Clavis Libri

Inferno · Cantos XIII a XVII

Os violentos

Resumo dos cantos

O sétimo círculo cumpre, giro a giro, o desenho que Virgílio traçou no canto XI: a violência contra o próximo (rio de sangue, no canto anterior), contra si mesmo e os próprios bens (XIII), contra Deus (XIV) e contra a natureza e a arte (XV a XVII). Mas o fio mais forte destes cinco cantos é menos a pena que o pedido. Quase todo condenado que fala pede alguma coisa a Dante e o que pede é lembrança: o tronco que a tradição chama Pier delle Vigne quer que alguém conforte a sua memória do golpe da inveja; o florentino anônimo do bosque pede que lhe juntem as folhas; Brunetto Latini manda recomendar o seu Tesoro; os três cavaleiros de Florença pedem que se fale deles quando Dante voltar a ver as estrelas. Os usurários são o contrário disso, conhecidos só pela bolsa com o brasão. Em quatro dos cinco cantos o assunto é Florença, e quem ouve é um florentino que, no ano da viagem, ainda não foi banido.

Canto XIII: O bosque dos suicidas

Resumo do canto

Antes de Nesso chegar à outra margem, os dois entram num bosque sem trilha, de folhas escuras, galhos retorcidos e espinhos de veneno, onde fazem ninho as Harpias, que expulsaram os troianos das Estrófades com anúncio de desgraça. Virgílio avisa Dante de que estão no segundo giro e de que vai ver coisas que tirariam a fé do seu discurso. Dante ouve lamentos de toda parte e não vê ninguém, e Virgílio lhe manda quebrar um raminho de um espinheiro, para que o pensamento se desfaça.

Análise

Dante colhe um ramo de um grande espinheiro, e o tronco grita. Escurecido de sangue, recomeça:

ricominciò a dir: «Perché mi scerpi? / non hai tu spirto di pietade alcuno? / Uomini fummo, e or siam fatti sterpi: / ben dovrebb’ esser la tua man più pia, / se state fossimo anime di serpi»., recomeçou a dizer: por que me rasgas? Não tens espírito algum de piedade? Homens fomos, e agora somos tocos: a tua mão devia ser mais piedosa, ainda que tivéssemos sido almas de serpentes.

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Canto XIV: Capaneu e o Velho de Creta

Resumo do canto

Por amor da pátria, Dante recolhe as folhas espalhadas e as devolve ao tronco. Chegam à charneca do terceiro giro, areia árida que repele toda planta, sobre a qual cai, lenta, uma chuva de largas lâminas de fogo, como neve nos Alpes sem vento; as almas nuas choram sob ela, umas deitadas de costas, outras sentadas, e as mais numerosas andando sem parar, sacudindo de si a brasa fresca. Dante pergunta a Virgílio quem é aquele grande que parece não se importar com o incêndio e jaz desdenhoso e torcido; o próprio condenado, percebendo que se fala dele, grita primeiro:

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Canto XV: Brunetto Latini

Resumo do canto

Os dois caminham sobre uma das margens duras, onde a fumaça do riacho protege da chuva de fogo, como os diques dos flamengos contra o mar. Longe da selva encontram uma fila de almas que os olham como se olha alguém à noite sob a lua nova, e uma delas agarra Dante pela barra da veste e grita, que maravilha! Dante, olhando o rosto cozido, reconhece-o apesar da queimadura:

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Canto XVI: Os três florentinos e a corda

Resumo do canto

Perto da queda de água para o círculo seguinte, três sombras se desprendem juntas de uma tropa que passa sob o fogo e vêm correndo, gritando que Dante se detenha, ele que pelo traje parece de sua terra depravada. Dante vê as feridas antigas e recentes que o fogo abriu nelas. Virgílio lhe diz que a esses se deve ser cortês, e que, se não fosse o fogo, a pressa convinha mais a Dante do que a eles. Os três fazem uma roda, como lutadores nus e untados que estudam a presa, cada um voltando o rosto para Dante, e um deles apresenta os companheiros: Guido Guerra, neto da boa Gualdrada, que fez muito com o saber e com a espada, e Tegghiaio Aldobrandi, cuja voz devia ser agradável no mundo de cima. E ele próprio:

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Canto XVII: Gerião e os usurários

Resumo do canto

Virgílio acena à fera que venha à margem: aí vem a de cauda aguda, que passa os montes e rompe os muros, a que empesteia o mundo todo. Gerião, a imagem suja da fraude, chega com a cabeça e o busto, mas não pôs a cauda na margem:

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Leitura do bloco de cantos

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