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Inferno · Cantos I a IV

A selva e a porta

Resumo dos cantos

O Inferno é a primeira das três cânticas da Comédia, de Dante Alighieri: 34 cantos em tercetos de rima encadeada (a terza rima, ABA BCB CDC), dos quais o primeiro serve de prólogo ao poema inteiro. O narrador é o próprio Dante, que conta em primeira pessoa uma viagem feita em vida pelo além, na Semana Santa de 1300, ano do Jubileu, e que a tradição situa na Sexta-feira Santa. Perdido numa selva, ele é resgatado pela sombra de Virgílio, o poeta da Eneida, que se oferece como guia pelo Inferno, um funil que desce em nove círculos sob Jerusalém até o centro da Terra. Os quatro cantos desta parte vêm antes de qualquer pecado propriamente dito: o susto na selva e as três feras (I), a dúvida de Dante e a intervenção de Beatriz (II), a porta e o vestíbulo dos que não escolheram (III) e o Limbo (IV). A pergunta que os atravessa é o que impede um homem de seguir quem o chama, e o poema responde, canto a canto, com a mesma palavra: medo.

Canto I: A selva e as três feras

Resumo do canto

Dante se vê, no meio do caminho da vida, numa selva escura, porque deixou a via reta sem perceber quando: estava tão cheio de sono que não sabe contar como entrou. Ao pé de um morro iluminado pelo sol o medo da noite se acalma e ele sobe, mas uma onça, um leão e uma loba lhe barram a subida, e a loba, pelo medo que causa, lhe tira a esperança de chegar ao alto e o empurra de volta. Nesse recuo aparece Virgílio, a quem Dante reconhece como mestre e autor e pede socorro. Virgílio responde que a loba mata quem tenta passar e só morrerá quando vier o veltro, um libertador futuro; por isso propõe outro caminho, que ele guiará pelo Inferno e pelo lugar das almas que esperam, e entregará Dante, para subir, a uma alma mais digna, porque ele foi rebelde à lei de Deus e não pode entrar na cidade do alto. Dante, em nome do Deus que Virgílio não conheceu, pede que o leve à porta de São Pedro e aos que ele diz tão tristes, e o segue.

Análise

O poema inteiro nasce de uma queda, não de uma partida:

Nel mezzo del cammin di nostra vita / mi ritrovai per una selva oscura, / ché la diritta via era smarrita. Em português: "No meio do caminho da nossa vida / me vi numa selva escura, / porque a via reta estava perdida." O peregrino não escolhe entrar: perde o caminho antes de perceber que o perdeu, e só depois vem a alegoria.
Inferno

Dante confessa que não sabe dizer como entrou na selva, só que estava cheio de sono quando deixou a via, e o que o move depois não é decisão, é o susto, que o sol no morro acalma. O texto sustenta duas leituras: distração sem culpa, porque ninguém o enganou, ou sono como falha, porque o poema não diz que houve outra causa.

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Canto II: Beatriz envia Virgílio

Resumo do canto

Cai a noite, e Dante, sozinho, hesita antes de entrar no caminho que Virgílio lhe abriu: pede que o guia meça a sua virtude, porque Eneias e Paulo foram vivos ao além, cada um com uma razão que o fazia digno, e ele não vê a sua. Virgílio responde que a dúvida é covardia e, para tirá-lo dela, conta por que veio: estava entre os suspensos, no Limbo, quando Beatriz, mandada por uma dama gentil do céu e por Lúcia, o chamou e lhe confiou o amigo dela, impedido na encosta deserta e vencido pelo medo, e desceu até ali por amor. Com a notícia de que três damas do céu cuidam dele, Dante se levanta como flor aberta pelo sol, agradece e o toma por duca, segnore e maestro, e entram no caminho alto e silvestre.

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Canto III: A porta e os ignavos

Resumo do canto

Dante lê, no alto de uma porta, uma inscrição que fala em primeira pessoa e termina mandando deixar toda esperança; o sentido lhe é duro, e Virgílio responde que ali se deve deixar toda suspeita e que toda covardia deve estar morta, toma-lhe a mão e o introduz. No vestíbulo, entre gritos, estão os que viveram sem infâmia e sem louvor, misturados aos anjos que não foram rebeldes nem fiéis, recusados pelo céu e pelo inferno profundo, e Dante reconhece a sombra de quem fez por covardia a grande recusa. À margem do Aqueronte, Caronte se nega a levar Dante, que está vivo, e Virgílio o cala com a fórmula de uma vontade que ninguém discute. As almas condenadas, que blasfemam, passam uma a uma, impelidas por um temor que a justiça divina transforma em desejo, e Dante, vencido por uma luz vermelha, cai como quem é tomado pelo sono.

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Canto IV: O Limbo e os grandes espíritos

Resumo do canto

Um trovão desperta Dante na borda do abismo, e Virgílio, pálido, o leva ao primeiro círculo, o Limbo, onde não há pranto, só suspiros: ali estão os que não pecaram mas, sem batismo ou nascidos antes do cristianismo, não adoraram a Deus como devido, e Virgílio está entre eles. Dante pergunta se alguém saiu dali, e Virgílio conta que um poderoso coroado de vitória levou os patriarcas, que a tradição lê como a descida de Cristo, que o poema não nomeia. Seguem até um fogo que vence as trevas, onde Homero, Horácio, Ovídio e Lucano recebem Virgílio e fazem de Dante o sexto entre eles. Num prado verde, de um lugar alto e luminoso, Dante vê os espíritos magnos, heróis e filósofos, até que a sexta companhia se reduz a duas e Virgílio o leva por outra via, ao ar que treme, onde nada luz.

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Leitura do bloco de cantos

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