A peça não explica o título. O que o texto mostra é que César, depois de morrer na cena 1 do Ato III, continua presente de três modos: como corpo, como espectro e como nome. Que o título se explique por isso é leitura, mas cada um dos três modos se confere no texto.
Vivo, César aparece em poucas cenas e fala de si pelo próprio nome. No Ato I, cena 2, diz a Antônio que não teme nada e que apenas aponta o que se deve temer, porque "sempre serei César". Na manhã dos Idos (Ato II, cena 2), responde ao medo de Calpúrnia dizendo que César sairá.
Morto, ele não sai da peça. No Fórum (Ato III, cena 2), Antônio mostra ao povo o corpo e o manto furado. No Ato IV, cena 3, o espectro aparece a Bruto, diz ser o mau espírito dele e promete reencontrá-lo em Filipos. No Ato V, cena 3, diante dos corpos de Cássio e de Titínio, Bruto exclama que o espírito de César ainda é poderoso, e a espada com que Cássio morreu, pouco antes, na mesma cena, é a que atravessou César.
O nome também passa adiante. A lista de personagens chama Otávio de Otávio César, Antônio se dirige a ele como César em Filipos (Ato V, cena 1), e Bruto lhe responde do mesmo modo. Ao morrer, Bruto diz ao espírito de César que já pode ficar quieto.