chega primeiro como ruído confuso, como o do touro de bronze que mugiu com o pranto do próprio inventor. É um homem de armas que...
Ugolino
O conde Ugolino é o condenado que Dante vê no fim do canto XXXII do Inferno, no gelo da Antenora, dois num só buraco, de modo que a cabeça de um é o capelo do outro: o de cima rói o crânio do de baixo como o pão se mastiga com fome. Ao fim do canto, Dante lhe...
Lúcifer
Lúcifer é o imperador do reino doloroso, preso no gelo do Cocito até a metade do peito, no centro da Terra, onde o poema coloca o ponto para o qual todo peso converge. Quem o apresenta é Virgílio, que o chama de Dite e diz a Dante que ali é preciso armar-se...
Caronte
Caronte é o barqueiro do Aqueronte, o primeiro guardião que Dante enfrenta depois de cruzar a porta do Inferno. O poema o apresenta como um velho de pelo branco de tão antigo, de faces lanosas e olhos cercados de rodas de fogo, que vem em sua barca pelo...
Minos
Minos é o juiz do Inferno. Está à entrada do segundo círculo, rosnando de modo horrível, e ali examina as culpas das almas que chegam, julga e manda cada uma ao círculo que lhe cabe, enrolando a cauda em volta do corpo tantas vezes quantos os graus que quer...
Outros personagens
- O que fez a grande recusa: a sombra que, entre os ignavos do vestíbulo, Dante reconhece como a de quem fez por covardia a grande recusa; o poema não a nomeia, e a tradição a identifica com o papa Celestino V, que renunciou em 1294 (canto III)
- Cérbero: a fera de três gargantas que esfola os gulosos sob a chuva eterna e que Virgílio cala jogando terra nas bocas famintas (canto VI)
- Ciacco: o florentino punido pela gula que prediz a ruína de Florença e resume a causa da discórdia em três palavras, soberba, inveja e avareza (canto VI)
- Pluto: o demônio que guarda o círculo dos avarentos e pródigos, grita uma fórmula que o poema não traduz e cai quando Virgílio o manda calar (canto VII)
- Flégias: o barqueiro do Estige, que leva os poetas de barca pela lama até as portas de Dite (canto VIII)
- Filippo Argenti: o florentino coberto de lama no Estige que estende as mãos à barca, é amaldiçoado por Dante e despedaçado pelos outros condenados (canto VIII)
- Cavalcante dei Cavalcanti: o pai do poeta Guido Cavalcanti, visível só até o queixo no sepulcro dos hereges, que cai de costas ao crer o filho morto; o poema não o nomeia, a tradição sim (canto X)
- Nesso: o centauro que guia os poetas pelo vau do rio de sangue, depois de Quíron mandá-lo (canto XII)
- Capaneu: o rei que atacou Tebas e jaz sob a chuva de fogo, desafiando Júpiter, a quem Virgílio diz que sua própria soberba é o maior castigo (canto XIV)
- Gerião: o monstro de rosto de homem justo e corpo de serpente, imagem da fraude, que leva os poetas na garupa do sétimo ao oitavo círculo (canto XVII)
- Venedico Caccianemico: o bolonhês açoitado na primeira vala de Malebolge por ter levado Ghisolabella ao marquês (canto XVIII)
- Malacoda: o chefe dos Malebranche, os demônios do piche, que manda uma escolta de dez para acompanhar os poetas pela vala (canto XXI)
- Vanni Fucci: o ladrão de Pistoia que roubou uma sacristia, prediz a Dante a derrota dos Brancos para que ele sofra e fecha a fala erguendo as figas contra Deus (canto XXIV, canto XXV)
- Maomé: aberto do queixo ao ventre na vala dos semeadores de discórdia, rasga o peito para mostrar a Dante a ferida e manda recado a fra Dolcino (canto XXVIII)
- Bertran de Born: o senhor de Altaforte que separou pai e filho e carrega a própria cabeça cortada como uma lanterna; é a única voz do poema que diz a palavra contrapasso (canto XXVIII)
- Mestre Adão: o falsário de moedas de ventre inchado pela hidropisia, que troca socos e insultos com Sinon diante de um Dante atento demais (canto XXX)
- Anteu: o gigante que está solto, ergue Virgílio e Dante nas mãos e os põe no fundo do poço, ao pé do gelo (canto XXXI)
- Frei Alberigo: o traidor de hóspedes, na Tolomea, que pede a Dante que lhe tire o gelo dos olhos e a quem Dante promete e não cumpre (canto XXXIII)