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Perguntas · Crime e Castigo

Qual é a teoria do homem extraordinário em Crime e Castigo?

A teoria do homem extraordinário, exposta num artigo de Raskólnikov, divide as pessoas em ordinários, que devem viver na obediência e não têm direito de transgredir a lei, e extraordinários, que podem permitir à própria consciência transpor certos obstáculos quando a execução de uma ideia sua o exige.

Raskólnikov corrige o resumo brutal que Porfiri faz do artigo: não é um direito oficial, e sim o direito de o homem extraordinário "permitir à sua consciência transpor" certos obstáculos, e só quando a ideia dele, "às vezes salvadora, talvez, para toda a humanidade", o exigir. Kepler e Newton teriam o direito de eliminar dez ou cem homens para que a descoberta chegasse à humanidade; legisladores como Licurgo, Sólon, Maomé e Napoleão violaram a lei antiga ao fundar a nova. O núcleo é a divisão em dois grupos: "O primeiro grupo é sempre senhor do presente, o segundo, senhor do futuro."

A teoria é posta à prova na própria casa de Porfiri. Razumíkhin, que ignora o crime, chega sozinho à objeção: "você permite o sangue segundo a consciência". Porfiri confirma que "é mais terrível". Perguntado se ele mesmo transporia o obstáculo, Raskólnikov responde: "Se eu tivesse transposto, claro que não diria ao senhor."

O livro não derruba a teoria com um contra-argumento. Sozinho e febril, Raskólnikov diz: "O princípio, esse eu matei, mas transpor não transpus, fiquei deste lado". Svidrigáilov a chama de "uma teoria como qualquer outra", e no Epílogo o próprio Raskólnikov ainda a defende, reconhecendo culpa apenas por não ter suportado o crime e por ter se entregado. O que a desfaz, para o romance, é o que o corpo e as outras pessoas fazem com ele depois do ato.

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