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Os Irmãos Karamázov · Livro V

Pró e contra

Resumo do livro

Em pouco mais de um dia, o romance põe frente a frente os dois irmãos que mais se evitavam e, ao fim, afasta o mais velho da casa do pai. Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov noiva com Lise Khokhlakova e confessa, de repente, que talvez não creia em Deus. Ivan Fiódorovitch Karamázov se abre a ele num botequim: ama a vida antes da lógica, aceita Deus e recusa o mundo, devolve o bilhete de entrada a uma harmonia paga com as lágrimas de uma criança, e conta o poema em que um velho cardeal prende Cristo para que Ele não perturbe a felicidade que a Igreja fabricou, e recebe como resposta um beijo. Ao voltar, Ivan encontra no portão Smierdiakóv, que lhe explica, sem pedir nada, o código de batidas combinado com o pai, o envelope com os três mil e a conta dos quarenta mil de cada filho, e lhe aconselha largar tudo. Ivan parte na manhã seguinte para Moscou, depois de dizer ao criado que iria a Tchermachnia e de pedir a um cocheiro que avise o pai de que mudou de ideia. Na mesma tarde Smierdiakóv cai no porão, Grigori adoece e Fiódor se tranca com a sua esperança. A pergunta que o livro deixa é o que separa a recusa que Ivan formula da recusa que ele pratica.

Capítulo I: O noivado de Lise

Resumo do capítulo

Na casa de Khokhlakova, a dona recebe Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov aflita: Catierina Ivánovna teve um acesso de nervos que acabou em desmaio e agora delira de febre; as tias já chegaram, o médico Herzenstube ainda não. Sem tempo para ouvir as aventuras de Aliócha, a senhora Khokhlakova o manda esperar Lise Khokhlakova, que, sussurra, passou a se arrepender a sério de ter rido dele, e a quem seu coração perdoa tudo. Lise, constrangida, fala depressa de coisa nenhuma, até que pergunta pelos duzentos rublos: a mãe lhe contou a história do oficial humilhado e ela chorou ouvindo. Aliócha conta o que se passou na isbá e na rua, e a pintura que faz do menino Iliúcha a emociona de tal modo que, ao chegar às cédulas pisoteadas, Lise junta as mãos e censura: por que não correu atrás dele e o alcançou? Aliócha, que se levanta e anda pela sala, responde que foi melhor não ter corrido, e explica por quê, porque está certo de que o capitão não sabia, até o último instante, que as pisaria:

Análise

это ужасно как тяжело для обиженного человека, когда все на него станут смотреть его благодетелями, é terrivelmente penoso para um homem ofendido quando todos passam a olhar para ele na condição de benfeitores seus.

Aliócha lê o capitão a partir de si mesmo e do que ouviu do stáriets, e conta a Lise onde errou: o capitão já se envergonhava de ter mostrado a alegria diante dele e de tê-lo abraçado cedo demais, e Aliócha acrescentou que lhe dariam mais dinheiro e que ele mesmo daria. Duas leituras: análise fina da vergonha de quem recebe, ou necessidade de que o malogro da missão tenha um sentido, porque Aliócha chega a Lise ainda ferido pela cena da rua.

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Capítulo II: Smierdiakóv e a guitarra

Resumo do capítulo

Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov devia correr para o mosteiro, onde o stáriets agoniza, mas uma ideia que lhe ocorreu ao se despedir de Lise o domina: pegar Dmitri Fiódorovitch Karamázov de surpresa, já que o irmão se esconde dele. Cresce nele, a cada hora, a certeza de uma catástrofe iminente, e ele não sabe ao certo o que quer dizer a Mítia; prefere que o benfeitor morra sem ele a ficar a vida inteira se acusando de ter passado ao largo quando talvez pudesse salvar alguma coisa. Por isso volta a pular a cerca do jardim vizinho ao de Fiódor Pávlovitch Karamázov e se esconde na mesma casinha de verão, sem avisar ninguém, porque a dona da casa ao lado e Foma podem ser leais ao irmão e prevenir Mítia de que o procuram. Passam-se quinze minutos, e ele ouve acordes de guitarra e uma voz de falsete, de tenor de lacaio, cantando uma cantiga. Nos arbustos, num banco esverdeado, estão Smierdiakóv, de roupa de gala, pomadado, de botinas envernizadas, e Maria Kondrátievna, filha da dona da casa, de vestido azul com cauda de dois archin, que veio de Moscou e vai à cozinha buscar sopa. Ela o corteja; ele, empertigado, responde com dignidade fria. Quando ela lhe pede que continue a cantiga, que tanto aprecia, ele desqualifica o verso:

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Capítulo III: Os irmãos se conhecem

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Ivan Fiódorovitch Karamázov não está numa sala reservada, mas num canto da sala de entrada do botequim, junto à janela, escondido por um biombo, e já acabou de jantar. Alegra-se de ter apanhado Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, manda trazer sopa de peixe, chá e geleia de cereja, que Aliócha adorava quando pequeno, na casa de Polenov, e diz que se lembra dele até os onze anos. Entre quinze e onze há uma diferença grande demais para que irmãos sejam camaradas; não sabe se o amou, e em quatro meses na cidade os dois não trocaram uma palavra. Parte amanhã e queria vê-lo antes, para se conhecer e se dar a conhecer de uma vez, porque lhe parece que o melhor momento de conhecer alguém é antes da separação. Durante três meses viu o olhar de espera de Aliócha, que não suportava, e por isso não se aproximou; mas acabou respeitando o rapaz firme e, por fim, gostando daquele olhar. Aliócha responde que Dmitri diz que Ivan é um túmulo e que ele próprio o via como um enigma, mas que desde esta manhã entendeu uma coisa: Ivan é um rapaz de vinte e três anos como os outros, novinho, bom, um bico-amarelo. Ivan, espantado, diz que não pensou em outra coisa desde a cena na casa de Catierina, e se põe a falar do que o sustenta:

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Capítulo IV: A revolta

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Ivan Fiódorovitch Karamázov diz a Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov que lhe deve uma confissão e que prometera explicar por que "não aceita o mundo". Faz isso por etapas, e começa pelo amor ao próximo. Nunca entendeu como se pode amar os próximos; lembra de ter lido sobre João, o Misericordioso, que se deitou na cama com um mendigo gelado e doente, abraçou-o e soprou-lhe na boca purulenta e fedorenta, e crê que ele o fez com um "nadryv de mentira", por amor obrigado pelo dever, por penitência imposta a si mesmo. Para amar um homem é preciso que ele se esconda: no momento em que mostra o rosto, o amor acaba.

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Capítulo V: O Grande Inquisidor

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Ivan Fiódorovitch Karamázov abre o poema com um prefácio literário que ele mesmo chama de desnecessário, e que serve para dar um gênero ao que vem: no século XVI era costume levar as forças do céu à terra em obras poéticas, e nos mosteiros russos circulava o poema "A Mãe de Deus entre os tormentos", em que a mãe de Deus desce ao inferno e arranca de Deus um alívio dos castigos entre a Sexta-Feira Santa e Pentecostes. O seu poema seria do mesmo tipo, se existisse então. Cristo aparece, não diz nada, só passa. Passaram quinze séculos desde que prometeu voltar, a humanidade espera com a mesma fé e os milagres escasseiam. Quis então descer um instante aos que o chamam, e desce à Sevilha do século XVI, no dia seguinte a um auto de fé em que o cardeal Grande Inquisidor queimou de uma vez quase cem hereges, diante do rei, da corte e do povo.

Passa em silêncio, com um sorriso de compaixão infinita, e todos o reconhecem. O povo o cerca, ele estende as mãos e abençoa; um cego de infância pede para vê-lo, e vê; no adro da catedral, uma mãe se lança aos seus pés diante do pequeno caixão aberto de uma menina de sete anos, e Ele diz "Talitha cumi", e a menina se levanta, com o buquê de rosas brancas na mão. É nesse instante que passa o cardeal, um velho de quase noventa anos, alto e direito, de rosto seco e olhos fundos de onde ainda sai uma faísca, vestido não da púrpura de ontem, mas de um velho hábito grosso. Vê tudo, franze as sobrancelhas, aponta o dedo e manda prender o homem. A guarda obedece, e o povo, tão domado que se curva diante do velho até o chão, abre caminho em silêncio e se deixa abençoar por ele. Preso numa cela abobadada da Santa Inquisição, o prisioneiro recebe à noite a visita do cardeal, que entra sozinho com uma lamparina e lhe fala sem esperar resposta. Diz que o povo, que hoje lhe beija os pés, amanhã trará o carvão para a sua fogueira, e que não precisa dizer nada, porque nada tem direito a acrescentar ao que já disse.

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Capítulo VI: O criado no portão

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Ivan Fiódorovitch Karamázov volta para a casa do pai tomado por uma angústia insuportável e que cresce a cada passo, sem que ele saiba dizer de quê. Procura causas: o fim com tudo o que o prendia à cidade, a repulsa pela casa paterna, o despeito de ter dito tanta "bobagem" a Aliócha, em quem tinha grandes expectativas. Nenhuma serve. A angústia lhe parece vir de fora, como um lenço caído no chão que irrita a vista antes de se perceber o que é. A uns quinze passos do portão ele a identifica: sentado no banco, tomando o ar da tarde, está o criado Smierdiakóv.

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Capítulo VII: Com um homem inteligente

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Ivan Fiódorovitch Karamázov entra em casa e, ao ver Fiódor Pávlovitch Karamázov no salão, grita-lhe, agitando os braços, que vai direto para o seu quarto e não para o dele, e passa sem olhar para o pai. O velho tinha vindo ao salão de propósito para lhe dizer algo, e fica parado, com ar de zombaria, olhando-o subir até o mezanino. Pergunta a Smierdiakóv o que ele tem, e ouve que "quem pode saber". Ordena o samovar e que o criado suma, faz as perguntas de sempre sobre a visita esperada, e meia hora depois a casa está trancada e o velho caminha sozinho pelos cômodos, à espera das cinco batidas combinadas, olhando as janelas escuras sem ver nada além da noite.

Ivan não dorme até as duas, e não se podem contar os pensamentos dele, que não eram pensamentos, mas algo muito confuso e agitado. Depois da meia-noite quer descer, ir ao anexo e espancar Smierdiakóv, sem poder dar razão alguma, a não ser que o criado se tornou, para ele, o pior dos ofensores. Outras vezes é tomado por uma timidez humilhante que lhe tira as forças. Odeia Aliócha, odeia-se, esquece-se de Catierina Ivánovna e se espanta com isso. E faz o que, mais tarde, lembrará com asco: levanta-se do divã, abre a porta devagar, como quem teme ser visto, sai para a escada e escuta lá embaixo Fiódor Pávlovitch se mexer, cinco minutos de cada vez, com um coração acelerado, duas vezes.

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