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Perguntas · Crime e Castigo

Por que Raskólnikov confessa?

Raskólnikov confessa porque não aguenta mais estar sozinho com o crime e com a teoria que falhou: ao contar a verdade a Sônia, diz que a procurou por uma coisa só, "para você não me deixar", e só depois de Porfiri acusá-lo sem prova e de Sônia lhe indicar o caminho é que fala na delegacia.

A primeira confissão é a Sônia, na Quinta Parte. Ele chega ainda excitado com a vitória sobre Lújin, conta o fato em terceira pessoa, oferece razões e desmente cada uma, e conclui: "Foi a velhota que eu matei? Foi a mim que matei, e não a velhota!" Logo depois, de volta ao quarto, o narrador diz que ele nunca se sentira "tão terrivelmente sozinho".

Sônia lhe pede um rito público: beijar a terra, curvar-se ao mundo e dizer em voz alta que matou. Ele recusa e diz que lutará. Na Sexta Parte, Porfiri lhe oferece a entrega voluntária com a pena abatida, e ele responde: "Não quero de jeito nenhum esse seu abatimento!" Pouco antes de se entregar, diz à irmã que matou "um piolho asqueroso e nocivo" e acrescenta: "Não penso nele e não penso em lavá-lo."

Na última visita a Sônia, entende que o que foi buscar era o choro dela: "eu precisava das lágrimas dela". Beija a terra na praça por lembrar a ordem que ela lhe dera e só diz a frase na delegacia depois de ouvir que Svidrigáilov se matou. Os motivos ficam abertos. No Epílogo, atormentado pela pergunta de por que não se matou à beira do rio, ele a explica por um instinto obtuso, e o narrador sugere outra causa: um pressentimento, já ali, da falsidade das suas convicções. O texto sustenta as duas leituras: a vergonha de ter falhado, ou o primeiro sinal de mudança.

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