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Os Irmãos Karamázov · Livro VII

Aliócha

Resumo do livro

Num só dia, a morte do stáriets Zossima põe à prova o que Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov espera de Deus. O corpo cheira cedo demais, o mosteiro se divide entre quem chora, quem exulta e quem usa o cheiro contra o starietsvo, e Aliócha, que não duvida de Deus, não suporta ver o mais justo dos homens exposto ao riso de uma multidão inferior a ele. Sem ter comido desde a véspera, deixa-se levar por Rakítin à casa de Grúchenka, onde um esperava ver a queda do justo e a outra pretendia devorá-lo, e acontece o contrário do que os dois planejaram: ele, que foi para se perder, e ela, que o chamou para destruí-lo, dão um ao outro uma palavra sem cálculo. De volta ao caixão, adormece ouvindo o Evangelho de Caná, sonha com o mestre vivo na festa e sai para beijar a terra. A pergunta que o livro deixa é o que sustenta uma fé quando o sinal esperado não vem e vem, em vez dele, uma visita sem nome.

Capítulo I: O cheiro no ataúde

Resumo do capítulo

O padre Paíssi prepara sozinho o corpo do Stáriets Zossima segundo o rito dos monges e o põe no caixão, na primeira sala da cela, onde o velho recebia os visitantes. Por ter sido sacerdote de grande hábito (hierosquimonge), sobre ele se lê o Evangelho, e não o Saltério; Paíssi quer ler dia e noite, mas antes tem de acalmar a agitação que cresce entre os monges e entre os leigos que chegam da hospedaria e da cidade, alguns com doentes nos braços, sobretudo crianças, à espera da cura imediata: só agora se vê quanto todos o tinham por santo comprovado. Ele chama a impaciência de leviandade, indigna de monges, e admite a si mesmo, no fundo, que espera o mesmo. Desconfia de dois rostos na multidão: Rakítin, que a senhora Khokhlakova mandou ao eremitério para lhe escrever a cada meia hora o que acontece, e o monge de Obdorsk, que corre de canto em canto, irritado de que nada aconteça. Na ronda, encontra Aliócha chorando sozinho, de costas para o eremitério, sobre a lápide do velho asceta Iov, e o deixa chorar: Cristo lhe mandou essas lágrimas.

Análise

Antes das três da tarde acontece o que o narrador diz preferir calar e só conta porque marcou o herói: do caixão começa a sair, devagar e depois sem dúvida, um cheiro de corrupção. Para ele, duas causas se juntaram: a hostilidade antiga ao starietsvo, que sobrevivia em muitos monges como novidade danosa, e a inveja da santidade do morto, tão firmada em vida que parecia proibido discuti-la. Zossima conquistara gente mais pelo amor do que por milagres, e justamente por isso fez invejosos e inimigos, até fora dos muros; basta repetir a pergunta «por que o têm por tão santo?» para criar um abismo de rancor. Quando o cheiro aparece, uns se alegram mais do que os descrentes, e o narrador lembra a frase do próprio morto:

«любят люди падение праведного и позор его», as pessoas amam a queda do justo e a sua desonra.

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Capítulo II: A justiça que faltou

Resumo do capítulo

O narrador interrompe a cena para explicar Aliócha antes de julgá-lo. À pergunta de Paíssi, se também ele está com os de pouca fé, responderia que não: toda a perturbação nasce de ele ter acreditado demais. Mas a perturbação existiu e foi tão penosa que, anos depois, ele a contava entre os dias mais pesados da vida. Quem sorrir da pureza do rapaz, diz o narrador, que lembre que o jovem demasiado ajuizado vale pouco. E esclarece o que lhe falta compreender: Aliócha não precisava do milagre para fazer triunfar uma ideia, mas de um rosto: todo o amor que levava ao mundo se concentrara, naquele ano, no mestre morto, a ponto de ele esquecer nesse dia o irmão Dmitri, de quem tanto se preocupara na véspera, e os duzentos rublos que tinha prometido levar ao pai de Iliúcha. E acrescenta o que o ferira:

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Capítulo III: A cebola de Grúchenka

Resumo do capítulo

Grúchenka mora perto da praça da Catedral, num pavilhão de madeira alugado da viúva Morózova, onde o velho comerciante Samsónov, seu protetor, a instalou havia quatro anos, menina de dezoito, assustada e magra, e de onde ela saiu aos poucos mulher decidida, boa para negócios, que chegou a comprar letras por tostões em sociedade com Fiódor Pávlovitch. Grúchenka espera nessa noite, vestida de seda preta e touca de renda, uma notícia: o oficial que a seduziu e abandonou há cinco anos viaja e mandará um correio de Mókroie. Mentiu a Mítia que passaria a noite contando dinheiro com Samsónov, e quando Rakítin e Aliócha chegam ela dá um grito, achando que é o capitão que arromba a porta. Ao reconhecê-los, acalma-se e se alegra, para espanto do próprio Aliócha, que ontem a viu cruel com Catierina Ivánovna e agora encontra outra mulher, simples e rápida. Rakítin cobra o champanhe que ela lhe prometeu por trazê-lo.

Grúchenka senta-se no colo de Aliócha, rindo, e lhe diz que pode pular se ele mandar; ele não se mexe, porque a dor engole tudo, e se espanta de não sentir o medo antigo das mulheres, só uma curiosidade pura.

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Capítulo IV: As bodas de Caná

Resumo do capítulo

Já tarde para os hábitos do mosteiro, Aliócha entra na cela onde está o caixão. Só Paíssi, que lê o Evangelho sem olhá-lo, e o noviço Porfiri, adormecido no chão da outra sala, estão ali. Aliócha ajoelha-se num canto; já não tem a piedade chorosa da manhã, e uma alegria clara lhe ocupa a mente. A janela está aberta, o ar é fresco, e a ideia do cheiro, que de manhã lhe parecera infame, não o inquieta mais. Reza por vezes com ardor, outras vezes quase maquinalmente, e vai adormecendo ouvindo Paíssi ler o Evangelho de Caná.

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