Resumo dos cantos
O fundo do Inferno é frio e termina em silêncio. Depois de trinta cantos de fogo, sangue e briga, o poeta desce a um lago de gelo onde a pena é ficar imóvel, e a matéria é a traição em quatro graus, segundo a leitura corrente: contra os parentes (a Caína), contra a pátria ou o partido (a Antenora), contra os hóspedes (a Tolomea) e contra os benfeitores (a Judeca). Antes disso, os gigantes que montam guarda na borda do poço avisam do que vem: a força e a inteligência postas a serviço da má vontade, combinação contra a qual, diz o poeta, a gente não tem defesa. A parte tem uma cena de grande piedade, a do conde Ugolino e dos filhos na torre, e duas de grande dureza, a de Dante puxando os cabelos de Bocca e a de Dante negando a frei Alberigo o que prometeu. E termina com a única saída, que passa pelo corpo do próprio Lúcifer, de cabeça para baixo, até o buraco redondo por onde se veem as estrelas. A pergunta que atravessa os quatro cantos é o que o poema quer dizer ao pôr, no mesmo gelo, a piedade que Ugolino desperta e a dureza que Dante mostra.
Canto XXXI: Os gigantes e Anteu
Resumo do canto
Dante abre o canto com uma imagem para a língua de Virgílio: a mesma que primeiro o mordeu, a ponto de lhe tingir as duas faces de vergonha, depois lhe devolveu o remédio, como a lança de Aquiles e do pai dele, que primeiro feria e depois curava. Os dois dão as costas ao vale miserável e atravessam sem falar a margem que o cerca. Não é noite nem dia, a vista alcança pouco, e Dante ouve soar um corno tão alto que faria fraco qualquer trovão e o obriga a fixar os olhos num só ponto: nem Rolando, depois da dolorosa derrota em que Carlos Magno perdeu a santa empresa, tocou tão terrivelmente. Logo vê muitas torres altas e pergunta que terra é aquela. Virgílio diz que, olhando pela treva de longe demais, ele se engana na imaginação e que, ao chegar perto, verá como o sentido erra de longe; mas, para que o fato lhe pareça menos estranho, adianta que não são torres, e sim gigantes, postos no poço em volta da margem, do umbigo para baixo.
Análise
Como quando a névoa se dissipa e o olhar vai reconhecendo aos poucos o que o vapor escondia, assim, furando o ar grosso e escuro e se aproximando da borda, Dante vê o erro fugir e o medo crescer; pois, como Montereggione se coroa de torres sobre o círculo dos muros, assim a margem que cerca o poço era torreada, à meia altura, pelos horríveis gigantes, a quem Júpiter ainda ameaça do céu quando troveja. Natureza, diz o poeta, fez muito bem ao deixar a arte de produzir tais animais, tirando de Marte tais executores; e se não se arrepende dos elefantes e das baleias, quem olha sutilmente a tem por mais justa e discreta, porque:
ché dove l’argomento de la mente / s’aggiugne al mal volere e a la possa, / nessun riparo vi può far la gente
, pois onde o instrumento da mente se junta à má vontade e à força, nenhum abrigo a gente pode fazer.
Assinatura
A análise completa de cada bloco de cantos de Inferno está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Canto XXXII: Caína e Antenora
Resumo do canto
O canto começa com uma confissão de ofício. Para descrever o fundo de todo o universo, o poeta diz que precisaria de rimas ásperas e roucas, e não as tem:
Análise
Canto XXXIII: Ugolino e a torre da Fome
Resumo do canto
O pecador ergue a boca do pasto feroz e a limpa nos cabelos da cabeça que estragou por trás. Diz a Dante que ele quer que renove uma dor desesperada, que lhe aperta o coração só de pensar, antes mesmo de falar; mas, se as palavras forem semente que dê infâmia ao traidor que rói, falará e chorará ao mesmo tempo. Não sabe quem Dante é nem como chegou ali, mas pelo modo de falar lhe parece florentino. Declara ser o conde Ugolino, e diz que aquele é o arcebispo Ruggieri: contará por que é tal vizinho. Que, por efeito dos maus pensamentos do arcebispo, tendo-se fiado nele, foi preso e depois morto, não precisa contar; o que Dante não pode ter ouvido, como foi cruel a sua morte, ele ouvirá, e então saberá se o arcebispo o ofendeu.
Análise
Canto XXXIV: Lúcifer e a saída
Resumo do canto
Virgílio abre o canto com um verso latino virado do avesso: as bandeiras do rei avançam, diz ele, mas o rei agora é o do Inferno, e o primeiro verso do hino que se canta à Cruz na Semana Santa ganha um complemento (inferni). Que ele olhe adiante, se o discerne. Dante vê um edifício parecido com um moinho que o vento gira, visto de longe em névoa grossa ou quando nosso hemisfério anoitece, e, por causa do vento, recua para trás do guia, porque não havia outro abrigo. Já estava, e o escreve com medo, onde as sombras ficavam todas cobertas e transpareciam como palha em vidro: umas jazem, outras estão em pé, esta com a cabeça, aquela com os pés, outra, como um arco, com o rosto voltado aos pés. Quando chegaram tão perto que ao mestre aprouve mostrar-lhe a criatura que teve o belo semblante, Virgílio se pôs de lado e o fez parar: eis Dite, e eis o lugar onde convém que te armes de fortaleza.
Análise
Leitura do bloco de cantos
Análise