Sônia, Sófia Semeónovna Marmieládova, é a filha do funcionário bêbado Marmieládov que, para sustentar a madrasta tísica e os três filhos pequenos dela, vive do bilhete amarelo das prostitutas, e é a pessoa a quem Raskólnikov confessa o crime antes de qualquer autoridade, a que lhe lê a ressurreição de Lázaro e a que o acompanha à Sibéria.
O leitor a conhece primeiro pelo relato do pai na taberna: ela saiu numa tarde, depois de a madrasta lhe dizer com ironia que fosse, e voltou com trinta rublos; hoje mora num quarto alugado no prédio do alfaiate Kapiernaúmov e entrega à família o que ganha. Quando Lújin a acusa em público de furto, é Catierina Ivánovna quem a defende, gritando que ela "vendeu-se por nós".
Sônia nunca discute com Raskólnikov. Na noite em que ele pede a leitura de Lázaro, ela responde, quando ele pergunta se ela reza muito: "E o que eu seria sem Deus?" Ao ouvir a confissão, ajoelha-se, abraça-o, promete segui-lo e lhe dá uma ordem: "Vá agora, neste mesmo instante, pare num cruzamento, curve-se, beije primeiro a terra que você profanou". Ele recusa por ora, e ela lhe oferece a cruz de cipreste.
No Epílogo, ela segue o comboio dele com o dinheiro que Svidrigáilov lhe deixou, escreve todo mês a Razumíkhin e é amada pelos presos, que a chamam de "mãe nossa". Os leitores a leem de dois modos: como a agente da salvação, cuja vida refuta uma tese sem argumentar, ou como a figura cuja conversão de Raskólnikov o livro anuncia sem demonstrar. Entre condenados por crimes piores, a aceita por todos é a mulher que nunca formulou uma ideia.