Quem é
Virgílio é a sombra do poeta de Mântua, autor da Eneida, e aparece a Dante ao pé do monte, no canto I do Inferno, com a voz fraca de quem calou por muito tempo. Apresenta-se pelo que já não é (diz que homem já foi), pela terra dos pais, pelo tempo em que viveu (sob Júlio, em Roma sob Augusto, na era dos deuses falsos) e pelo poema que cantou, o do filho justo de Anquises que veio de Troia. Dante o reconhece pelo nome e o chama de mestre e autor. Oferece-se como guia, e só até onde a lei do imperador do alto o deixa, porque foi rebelde a ela: mora no Limbo e não pode entrar na cidade de Deus. Conduz Dante pelo Inferno inteiro, de cima a baixo e pelo próprio corpo de Lúcifer, e o põe de volta diante das estrelas no canto XXXIV do Inferno. O que o define de ponta a ponta é o ofício de guiar e a medida exata do que esse ofício alcança: ele sabe o caminho, protege, ensina e corrige, e o livro mostra, canto a canto, onde a sua autoridade termina.
Trajetória
No canto I do Inferno, quando Dante recua diante da loba, é a Virgílio que ele pede socorro, lembrando o estudo e o amor ao seu livro, e é Virgílio quem diz o que a fera é:
e ha natura sì malvagia e ria, / che mai non empie la bramosa voglia, / e dopo ’l pasto ha più fame che pria, e tem natureza tão má e tão ruim que nunca sacia a vontade ávida, e depois do pasto tem mais fome que antes.
Dante o reconhece como o único de quem tomou o belo estilo:
Tu se’ lo mio maestro e ’l mio autore, / tu se’ solo colui da cu’ io tolsi / lo bello stilo che m’ha fatto onore, tu és o meu mestre e o meu autor, tu és o único de quem tomei o belo estilo que me deu honra.
A oferta de guia vem com um limite que ele diz sem queixa:
ché quello imperador che là sù regna, / perch’ i’ fu’ ribellante a la sua legge, / non vuol che ’n sua città per me si vegna, pois aquele imperador que lá em cima reina, porque fui rebelde à sua lei, não quer que em sua cidade se venha por mim.
No canto II do Inferno, ao cair da noite, é Virgílio quem acalma a hesitação de Dante. Não o consola: dá outro nome à dúvida, covardia, e traz a prova de que não há razão para ela, a visita de Beatriz ao Limbo e a cadeia de três damas do céu que vai dela até Dante.
l’anima tua è da viltade offesa; / la qual molte fïate l’omo ingombra / sì che d’onrata impresa lo rivolve, / come falso veder bestia quand’ ombra, a tua alma está ferida de covardia, que muitas vezes embaraça o homem a ponto de desviá-lo de honrada empresa, como o falso ver faz a besta quando se assombra.
A mensagem de Beatriz, que ele repete a Dante de memória, é a de quem desce por amor e sabe o que se deve temer:
I’ son Beatrice che ti faccio andare; / vegno del loco ove tornar disio; / amor mi mosse, che mi fa parlare, eu sou Beatriz, a que te faz ir; venho do lugar aonde desejo voltar; amor me moveu, que me faz falar.
No canto III do Inferno, diante da inscrição da porta, Virgílio não comenta o verso da esperança: responde com um gesto, a mão que toma a de Dante e o rosto alegre, e com a fórmula de que ali se deixa toda suspeita. Aos ignavos recusa até o nome:
Fama di loro il mondo esser non lassa; / misericordia e giustizia li sdegna: / non ragioniam di lor, ma guarda e passa, fama deles o mundo não deixa existir; misericórdia e justiça os desdenham: não falemos deles, mas olha e passa.
A Caronte, que se nega a levar um vivo, responde com a razão de uma vontade que ninguém discute:
Caron, non ti crucciare: / vuolsi così colà dove si puote / ciò che si vuole, e più non dimandare, Caronte, não te irrites: quer-se assim lá onde se pode o que se quer, e não perguntes mais.
No canto IV do Inferno, o rosto pálido de Virgílio assusta Dante, e ele corrige a leitura: é a pena dos que estão ali, entre eles ele próprio, e não medo. Mais adiante descreve a pena do Limbo falando de si, no plural:
Per tai difetti, non per altro rio, / semo perduti, e sol di tanto offesi / che sanza speme vivemo in disio, por tais defeitos, não por outra culpa, estamos perdidos, e ofendidos só nisto: que sem esperança vivemos em desejo.
Os quatro poetas que o recebem fazem de Dante o sexto da fila, e Virgílio sorri ao ver o discípulo aceito. No canto V do Inferno, diante de Minos, repete palavra por palavra a fórmula dita a Caronte, nomeia as sombras que o vento arrasta e manda Dante chamar os dois amantes em nome do amor que os leva; é a ele que Francesca alude, sem nomeá-lo, quando fala da dor de lembrar o tempo feliz. No canto VI do Inferno, jogando terra nas gargantas de Cérbero, usa o apetite da fera contra ela:
E ’l duca mio distese le sue spanne, / prese la terra, e con piene le pugna / la gittò dentro a le bramose canne, e o meu guia estendeu as palmas, pegou a terra e, com os punhos cheios, atirou-a dentro das gargantas famintas.
E, a uma pergunta de Dante sobre a pena depois do Juízo, remete o discípulo à doutrina que ele já estudou:
Ed elli a me: «Ritorna a tua scïenza, / che vuol, quanto la cosa è più perfetta, / più senta il bene, e così la doglienza, volta à tua ciência, que quer que, quanto mais perfeita a coisa, mais sinta o bem, e assim a dor.
No canto VII do Inferno cala Pluto com uma ordem e ensina o que é a Fortuna, ministra posta por Deus, injuriada por quem devia louvá-la:
Vostro saver non ha contasto a lei: / questa provede, giudica, e persegue / suo regno come il loro li altri dèi, o vosso saber não tem contraste com ela: ela provê, julga e persegue o seu reino, como os outros deuses o deles.
No canto VIII do Inferno, ao ver Dante repelir Filippo Argenti, beija-lhe o rosto e o louva pelo desdém; depois, diante das portas de Dite, é a primeira vez que o poema lhe nega o que ele pede. Volta de olhos baixos, sem a audácia de antes, e ainda assim tranquiliza o discípulo:
Li occhi a la terra e le ciglia avea rase / d’ogne baldanza, e dicea ne’ sospiri: / «Chi m’ha negate le dolenti case!». / E a me disse: «Tu, perch’ io m’adiri, / non sbigottir, ch’io vincerò la prova, / qual ch’a la difension dentro s’aggiri, tinha os olhos no chão e as sobrancelhas despidas de toda audácia, e dizia nos suspiros: quem me negou as casas dolentes! E me disse: tu, porque eu me irrite, não te desanimes, que eu vencerei a prova, quem quer que dentro se mova para a defesa.
No canto IX do Inferno esconde a palidez para não assustar Dante, interrompe a própria frase e confessa que já esteve ali uma vez, chamado por uma feiticeira que arrastava as sombras de volta aos corpos; quando as Fúrias chamam a Medusa, não confia que o discípulo cumprirá a ordem sozinho e lhe cobre os olhos com as próprias mãos:
«Volgiti ’n dietro e tien lo viso chiuso; / ché se ’l Gorgón si mostra e tu ’l vedessi, / nulla sarebbe di tornar mai suso». / Così disse ’l maestro; ed elli stessi / mi volse, e non si tenne a le mie mani, / che con le sue ancor non mi chiudessi, vira-te para trás e mantém o rosto fechado, porque, se a Górgona aparecer e tu a vires, não haverá volta para o alto. Assim disse o mestre; e ele mesmo me virou, e não se contentou com as minhas mãos: fechou-me o rosto ainda com as suas.
O anjo que abre a porta passa sem lhe dirigir uma palavra. No canto X do Inferno manda Dante medir as palavras diante de Farinata, e no fim, vendo-o perturbado pela profecia, não discute o que ouviu nem consola: manda guardá-la e promete que aquela cujo belo olho tudo vê, que a tradição lê como Beatriz, dirá a Dante a viagem de sua vida. No canto XI do Inferno usa o tempo da espera para expor o Inferno inteiro, e a razão que dá do mapa é uma tese:
D’ogne malizia, ch’odio in cielo acquista, / ingiuria è ’l fine, ed ogne fin cotale / o con forza o con frode altrui contrista. / Ma perché frode è de l’uom proprio male, / più spiace a Dio; e però stan di sotto / li frodolenti, e più dolor li assale., de toda malícia que no céu atrai ódio o fim é a injustiça, e todo fim assim aflige o outro ou com força ou com fraude. Mas porque a fraude é o mal próprio do homem, mais desagrada a Deus; e por isso ficam embaixo os fraudulentos, e mais dor os assalta.
Quando Dante pergunta por que os incontinentes ficam fora dos muros, ele o manda à Ética que estudou:
Non ti rimembra di quelle parole / con le quai la tua Etica pertratta / le tre disposizion che ’l ciel non vole, / incontenenza, malizia e la matta / bestialitade? e come incontenenza / men Dio offende e men biasimo accatta?, não te lembras daquelas palavras com que a tua Ética trata das três disposições que o céu não quer, incontinência, malícia e a louca bestialidade? E como a incontinência ofende menos a Deus e acarreta menos censura?
No canto XII do Inferno detém o Minotauro lembrando Teseu e convence os centauros dizendo que Dante vem por necessidade e por encargo de quem partiu de cantar aleluia:
Tal si partì da cantare alleluia / che mi commise quest’ officio novo: / non è ladron, né io anima fuia., partiu-se de cantar aleluia quem me confiou este novo ofício: este não é ladrão, nem eu alma ladra.
No canto XIII do Inferno desculpa o discípulo diante do tronco que sangra: se ele tivesse podido crer antes no que vê, só na rima da Eneida, não teria estendido a mão. No canto XIV do Inferno, diante de Capaneu, fala com uma força que Dante nunca tinha ouvido:
«O Capaneo, in ciò che non s’ammorza / la tua superbia, se’ tu più punito; / nullo martiro, fuor che la tua rabbia, / sarebbe al tuo furor dolor compito»., ó Capaneu, é em não se apagar a tua soberba que és mais punido; nenhum martírio, fora a tua raiva, seria à tua fúria dor completa.
No canto XV do Inferno, ao ouvir Dante responder à profecia de Brunetto, olha para trás e aprova de lado, com um provérbio, e no canto XVI do Inferno manda tratar com cortesia os três florentinos e joga a corda de Dante no abismo sem explicar. No canto XVII do Inferno chama Gerião, manda Dante ver sozinho os usurários e, já montado na garupa da fera, põe-no na frente e o abraça no ar. No canto XVIII do Inferno mostra Jasão pelo porte antes do crime e encerra a visita à vala quando a vista está saciada. No canto XIX do Inferno, contente com as palavras duras de Dante contra os simoníacos, toma-o nos braços e o carrega de volta pelo caminho. No canto XX do Inferno, ao contrário, repreende o choro de Dante diante dos adivinhos:
Qui vive la pietà quand’ è ben morta; / chi è più scellerato che colui / che al giudicio divin passion comporta?, aqui a piedade vive quando está bem morta; quem é mais celerado do que aquele que se compadece do juízo de Deus?
No mesmo canto conta a origem de Mântua, a sua cidade, e pede que Dante rejeite qualquer outra versão:
Però t’assenno che, se tu mai odi / originar la mia terra altrimenti, / la verità nulla menzogna frodi, por isso te advirto que, se alguma vez ouvires contar de outro modo a origem da minha terra, nenhuma mentira defraude a verdade.
No canto XXI do Inferno, diante dos Malebranche, não luta nem argumenta: invoca o que o autoriza.
sanza voler divino e fato destro? / Lascian’ andar, ché nel cielo è voluto / ch’i’ mostri altrui questo cammin silvestro, sem vontade divina e fado propício? Deixa-nos ir, pois no céu se quer que eu mostre a outro este caminho agreste.
No canto XXIII do Inferno lê o pensamento de Dante, que teme os demônios, e o carrega no peito, como a mãe que acorda com o fogo e esquece a própria camisa:
Lo duca mio di sùbito mi prese, / come la madre ch’al romore è desta / e vede presso a sé le fiamme accese, / che prende il figlio e fugge e non s’arresta, / avendo più di lui che di sé cura, / tanto che solo una camiscia vesta, o meu guia me pegou de súbito, como a mãe que ao ruído acorda e vê as chamas acesas perto de si, que pega o filho e foge sem parar, tendo mais cuidado dele que de si, a ponto de vestir só uma camisa.
Minutos depois descobre, por um frade que cita o Evangelho, que Malacoda mentiu sobre a ponte quebrada, e segue com o cenho turvo:
Lo duca stette un poco a testa china; / poi disse: «Mal contava la bisogna / colui che i peccator di qua uncina». / E ’l frate: «Io udi’ già dire a Bologna / del diavol vizi assai, tra ’ quali udi’ / ch’elli è bugiardo, e padre di menzogna», o guia ficou um pouco de cabeça baixa; depois disse: mal contava o caso aquele que de lá cravava os pecadores. E o frade: ouvi dizer em Bolonha muitos vícios do diabo, entre os quais que é mentiroso e pai da mentira.
No canto XXIV do Inferno levanta Dante do cansaço pelo argumento da fama, no canto XXVI do Inferno toma a palavra diante de Ulisses porque dois gregos talvez desdenhassem um toscano, e no canto XXVII do Inferno, ao contrário, cutuca Dante para que fale ele a Guido da Montefeltro, porque aquele é latino e a pergunta é sobre o presente. No canto XXVIII do Inferno responde a Maomé por Dante, dizendo que a ele nem a morte alcançou nem a culpa traz. No canto XXIX do Inferno o repreende por demorar entre as feridas, e no canto XXX do Inferno quase se irrita com a atenção que ele dá à briga de Adão e Sinon, e logo o perdoa:
Maggior difetto men vergogna lava», / disse ’l maestro, «che ’l tuo non è stato; / però d’ogne trestizia ti disgrava, falta maior com menos vergonha se lava, disse o mestre, do que a tua foi; por isso descarrega-te de toda a tristeza.
A regra que deixa para as próximas vezes é dita sem rodeio:
E fa ragion ch’io ti sia sempre allato, / se più avvien che fortuna t’accoglia / dove sien genti in simigliante piato: / ché voler ciò udire è bassa voglia, e considera que estou sempre a teu lado, se mais vezes a sorte te levar aonde haja gentes em semelhante briga: pois querer ouvir isso é desejo baixo.
No canto XXXI do Inferno a língua de Virgílio aparece como a lança de Aquiles, que primeiro feria e depois curava: o mesmo discurso que tinge de vergonha o rosto de Dante lhe devolve o remédio. Diante de Anteu, pede ajuda pela fama que Dante pode dar ao gigante:
Ancor ti può nel mondo render fama, / ch’el vive, e lunga vita ancor aspetta / se ’nnanzi tempo grazia a sé nol chiama, ainda pode te dar fama no mundo, pois vive e espera longa vida, se a graça não o chamar a si antes do tempo.
No canto XXXII do Inferno espera calado enquanto Dante arranca os cabelos de Bocca. No canto XXXIV do Inferno abre o canto acrescentando uma palavra a um verso do hino da Cruz, aponta Dite e diz que ali é preciso armar-se de fortaleza. Desce pelo pelo de Lúcifer com Dante nas costas, ofega no ponto em que o mundo vira:
Attienti ben, ché per cotali scale», / disse ’l maestro, ansando com’ uom lasso, / «conviensi dipartir da tanto male, segura-te bem, pois por tais escadas, disse o mestre, ofegando como homem cansado, convém partir de tanto mal.
E, do outro lado do centro da Terra, explica ao discípulo desorientado em que hemisfério estão e por que o sol já passou da tarde à manhã. A última imagem dele na cântica é a subida:
salimmo sù, el primo e io secondo, / tanto ch’i’ vidi de le cose belle / che porta ’l ciel, per un pertugio tondo, subimos, ele primeiro e eu segundo, tanto que vi das coisas belas que o céu leva, por um buraco redondo.
Temas que encarna
Virgílio é a medida do que o saber humano alcança no Inferno, e o poema a mostra em fatos, não em tese. Ele conhece o caminho e diz que conhece (canto IX do Inferno), ordena o abismo com a Ética de Aristóteles (canto XI do Inferno), vence guardiões antigos com a fórmula de uma vontade que não discute, e ao mesmo tempo é barrado nas portas de Dite (canto VIII do Inferno), enganado por um demônio (canto XXIII do Inferno) e calado sobre o lugar dos hereges no seu próprio mapa. A razão que ele representa na leitura corrente protege até a porta e explica o que vem depois, mas o que vem depois não vem dela. É por isso que a sua ficha pesa em Conhecimento e sabedoria: ele sabe muito, diz o que sabe com precisão e deixa dito onde o saber termina.
O Limbo faz de Virgílio um caso do tema Desejo antes de ser guia: o que ele diz dos seus ali é que vivem em desejo sem esperança. O guia que Dante segue é, portanto, alguém a quem a viagem toca por dentro, e isso explica a palidez do canto IV do Inferno, a pressa de tirar Dante do Inferno e a doçura com que o abraça nos momentos de perigo. A Justiça e lei também passa por ele: é rebelde à lei de Deus por ter nascido antes, e é por obediência a essa lei que entrega o discípulo a outra alma no ponto em que a sua autoridade acaba.
Leituras divergentes
O poema dá a Virgílio dois papéis que não coincidem. Na leitura que o vê como razão, ele é a luz que leva o homem até a porta da graça, e as cenas de proteção (as mãos sobre os olhos, a mãe que foge do fogo) mostram o limite dessa luz. Na leitura que o vê como poeta, ele é o autor que Dante honra e supera, e as cenas que importam são as de sua autoria: a cidade de Mântua contada de outro modo que na Eneida (canto XX do Inferno), a Eneida invocada como desculpa diante do tronco que sangra (canto XIII do Inferno), o nome de Comédia posto contra o de alta tragédia. Erich Auerbach lê esse último contraste como a prova de que Dante nunca se livrou da doutrina antiga dos estilos:
Sobre o Ulisses que Virgílio recebe na oitava vala: Dante não conheceu Homero, e a imagem negativa do herói chega a ele por Virgílio e por Ovídio.
As duas leituras se cruzam no canto XXVI do Inferno: Virgílio fala a Ulisses não como razão, mas como poeta que cantou a queda de Troia e pede atenção aos altos versos que escreveu, e é nesse canto que o discípulo se vigia para que o engenho não corra sem virtude. O texto sustenta as duas.
Relações
- Dante: o discípulo, que lhe pede socorro no canto I do Inferno, estranha a palidez dele no canto IV do Inferno, e a quem ele carrega no canto XXIII do Inferno e no canto XXXIV do Inferno.
- Beatriz: a dama que desce ao Limbo e o manda a Dante, no relato do canto II do Inferno, e a quem ele remete a profecia de Farinata no canto X do Inferno.
- Caronte: o barqueiro diante de quem ele usa pela primeira vez a fórmula da vontade que ninguém discute (canto III do Inferno).
- Minos: o juiz a quem repete essa fórmula no canto V do Inferno.
- Francesca da Rimini: a sombra que alude a ele como o doutor que também sabe o que é lembrar o tempo feliz na miséria.
- Farinata degli Uberti: o chefe gibelino diante de quem Virgílio empurra Dante para o túmulo e o manda medir a língua, no canto X do Inferno.
- Pier delle Vigne: o tronco do bosque a quem pede que diga quem foi, para refrescar a sua fama, no canto XIII do Inferno.
- Ulisses: o herói grego a quem fala em vez de Dante, no canto XXVI do Inferno.
- Guido da Montefeltro: o conselheiro que o ouve falar em lombardo e por isso lhe pede que fique, no canto XXVII do Inferno.
- Lúcifer: o corpo pelo qual desce com Dante às costas, no canto XXXIV do Inferno.