Um romance publicado em folhetim
Os Irmãos Karamázov foi o último romance de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski e saiu em folhetim no Mensageiro Russo, a partir do começo de 1879 e até novembro de 1880. Segundo a biografia de Joseph Frank, o primeiro fascículo apareceu em 1º de fevereiro de 1879, no meio de uma onda de atentados contra o tsar Alexandre II. Em outubro de 1877 o autor suspendera o Diário de um Escritor por dois anos para se dedicar à obra literária que tomava forma dentro dele.
Em outubro de 1877 Dostoiévski anunciou a suspensão do Diário de um Escritor por dois anos, alegando doença, para se dedicar ao que já tomava forma dentro dele:
espero me dedicar à obra beletrística que imperceptível e involuntariamente foi tomando forma dentro de mim nos dois anos de publicação do Diário.
Frank conta também que o Livro V, «Pró e contra», foi escrito em Stáraia Russa entre maio e julho de 1879, com cartas ao editor que explicam a intenção de cada remessa.
Dostoiévski escreveu o Livro 5, "Pró e contra", em Stáraia Russa entre maio e julho de 1879, e cada remessa ao editor Liubímov veio acompanhada de carta explicando a intenção, algo raro em seu corpus. Sobre a primeira metade, escreveu que queriaretratar a blasfêmia extrema e a semente da ideia de destruição em nossa época na Rússia [...] e, junto com a blasfêmia e a anarquia, a refutação delas - que está sendo preparada agora por mim nas últimas palavras do ancião moribundo Zossima, chamando as convicções de Ivan Fiódorovitch Karamázov de "síntese do anarquismo russo contemporâneo".
O romance terminou no fim de 1880, e a parte final foi enviada ao editor em novembro.
Em 7 de novembro de 1880, Dostoiévski enviou a Liubímov a parte final de Os Irmãos Karamázov, depois de três anos de trabalho e dois anos de publicação em fascículos:
Bem, e assim o romance acabou [...] Permita-me não lhe dizer adeus. Afinal, pretendo viver e escrever por mais vinte anos.
O filho morto e a visita a Óptina
O herói tem o nome de um filho morto do autor. Em maio de 1878, a epilepsia herdada do pai matou o pequeno Aliócha, de quase três anos, e Dostoiévski visitou então o mosteiro de Óptina, onde o consolo que ouviu do padre Ambrósio virou cena do romance.
Em 30 de abril de 1878 o filho de quase três anos de Dostoiévski, Aliócha, sofreu a primeira convulsão epiléptica, e em 16 de maio um ataque de doze horas e quarenta minutos o matou, a mesma doença herdada do pai. Para se recuperar, Dostoiévski viajou ao mosteiro de Optina Pústin, onde se encontrou três vezes com o ancião padre Ambrósio.
A cena é a da mãe do povo que perdeu o filho de quase três anos, também chamado Aleksei, e a quem Zossima manda não se consolar e chorar, porque o menino é um anjo de Deus que olha por ela (capítulo III do Livro II).
И не утешайся, и не надо тебе утешаться, не утешайся и плачь, только каждый раз, когда плачешь, вспоминай неуклонно, что сыночек твой — есть единый от ангелов божиих, E não se console, nem é preciso que se console, não se console e chore, só que, cada vez que chorar, lembre-se sem falta de que o seu filhinho é um dos anjos de Deus.
O romance inteiro como resposta ao Inquisidor
Frank registra uma anotação de Dostoiévski feita depois de concluído o livro, em que o romance inteiro é a resposta à Lenda do Grande Inquisidor, e não apenas a pregação de Zossima no Livro VI, como ele chegara a sugerir antes ao censor (segundo a biografia de Joseph Frank). A fonte mais direta da lógica do Inquisidor, segundo Frank, é uma anedota que o filósofo Vladímir Soloviov ouviu de um jesuíta em Paris e contou ao romancista.
A fonte mais direta para a lógica do Grande Inquisidor, segundo Frank, é uma anedota que o próprio Soloviov ouviu de um jesuíta francês em Paris e relatou a Dostoiévski:
É claro que, neste momento, ninguém pode acreditar na maior parte do dogma cristão [...] Mas o senhor concordará que a sociedade civilizada não pode existir sem uma autoridade forte e uma hierarquia firmemente organizada; só a Igreja católica tem essa autoridade [...] portanto, todo homem esclarecido [...] deve ser católico.
A morte do autor
Dostoiévski morreu em São Petersburgo em 28 de janeiro de 1881, no calendário juliano, menos de três meses depois de enviar a parte final do romance, de uma hemorragia pulmonar, depois de abrir ao acaso o Novo Testamento e pedir à mulher que lesse o primeiro trecho.
Dostoiévski morreu em 28 de janeiro de 1881 (calendário juliano), por volta das oito e meia da noite, após uma última hemorragia seguida de coma de cerca de duas horas.
O cortejo fúnebre percorreu a avenida Niévski até o mosteiro de Aleksandr Niévski.
O cortejo fúnebre de 31 de janeiro de 1881 reuniu 67 delegações de instituições e periódicos, com quinze coros, e levou duas horas para percorrer a avenida Niévski, em São Petersburgo, até a lavra.