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Perguntas · Crime e Castigo

Por que o livro se chama Crime e Castigo?

O título nomeia as duas coisas que o romance pergunta se são uma só: o crime, que Raskólnikov comete ainda na Primeira Parte, e o castigo, que no livro não é a pena da Sibéria, mas o que o crime faz com ele por dentro e o sofrimento que lhe propõem aceitar.

No russo, o substantivo para crime, prestuplenie, vem de um verbo que significa ultrapassar, pisar além, e o verbo parente que o livro repete é transpor, o que Raskólnikov quer saber se consegue: "Vou conseguir transpor ou não vou!" Depois do ato, ele mesmo conclui: "transpor não transpus, fiquei deste lado".

O castigo começa antes do tribunal. No dia seguinte ao crime, na delegacia, ele sente "uma sensação sombria de solidão atormentadora e sem fim". A polícia nunca reúne prova, e a pena de oito anos sai mais branda do que se esperava. O que pesa é a solidão, o nojo e, nas palavras dele a Sônia, o fato de ter matado a si mesmo: "Foi a velhota que eu matei? Foi a mim que matei, e não a velhota!"

O livro também mostra o castigo como sofrimento aceito: Porfiri diz que "no sofrimento há uma ideia", Sônia lhe põe no peito a cruz de cipreste, e a praça, o beijo na terra e a confissão são o caminho que ele percorre. Há, portanto, duas leituras do castigo: o tormento que nasce do próprio ato, ou o sofrimento que se escolhe e que, no Epílogo, o amor de Sônia acompanha. O título não decide entre elas.

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