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Símbolo

O alfinete

O que é

O alfinete com que a avó, cega, prende o vestido de Nástienka ao seu, para vigiá-la sem vê-la, depois de uma travessura que a neta não conta. A pena, segundo a avó, é para a vida inteira, a menos que a neta se torne melhor, e dura há dois anos quando a história começa. O objeto é pequeno, cômico e preciso: é a forma concreta da vida presa de Nástienka, e o contrário exato da vida solta do Sonhador.

Onde aparece

Na Segunda Noite, Nástienka o menciona de passagem, rindo, e o Sonhador responde que ele é um tipo; mais tarde, ela diz que entendeu o discurso dele porque viveu o mesmo presa ao vestido da avó.

Na história de Nástienka, na Segunda Noite, conta como o castigo começou:

взяла булавку и пришпилила мое платье к своему, да тут и сказала, что так мы будем всю жизнь сидеть, если, разумеется, я не сделаюсь лучше, pegou um alfinete e prendeu o meu vestido ao dela, e ali mesmo disse que assim ficaríamos sentadas a vida inteira, a menos, é claro, que eu me tornasse melhor.
Segunda Noite: O sonhador e a história de Nástienka

Conta também a troca com Fiekla, a criada surda, que desprendeu o alfinete e fugiu, e a manhã em que, esquecida de que estava presa, se levantou de um salto diante do inquilino e arrastou a poltrona da avó. Depois disso passou a desprender o alfinete às escondidas a cada barulho na entrada. Na noite em que sobe ao quarto do inquilino, o alfinete entra na mesma fala que o amor:

сказала, что не могу жить у бабушки, что убегу от нее, что не хочу, чтоб меня булавкой пришпиливали, и что я, как он хочет, поеду с ним в Москву, потому что без него жить не могу. И стыд, и любовь, и гордость — все разом говорило во мне, и я чуть не в судорогах упала на постель. Я так боялась отказа!, disse que não podia viver com a avó, que ia fugir dela, que não queria que me prendessem com alfinete, e que, se ele quisesse, iria com ele para Moscou, porque sem ele não podia viver. A vergonha, o amor, o orgulho, tudo falava em mim ao mesmo tempo, e eu caí na cama quase em convulsões. Eu tinha tanto medo de uma recusa!
Segunda Noite: O sonhador e a história de Nástienka

Na Quarta Noite, ela se pergunta se o amor pelo inquilino não começou porque vivia sob a vigilância da avó:

может быть, и вся любовь моя была обман чувств, воображения, может быть, началась она шалостью, пустяками, оттого, что я была под надзором у бабушки?, talvez todo o meu amor tenha sido uma ilusão dos sentidos, da imaginação, talvez tenha começado por travessura, por ninharias, porque eu vivia sob a vigilância da avó?
Terceira e Quarta Noites e a Manhã: A espera e o desfecho

O que significa

O alfinete é o olho que a avó não tem: ela prende porque não pode ver. Para Nástienka é a imagem da sua solidão, que é o contrário da do Sonhador: ele vive sem ninguém, ela vive grudada a alguém. Os dois sonham pelo mesmo motivo, a falta de vida própria, e o alfinete mostra que essa falta pode vir tanto do excesso de companhia quanto da ausência dela.

O objeto organiza a história de amor inteira. É por causa dele que o inquilino vê a vergonha de Nástienka na história de Nástienka, na Segunda Noite e se retira com delicadeza, que é o primeiro gesto dele que ela conta; é contra ele que ela se rebela na noite da trouxa; e é por ele que ela explica, na Quarta Noite, que talvez o seu amor tenha sido ilusão. O alfinete é a causa possível do amor e a prova de que ele foi também fuga, e o texto não separa as duas coisas.

Relações