Resumo do livro
O Livro X abre a Quarta Parte sem nenhum dos três irmãos no centro. Kólia Krassótkin, treze anos e quase quatorze, vai enfim visitar Iliúcha Snieguiriov, o menino que ele protegeu na escola e depois abandonou por orgulho, e que agora está morrendo. Chega com um cão adestrado em segredo, um canhão de brinquedo e um repertório de ideias de segunda mão, e tudo o que faz diante do doente é espetáculo. Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov o deixa se exibir, não rebate nenhuma tese e o trata de igual para igual, e é esse tratamento, mais do que qualquer argumento, que faz o menino confessar o que sente. O livro fecha no quarto de Iliúcha com o prognóstico do médico e com o pedido do menino: ser enterrado junto da pedra. A pergunta que ele deixa é de que se faz um adolescente que aprendeu a falar antes de aprender a sentir, e o que o salva é alguém que só o escuta.
Capítulo I: Kólia Krassótkin
Resumo do capítulo
O narrador apresenta Kólia Krassótkin numa manhã gelada de começo de novembro. Filho da viúva de um funcionário, Anna Fiódorovna, que se dedicou inteira a ele desde os dezoito anos, Kólia é pequeno, forte, estudioso, atrevido, e tem fama de valente. A mãe, ansiosa, de tanto cercar os professores e os colegas para que não o maltratassem, fez a turma chamá-lo de filhinho da mamãe, mas ele soube se impor. Aprendeu a mandar nela quase como um déspota, e ela se deixa mandar, só não suporta a ideia de que o filho a ame pouco.
Análise
O narrador mostra a mãe pedindo carinho e o filho recuando na medida do pedido, não por frieza: o pedido o humilha diante de si mesmo. Cada lágrima dela o endurece mais, e o endurecimento, que ela lê como falta de amor, é o jeito que ele tem de proteger o próprio amor-próprio. O traço volta no capítulo IV, aplicado a outro menino.
O narrador afasta o engano dela numa frase:
Assinatura
A análise completa de cada livro de Os Irmãos Karamázov está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo II: O guardião dos pequenos
Resumo do capítulo
Naquele domingo, às onze da manhã, Kólia Krassótkin está sozinho em casa de guarda dos dois filhos da inquilina, a doutora, o menino Kóstia, de sete anos, e a menina Nástia, de oito: a criada da doutora entrou em trabalho de parto durante a noite, as duas mães correram à parteira, e a criada de casa foi ao mercado. Ele precisa sair por "um assunto importantíssimo", que o narrador não revela, e já olhou várias vezes para os pequenos, que o esperam sorrindo. Ouve a discussão deles sobre de onde vêm os bebês (Nástia rejeita a história da horta e inventa teorias, Kóstia estranha que a criada tenha filho sem ser casada) e conclui que são gente perigosa. Quer que o deixem ir e promete mostrar-lhes um canhãozinho de bronze que atira de verdade. A promessa é uma barganha: os pequenos não vão chorar nem fazer travessura, e ele sai tranquilo.
Análise
Capítulo III: A caminho do capitão
Resumo do capítulo
Na esquina da praça, Kólia Krassótkin assobia e Smúrov, onze anos, da classe preparatória, sai às escondidas, pois os pais o proíbem de andar com um "desesperado". Smúrov conta que Iliúcha Snieguiriov está mal, provavelmente tísico, que dez colegas visitam a casa todo dia e que o capitão Snieguiriov espera trazer-lhe um filhote para consolá-lo; propõe também fazer Iliúcha acreditar que Pérezvon é a Júchka desaparecida, e Kólia recusa: o escolar deve abominar a mentira, mesmo para o bem. Kólia despreza os médicos e estranha que Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov tenha tempo para "sentimentalismos" com os meninos quando o irmão será julgado no dia seguinte ou no outro. Smúrov observa que ele próprio está indo fazer as pazes com Iliúcha:
Análise
Capítulo IV: Júchka
Resumo do capítulo
Encostado na cerca, Kólia Krassótkin ensaia a postura de quem não está nervoso. Quer conhecer Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov há muito, sempre fingiu indiferença quando falavam dele, e teme parecer criança: tem a altura que o humilha (mede-se na parede de casa, de dois em dois meses, e cresce pouco) e acha o rosto feio, embora seja simpático, de sardas, com o nariz arrebitado. Aliócha, que largou a batina e usa agora uma sobrecasaca bem cortada, aparece depressa e sai sem casaco, com um rosto alegre. Estende a mão e diz que todos esperavam por ele.
Antes de entrarem, Kólia quer explicar "o caso", e despeja a história. Defendeu Iliúcha Snieguiriov na classe preparatória, quando os colegas zombavam de suas roupas, e o menino passou a obedecê-lo como a um deus. Mas Kólia, que se declara inimigo das ternuras de bezerro, percebeu o menino ficar sentimental e quis endurecê-lo. Descobriu então que Iliúcha, instruído por Smierdiakóv, o criado do velho Karamázov, havia espetado um alfinete num miolo de pão e o atirado a um cão de quintal, Júchka, que engoliu o pão, ganiu e fugiu. Iliúcha lhe confessou chorando, repetindo "corre e ganide". Kólia viu aí remorso e, para o educar, fingiu indignação maior do que sentia: chamou-o de canalha, disse que cortava o trato até decidir.
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Capítulo V: À cabeceira de Iliúcha
Resumo do capítulo
Na isbá abafada dos Snieguiriov, Iliúcha Snieguiriov está de cama havia duas semanas, junto ao canto dos ícones, e vários meninos o visitam: Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov os reconciliou com ele um a um, sem "ternuras de bezerro", e o doente se comoveu de ver os antigos inimigos amigos. Falta Kólia Krassótkin, e é a falta que mais o pesa, porque a briga com o único amigo e protetor é a memória mais amarga que tem. O capitão deixou de beber e treme pelo filho; a mãe, que ria dos esgares do marido, passou a se calar; e Catierina Ivánovna, depois de pagar duzentos rublos e de ter conhecido a família, sustenta tudo e fez vir de Moscou, por muito dinheiro e "para outro fim", um médico célebre. Kólia só avisou Smúrov na véspera, e o proibiu de anunciar a visita: queria chegar de surpresa.
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Capítulo VI: Ideias de segunda mão
Resumo do capítulo
Enquanto o médico examina Iliúcha Snieguiriov, Kólia Krassótkin e Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov ficam sozinhos no vestíbulo, e Kólia, nervoso, despeja o que ensaiou. Chama a medicina de safadeza, diz que há muito queria conhecer Aliócha apesar de saber que ele é um místico, pois o "contato com a realidade" o curará. Aliócha pergunta do que, e Kólia responde: "Deus e coisa e tal". Estranha a resposta, pergunta se Kólia não crê em Deus, e o menino, a corar, exibe a fórmula do deísta culto:
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Capítulo VII: O pedido de Iliúcha
Resumo do capítulo
O médico sai da isbá de sobretudo, com ar de nojo, e o capitão o segue, dobrado, a pedir uma palavra. O doutor responde que não é Deus, manda que se preparem para tudo e, pressionado, diz que só o clima de Siracusa, na Sicília, poderia salvar o menino, e que a família deveria ir ao Cáucaso na primavera e a mãe depois a Paris, a uma clínica de psiquiatra. O capitão mostra com os braços as paredes nuas da entrada, e o médico retruca que isso não é com ele, que disse apenas o que a ciência dispõe como último recurso. Kólia Krassótkin, de pé ao lado de Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, atalha para explicar que Siracusa fica na Sicília, e diante do olhar nervoso do médico para o cão, diz alto: "Não se preocupe, curandeiro, meu cão não morde". Usa a palavra лекарь em vez de "doutor" para ofender, como confessará depois, e provoca a fúria do homem, que grita que o menino deve ser açoitado. Kólia solta uma ameaça de que Pérezvon talvez morda, e só se detém quando Aliócha o ameaça de romper com ele para sempre:
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