Clavis Libri

Os Irmãos Karamázov · Livro VIII

Mítia

Resumo do livro

O Livro VIII é uma corrida. Nos livros anteriores as personagens falam; aqui Dmitri Fiódorovitch Karamázov corre atrás de três mil rublos para devolver a Catierina Ivánovna antes de fugir com Grúchenka, e cada capítulo é uma tentativa que falha: o velho Samsónov, que o manda por zombaria a um mujique bêbado; o próprio mujique, que não acorda; a senhora Khokhlakova, que promete milhões e não tem mil. Quando a última pista se desfaz, Mítia salta o muro do pai, onde a cena corta entre dois parágrafos e recomeça com o criado Grigori caído; foge, descobre que Grúchenka foi encontrar o oficial de cinco anos atrás, resgata as pistolas e encomenda champanhe com um maço de notas que não explica a ninguém, e vai a Mókroie para vê-la uma vez e se matar ao nascer do sol. O que encontra é uma mulher que não ama o oficial e o chama a ficar. Antes de amanhecer, as autoridades o acordam para acusá-lo de um crime que o leitor viu começar e não viu acabar.

Capítulo I: Mítia vai ao velho Samsónov

Resumo do capítulo

Enquanto Grúchenka parte para a vida nova, Dmitri Fiódorovitch Karamázov não sabe de nada e há dois dias vive numa agitação tal que, diz o narrador, bem poderia ter adoecido do cérebro. Não consegue decifrar Grúchenka, que o ama e o tortura, e reduz tudo a uma alternativa, ele ou Fiódor Pávlovitch Karamázov. Do oficial que ela esperava, de quem recebeu uma carta um mês antes, nem se lembra: a luta com o pai ocupa tudo. Sonha com uma vida nova e «virtuosa» longe dali, mas para levá-la precisa de dinheiro, e se recusa a gastar o dela. Pode ser que saiba onde achar o dinheiro (o narrador adia a explicação), mas para pegá-lo precisa antes devolver os três mil rublos a Catierina Ivánovna:

Análise

я карманный вор, я подлец, а новую жизнь я не хочу начинать подлецом, sou um ladrão de bolso, sou um canalha, e não quero começar a vida nova como canalha.

Mítia mede a vida nova pela honra, e não pela lei: a dívida com Kátia é o que o impede de ser, com Grúchenka, o homem que quer ser. O verbo importa, começar: não basta que ela o aceite, ele precisa chegar limpo. A palavra é a mesma, canalha, com que se chamou diante de Aliócha dois dias antes, e que o capítulo repetirá.

Desbloquear com a assinatura

Assinatura

A análise completa de cada livro de Os Irmãos Karamázov está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.

Ver os planosJá assina? Entrar

Capítulo II: Liagávi

Resumo do capítulo

Para correr até Ilínskoie não tem um tostão: sobram duas moedas de vinte copeques. Vende um velho relógio de prata, parado, por seis rublos num relojoeiro do bazar, toma mais três emprestados aos locatários, que lhos dão mesmo sendo os últimos, e, empolgado, lhes conta o plano inteiro. O narrador anota, de passagem, que na véspera de certo acontecimento, ao meio-dia, Mítia não tinha um copeque e vendeu o relógio e pediu emprestado «diante de testemunhas». Chega tarde: a estrada de Volóvia tem dezoito verstas, e não doze; o padre de Ilínskoie saíra; já é quase noite quando o encontra, homem tímido, que o leva a pé, por uma versta que se revela de três, a Sukhói Possiolok, onde Liagávi, que se chama na verdade Gorstkin, dorme embriagado num banco, numa cabana abafada de calor. Mítia tenta acordá-lo, sacode-o, só obtém resmungos. O padre sugere esperar a manhã, e Mítia, desesperado, exclama:

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo III: As minas de ouro

Resumo do capítulo

É a visita de Mítia que Grúchenka contara a Rakítin com tanto susto: para livrar-se dele, pedira-lhe que a levasse à casa de Samsónov, onde diz ter de «contar dinheiro», e que voltasse às onze para buscá-la; Mítia aceitou, contente, pois enquanto ela estivesse ali não estaria com Fiódor Pávlovitch. Depois de deixá-la, corre para casa, ciumento como sempre, e o narrador abre aqui o parêntese sobre o ciúme que cita Púchkin:

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo IV: No jardim

Resumo do capítulo

Mítia conclui que Grúchenka só pode estar com o pai, rodeia a casa de Fiódor Pávlovitch por um beco deserto e salta a cerca no ponto, segundo o boato, por onde Lisavieta Smierdiáchtchaia já passara. No jardim, anda devagar, agacha-se atrás das moitas de sabugueiro e viburno e olha pela janela iluminada. Vê o pai de roupão novo e camisa fina, de faixa vermelha na testa, sozinho, bebendo meio cálice de conhaque e examinando no espelho os hematomas que Mítia lhe deixou; nada de Grúchenka. Mas não sabe se ela está por trás do biombo. Sem poder suportar a dúvida, bate no vidro o sinal combinado entre o velho e Smierdiakóv, dois toques fracos e três rápidos, o que quer dizer «Grúchenka chegou». Fiódor Pávlovitch se atira à janela, põe para fora a cabeça e os ombros, e fala em tom trêmulo: «Onde estás, anjinho? Tenho um presentinho para ti!». Mítia, de lado, vê o perfil aceso pela lâmpada, e a raiva que ele descrevera a Aliócha volta inteira:

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo V: A decisão de Mítia

Resumo do capítulo

Mítia entra de novo na cozinha de Fénia e a agarra pelo pescoço; ela diz tudo de uma vez: Grúchenka foi a Mókroie ao encontro do oficial de cinco anos atrás, o que a largou e voltou da Sibéria. Ele a solta, fica branco e mudo, entende tudo num instante e se perde numa pergunta que o assombra: como pôde esquecer, desde que soube dele, esse oficial. Passa então a interrogá-la com calma e precisão, e Fénia, de olho nas mãos dele cobertas de sangue, responde a tudo, até o recado de Grúchenka (amou-o uma horinha), que ele ouve sorrindo. Antes de sair, diz a Fénia que há uma cerca alta e terrível, mas que ao nascer do sol Mítia a pulará, e que ela se lembre dele para sempre.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo VI: A estrada de Mókroie

Resumo do capítulo

A troica faz as vinte e poucas verstas em pouco mais de uma hora, e a corrida refresca Mítia. Era a mesma noite e talvez a mesma hora em que Aliócha, caído por terra, jurava amar a terra para sempre. Mítia não sente ciúme do oficial: se ela voltou ao primeiro amor, o direito é dele, e Mítia deve «dar caminho». A decisão nasceu ali na cozinha de Fénia, sem raciocínio, e mesmo assim lhe deixa a alma confusa; uma vez pensa em parar o carro, tirar a pistola carregada e acabar logo. Mas a ideia de vê-la, ainda que de longe, o toma por inteiro. Pergunta a Andriéi se não estarão dormindo; o cocheiro supõe que sim, depois lembra que Timofei contou de uns senhores jogando cartas na hospedaria dos Plastúnov. Então Andriéi, com medo de ofendê-lo, diz o que o incomoda: Fénia se ajoelhou diante de Mítia pedindo que não arruine a patroa «e mais alguém», e ele o está levando até lá. Mítia o agarra pelos ombros:

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo VII: O rival de peruca

Resumo do capítulo

Grúchenka grita ao vê-lo. Mítia, gaguejando, pede a «um viajante» o direito de ficar até de manhã na mesma sala, e o polonês de cachimbo, o pan, o recusa, «aqui estamos em particular»; mas Kalganov o convida a sentar-se e Grúchenka, depois de ver que ele não fará escândalo, se alegra e diz que quer que ele fique, e que, se ele sair, sai ela. Mítia chora, ri, bebe o champanhe de uma vez e fica manso como cachorro readmitido. Observa os dois poloneses, um baixo e gordo, de peruca ruim feita na Sibéria e bigodes engomados, o outro alto e calado, Vrublévski, sempre de pé; e aceita tudo o que vê, sem estranhar. Kalganov e Maksímov contam a história da viúva coxa, de que Maksímov se casou, e a pancada que levou por causa de Piron. Mítia brinda à Polônia e depois à Rússia, e os poloneses só bebem «à Rússia dentro das fronteiras de 1772»; ele os chama de tolos, quase brigam, Grúchenka os cala. Jogam cartas; Mítia perde duzentos rublos em um banco, até que Kalganov cobre a carta com a mão e proíbe. Nesse momento, olhando o rosto de Grúchenka, Mítia tem uma ideia nova.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo VIII: A festa e a prisão

Resumo do capítulo

Começa quase uma orgia. Grúchenka pede vinho para ficar bêbada como da outra vez; Dmitri Fiódorovitch Karamázov, como em delírio, serve a todos, manda ferver chocolate para as moças e samovares de chá e ponche para quem chegar, e dá a ela a poltrona da porta, a mesma de onde ela olhava o coro um mês antes. Ela o manda embora, o chama de novo, pergunta como soube dela e se de fato queria se matar no dia seguinte («amanhã talvez te diga uma palavrinha»). Kalganov se enjoa das canções e das danças, das moças vestidas de ursos, de uma cantiga em que o senhor, o cigano, o soldado e o comerciante querem saber se são amados, e adormece no sofá. Maksímov dança uma sabotière e pede a Mítia, baixinho, que lhe apresente uma das moças.

Mítia sai ao balcão de madeira e, sozinho no escuro, pega a cabeça com as duas mãos e tudo se acende de uma vez. Se é para se matar, ali, naquele canto sujo, seria agora. Mas o fantasma que o perseguia, o oficial, virou algo pequeno e cômico, trancado num quarto, e ela, envergonhada, deixa ver nos olhos quem ama; agora só falta viver, e não se pode. Reza: «Deus, levanta o caído da cerca! Passa de mim este cálice terrível!». E, de repente, um raio de esperança: se o velho viver, ele devolve o dinheiro, e a vergonha que resta cabe em seu coração. Vê Trifon Borissitch sombrio, que diz não o procurar, que já são três da manhã, e nada mais.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Leitura do livro

Análise

Desbloquear com a assinatura