Porfiri Pietróvitch é o juiz de instrução encarregado do assassinato da penhorista, parente de Razumíkhin, que cerca Raskólnikov com conversas e psicologia, sem reunir nenhuma prova material, e no fim lhe propõe que se entregue por vontade própria.
É um homem baixo e gordo, de olhar aguado, que recebe de roupão e se desfaz em digressões sobre o próprio apartamento e a própria saúde, de modo que o adversário demora a reconhecer isso como método. O cargo era novo na Rússia: o juiz de instrução, que investiga antes do julgamento, foi criado em 1860 e ganhou peso com a reforma da justiça de 1864, e é por ele que o livro pode ter um duelo de inteligências em vez de uma perseguição.
Ele começa pelo artigo de Raskólnikov, que resume de propósito de modo mais brutal do que o texto, para ouvir a correção. Na Quarta Parte descreve o próprio método: "Já viu uma mariposa diante da vela?" Quando o pintor Nikolai se declara assassino, Porfiri percebe que as respostas são ensaiadas e exclama com raiva: "ele não diz palavras dele!"
Na Sexta Parte vai à casa de Raskólnikov e diz sem rodeios: "ora, o senhor matou, Rodion Románitch!" Admite também que "toda essa maldita psicologia corta para os dois lados". Sem prova e sem prisão, oferece a apresentação voluntária, com a pena abatida, e diz que "no sofrimento há uma ideia". Raskólnikov recusa o abatimento. Os leitores discutem se a oferta é sinceridade ou isca, e o texto sustenta as duas.