A frase é de Cássio, dita a Bruto no Ato I, cena 2, e quer dizer que os homens são às vezes donos do próprio destino: se vivem como subalternos, a responsabilidade é deles, e não do céu. Na tradução de José Francisco Botelho, "Os homens regem seu destino às vezes", e a culpa não está nos astros, "mas em nós mesmos".
Cássio diz isso depois de descrever César como um Colosso que domina o mundo estreito, enquanto os romanos, homens pequenos, passam por baixo das pernas dele em busca de sepulturas desonrosas. A frase vem no meio da tentativa de Cássio de convencer Bruto: logo depois ele pergunta o que há no nome César que não haja no de Bruto.
A peça, porém, não para aí. Na noite de tempestade (Ato I, cena 3), o mesmo Cássio lê os prodígios como aviso do céu contra um homem que cresceu demais, enquanto Cícero lembra que os homens interpretam os fatos a seu modo. Em Filipos (Ato V, cena 1), Cássio, que seguia Epicuro, diz que mudou de ideia e passou a dar crédito em parte aos presságios, depois que as águias do exército sumiram e corvos passaram a voar sobre as tropas.
A ideia de destino aparece em outras falas. No Ato II, cena 2, César responde ao medo de Calpúrnia dizendo que o fim marcado pelos deuses não se evita, e Bruto, depois do crime, diz "Conheceremos teus desígnios, Fado." (Ato III, cena 1). O que fica é o contraste entre a frase de Cássio no Ato I e a confissão dele no Ato V.