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Os Irmãos Karamázov

Enredo

O livro inteiro, do começo ao fim. Para o resumo e a análise de cada parte, abra os livros.

Numa cidade de província russa, Fiódor Pávlovitch Karamázov, proprietário, usurário e bufão, tem três filhos de duas mulheres e não criou nenhum: Mítia, o sensual, que o desafia por dinheiro e por Grúchenka; Ivan, o intelectual, que aceita Deus e recusa o mundo que Ele criou; e Aliócha, o noviço do mosteiro, discípulo do stáriets Zossima. Uma reunião na cela para dividir a herança vira escândalo, e dali em diante a casa do pai se enche de sinais, rivalidades e silêncios, até que o velho é morto numa noite em que Ivan está em Moscou, Smierdiakóv, o criado epilético, jaz em aparente crise e Mítia anda pelo jardim com um pilão no bolso. Mítia é preso, interrogado, julgado e condenado, embora o assassino tenha confessado a Ivan e se enforcado, e o romance termina com o enterro do menino Iliúcha e com a aposta de Aliócha na boa lembrança. A história é movida por uma pergunta (o que sustenta a fé e a justiça diante do sofrimento de uma criança e da liberdade de desejar o que não se faz) e por um parricídio que o romance mostra por todos os lados e nunca de dentro. O arco vai da reunião na cela, passa pelo poema do Grande Inquisidor, pela morte de Zossima e pela corrida de Mítia a Mókroie, e termina no julgamento, no diabo de Ivan e na roda de meninos junto à pedra.

Livro I: história de uma família

O narrador abre o romance pedindo licença para contar a vida de Aliócha, um herói que ele mesmo chama de excêntrico, e avisa que a biografia é uma só e os romances são dois, o de treze anos atrás e o do presente (prefácio). Apresenta o pai, Fiódor Pávlovitch Karamázov, proprietário reles e depravado, mas esperto para o dinheiro, que casa com Adelaida Ivánovna Miússova, vê a mulher fugir com um seminarista, fica com o filho de três anos e, ao saber da morte dela num sótão de Petersburgo, não se sabe se ri ou se chora (capítulo I). O menino, Mítia, é esquecido na isbá do criado Grigori, passa pelas mãos de Miússov e de parentes de Moscou, cresce sem família e, já adulto, descobre que o pai gastou em adiantamentos toda a herança que ele julgava ter (capítulo II). Fiódor casa de novo, com Sófia Ivánovna, órfã criada por uma generala e atacada por crises de possessa, e tem com ela Ivan e Aliócha; quando ela morre, a generala vem buscar os meninos, e depois de sua morte os cria o marechal Polienov, que paga a educação dos dois; Ivan cresce fechado, estuda em Moscou, publica um artigo estranho sobre o tribunal eclesiástico e aparece na cidade do pai sem que o narrador saiba dizer por quê (capítulo III). Aliócha, aos vinte anos, procura o túmulo da mãe e diz a Fiódor que vai entrar no mosteiro; o pai, que o chama de parecido com a possessa, lhe pede que descubra lá a verdade e volte para contar, porque o filho é o único que não o condenou (capítulo IV). O narrador define Aliócha como um realista, para quem a fé não nasce do milagre, explica o que é um stáriets, retrata o stáriets Zossima e conta como a briga de Mítia com o pai pela herança leva à reunião marcada na cela, para a qual Aliócha teme a ironia de Miússov, a frieza de Ivan e as cenas do pai (capítulo V).

Livro II: uma reunião intempestiva

Num fim de agosto, os visitantes chegam ao mosteiro em duas carruagens, Miússov com o jovem Kalgánov e Fiódor com Ivan, enquanto Mítia se atrasa; Miússov se irrita porque nenhum monge vem recebê-los, e Fiódor promete se comportar, sem muita convicção (capítulo I). Na cela, diante do stáriets Zossima, Fiódor se apresenta como bufão de verdade, conta anedotas que enojam Miússov e confessa que representa de vergonha; Zossima lhe diz que não se envergonhe tanto de si mesmo e, sobretudo, que não minta a si mesmo (capítulo II). Lá fora, o stáriets recebe as mulheres do povo: diz à mãe que perdeu o filho de quase três anos que não se console e chore, porque o menino é um anjo de Deus, e a uma jovem viúva que nenhum pecado esgota o amor de Deus (capítulo III). A senhora Khokhlakova, que duvida da vida futura, ouve que a única prova é a experiência do amor ativo, e Lise, a filha de pernas paralisadas, se queixa de que Aliócha a esqueceu (capítulo IV). Dentro da cela, os convidados discutem o artigo de Ivan: ele sustenta que a Igreja deve conter em si todo o Estado, e Zossima acrescenta que a única pena que corrige é a da consciência (capítulo V). Mítia chega, o pai o acusa diante dos monges por causa de Catierina Ivánovna e de Grúchenka, Mítia pergunta para que vive um homem assim, e Zossima se ajoelha diante dele e toca o chão com a testa (capítulo VI). O stáriets manda Aliócha servir ao almoço do abade e lhe diz que saia do mosteiro quando ele morrer; Rakítin, que o espera na alameda, lê o gesto como o faro de um crime futuro entre os irmãos e o pai (capítulo VII). No almoço do abade, Fiódor volta depois de ter decidido ir embora, acusa os monges de sugar o povo e sai gritando que leva Aliócha, e a reunião marcada para dividir uma herança termina sem nunca ter tratado de dinheiro (capítulo VIII).

Livro III: os sensuais

Na casa de Fiódor vivem o velho Grigori, de lealdade inflexível, a mulher Marfa e o jovem Smierdiakóv; no dia do enterro do filho de seis dedos que o casal perdeu, Grigori acha na casinha de banho do jardim uma louca de Deus que acabou de dar à luz (capítulo I). Era Lisavieta, a Fedorenta, querida da cidade, engravidada numa noite por alguém que ninguém soube nomear (a cidade culpa Fiódor, que jura inocência); ela morre ao amanhecer, e Grigori cria o menino, que passa a se chamar Smierdiakóv (capítulo II). Aliócha, a caminho da casa de Catierina Ivánovna, é chamado por Mítia a uma glorieta escondida e ouve a primeira confissão, em versos: o hino de Schiller, o inseto da sensualidade, a beleza que é terrível porque nela o diabo luta com Deus no coração dos homens (capítulo III). A segunda confissão, em anedotas, conta como Mítia deu a Catierina os quatro mil e quinhentos rublos que ela veio buscar para salvar o pai, sem lhe pedir nada em troca, e como ela se prostrou diante dele (capítulo IV). A terceira diz o que ele esconde: Catierina o pediu em casamento por carta, ele gastou com Grúchenka em Mókroie os três mil que ela lhe confiara, e manda Aliócha pedir ao pai o dinheiro, jurando que matará o velho se Grúchenka for procurá-lo (capítulo V). Na sala do pai, o criado Smierdiakóv é apresentado por seus gestos desde menino (capítulo VI) e defende, com um argumento que deixa Ivan atento, que renegar a fé sob tortura não é pecado (capítulo VII). Bêbado, Fiódor pergunta aos filhos se há Deus e se há imortalidade, e Ivan responde que não, Aliócha que sim, até que Mítia irrompe pela porta (capítulo VIII). Mítia invade a casa, derruba Grigori, espanca o pai, e Ivan diz a Aliócha que um réptil devorará o outro e que reserva para si plena liberdade nos desejos (capítulo IX). Em casa de Catierina, Grúchenka recusa beijar-lhe a mão e a humilha diante de Aliócha (capítulo X). Mítia, na estrada, avisa o irmão de que vai cometer a desonra que podia deter, e Aliócha, no mosteiro, lê a carta em que Lise diz que o ama e adormece rezando por todos (capítulo XI).

Livro IV: os tumultos

O stáriets Zossima acorda muito fraco, confessa-se, comunga e se despede dos monges dizendo que ninguém é mais santo por viver ali e que cada um é culpado por todos; a notícia de um milagre, a mãe que recebe carta do filho dado por morto, agita o mosteiro e dá força ao padre Ferapont, o louco de Deus que vê diabos e que combate o starietismo (capítulo I). Aliócha vai primeiro ao pai, de rosto inchado da surra, que lhe expõe a filosofia de quem não quer paraíso nem conta a prestar, e a quem o filho responde que ele não é mau, é um homem estropiado (capítulo II). No caminho, seis colegiais apedrejam um menino sozinho; o menino atira uma pedra em Aliócha por ser um Karamázov e lhe morde o dedo até o osso, e Aliócha, em vez de revidar, pergunta o que fez a ele (capítulo III). Na casa das Khokhlakova, a dona fala do nadryv que se passa na sala ao lado, e Lise, que ele tinha procurado, finge que a carta foi brincadeira e se perde quando Aliócha a toma como proposta de casamento (capítulo IV). Na sala, Catierina Ivánovna anuncia que nunca deixará Mítia e será o deus dele, Aliócha lhe diz que ela encena e que ama Mítia no nadryv, e Ivan, ferido, diz que o amor dela cresce com as ofensas e anuncia que parte; ela pede então a Aliócha que leve duzentos rublos ao capitão que Mítia humilhou (capítulo V). Na isbá do capitão Snieguiriov, Aliócha reconhece o menino que o mordeu, Iliúcha, e vê o homem que fala em duas vozes, bufão diante dos seus e pai desamparado a sós (capítulo VI). Ao ar livre, o capitão conta a cena da praça, recebe as cédulas com alegria e as pisoteia no chão, dizendo que não vende a honra e que não saberia o que dizer ao filho (capítulo VII).

Livro V: pró e contra

Na casa das Khokhlakova, Aliócha conta a Lise por que não correu atrás do capitão que pisoteou o dinheiro, os dois confessam o amor e noivam, e ele diz, de repente, que talvez não creia em Deus (capítulo I). Ao pular a cerca do jardim vizinho ao do pai à procura de Mítia, Aliócha ouve Smierdiakóv cantar com a guitarra para uma moça, dizer que odeia a Rússia inteira e confessar que Mítia o ameaçou de morte se deixar Grúchenka entrar (capítulo II). No botequim, Ivan diz ao irmão que ama a vida antes de qualquer lógica, que aceita Deus e que não aceita o mundo que Ele criou (capítulo III). Para explicar a recusa, Ivan reúne casos de crianças torturadas, pergunta a Aliócha se ele consentiria em fundar a paz dos homens sobre as lágrimas de uma só delas, ouve que não e devolve respeitosamente o seu bilhete de entrada (capítulo IV). Em resposta, conta o poema do Grande Inquisidor: Cristo volta a Sevilha, é preso, e o cardeal lhe explica que a Igreja corrigiu a sua obra com o milagre, o mistério e a autoridade para fazer os homens felizes; o prisioneiro o beija em silêncio, e Aliócha beija Ivan, que lhe diz que não renega a fórmula de que tudo é permitido (capítulo V). Ao voltar, Ivan encontra Smierdiakóv no portão, que lhe repassa o código de batidas, o envelope com os três mil rublos, a conta dos quarenta mil de cada filho e o conselho de largar tudo (capítulo VI). Ivan escuta o pai da escada, parte para Moscou sem ir a Tchermachnia, chama-se de canalha ao chegar, e o livro fecha com Smierdiakóv caído no porão em crise, Grigori de cama e Fiódor trancado, à espera de Grúchenka (capítulo VII).

Livro VI: um monge russo

Na última tarde de Zossima, a cela se enche de amigos de muitos anos; o stáriets saúda Aliócha, manda-o procurar Mítia, diante de cujo sofrimento futuro se prostrou, diz que ele sairá do mosteiro e permanecerá monge no mundo e explica que ama o rosto dele por lembrar o irmão que o levou ao mosteiro (capítulo I). No manuscrito que Aliócha escreveu de memória, Zossima conta a vida: o irmão Márkel, tuberculoso, que morre dizendo que a vida é um paraíso e que cada um é culpado diante de todos; o jovem oficial que bate no ordenança Afanássi, pede-lhe perdão, pede perdão ao rival no duelo, joga a pistola ao mato e vai para o mosteiro; e o visitante misterioso que confessa em público um assassinato de catorze anos antes e a quem tomam por louco (capítulo II). Nas lições, o stáriets responde à liberdade do mundo, que multiplica necessidades, com a renúncia do monge, diz que o povo é portador de Deus, manda amar toda a criação, escolher sempre o amor humilde e não julgar ninguém, define o inferno como o sofrimento de não poder mais amar e morre ajoelhado, beijando a terra (capítulo III).

Livro VII: Aliócha

Com o corpo de Zossima no caixão, um cheiro de corrupção sai antes da hora, os monges inimigos do starietismo se alegram, o padre Ferapont entra expulsando demônios e Paíssi lhe responde que não são os homens que julgam, e Aliócha sai do eremitério sem pedir a bênção (capítulo I). O narrador explica que a ferida do rapaz não é falta de fé, é a justiça suprema que ele via violada; Rakítin o encontra deitado sob uma árvore, ouve que ele não se rebela contra Deus, apenas não aceita o mundo dele, e o convida a ir à casa de Grúchenka (capítulo II). Lá, Grúchenka, que esperava devorá-lo, salta do colo dele ao saber que o stáriets morreu, conta a fábula da cebola, confessa que queria destruí-lo e deixa escapar o recado para Mítia ao partir para Mókroie (capítulo III). De volta ao caixão, Aliócha adormece ouvindo o Evangelho de Caná, sonha com Zossima na festa dizendo que deu uma cebola e que ele também deu, sai e beija a terra, e se levanta um lutador firme para a vida inteira (capítulo IV).

Livro VIII: Mítia

Mítia corre atrás de três mil rublos para devolver a Catierina Ivánovna antes de recomeçar a vida com Grúchenka e vai ao comerciante Samsónov oferecer-lhe os direitos sobre Tchermachniá; o velho, por zombaria, o manda a um mujique chamado Liagávi (capítulo I). Mítia vende o relógio, vai a Ilínskoie e a pé a Sukhói Possiolok e não consegue acordar o bêbado, que no dia seguinte o trata com desprezo, e ele percebe que o mandaram ali de propósito (capítulo II). Empenha as pistolas a Pierkhótin, vai à casa da senhora Khokhlakova e ouve que ela lhe dará muito mais que três mil, as minas de ouro, mas não os três mil, e de lá pega um pilão de cobre na cozinha de Grúchenka (capítulo III). Ele pula a cerca do jardim do pai, bate o sinal combinado na janela, tira o pilão do bolso, e a cena corta para Grigori, que o agarra pela perna e cai ferido, e Mítia foge e descobre que Grúchenka foi a Mókroie encontrar o oficial (capítulo IV). De sangue nas mãos e com um maço de notas que não explica, Mítia recupera as pistolas, encomenda champanhe e escreve um bilhete em que se castiga pela vida inteira (capítulo V). Na troica de Andriéi pede a Deus que não o julgue, e na hospedaria de Mókroie vê Grúchenka de longe e entra (capítulo VI). Ele se humilha diante dos poloneses, tenta comprar o oficial, e Grúchenka, ao ouvir, rompe com o rival e diz que o que amou foi a raiva (capítulo VII). Na festa, Grúchenka diz a Mítia que é dele e que a leve para longe, ele confessa que é ladrão, e as autoridades abrem a cortina e o acusam de ter matado o pai (capítulo VIII).

Livro IX: o processo preparatório

Pierkhótin, que viu o sangue nas mãos de Mítia, só decide agir depois de a senhora Khokhlakova negar que lhe tenha dado os três mil rublos e de ouvi-la concluir, sozinha, que Mítia matou o pai (capítulo I). Na casa do isprávnik, o promotor Hippolit Kiríllovitch e o juiz de instrução Nikolai Parfiónovitch já sabem do crime pelo alarme de Grigori e da mulher, Marfa Ignátievna, que o achou ferido a uns vinte passos da cerca, para onde se arrastara, e leem Mítia como o fanfarrão que se mata depois da farra; o envelope vazio, achado atrás do biombo, mostra que os três mil estiveram ali (capítulo II). Em Mókroie, na primeira provação, Mítia grita que não é culpado do sangue do pai, Grúchenka se acusa de ser a causa, e ele só se acalma ao saber que Grigori está vivo (capítulo III). Na segunda, ele se recusa a dizer a quem devia os três mil e dita ao escrivão, com sarcasmo, que pegou o pilão para matar o pai (capítulo IV). Na terceira, conta o salto sobre Grigori e a porta aberta do jardim, descarta que o culpado seja Smierdiakóv e se nega a dizer de onde vieram os rublos que traz (capítulo V). Despido diante de todos, jura que quem abriu a porta ao pai não é Dmitri Karamázov, e o promotor lhe diz que Grigori vira a porta aberta (capítulo VI). Mítia revela o segredo dos mil e quinhentos: a metade do dinheiro de Catierina que costurou ao pescoço, e a vergonha de tê-los separado dos três mil (capítulo VII). As testemunhas, o hospedeiro, os poloneses e Maksímov, falam de seis mil, e Grúchenka diz que acredita em tudo o que ele jurar; Mítia adormece e sonha com a criança que passa frio nos braços de uma mulher de aldeia queimada (capítulo VIII). Ao ser preso, ele diz que aceita o castigo por ter querido matar o pai, despede-se de Grúchenka e do povo e parte numa carroça (capítulo IX).

Livro X: morte de Iliúcha

Kólia Krassótkin, quase catorze anos, filho de uma viúva que o cerca de carinho que ele recusa como ternura de bezerro, tem fama de desesperado desde a aposta de se deitar entre os trilhos e guarda um segredo: foi ele o menino que Iliúcha esfaqueou na coxa (capítulo I). Num domingo de novembro, ele deixa os filhos da inquilina com a criada, promete-lhes um canhãozinho e sai com o cão Pérezvon para um assunto importantíssimo (capítulo II). Com o pequeno Smúrov a tiracolo, atravessa a feira dando lições de espírito livre e confessa que gosta de agitar os tolos (capítulo III). Diante da casa do capitão, encontra Aliócha e lhe explica por que cortou relações com Iliúcha, o menino que atirou um pão com alfinete ao cão Júchka, e Aliócha lhe diz que a bufonaria do capitão é trágica (capítulo IV). À cabeceira de Iliúcha, Kólia faz entrar Pérezvon, que é a própria Júchka, achada, escondida e adestrada por ele, e o doente a reconhece, enquanto Kólia conta a história do ganso e humilha o tímido Kartáchov na pergunta sobre quem fundou Troia (capítulo V). No vestíbulo, Kólia repete a Aliócha ideias de segunda mão, Deus como hipótese e Cristo como revolucionário, e Aliócha as desarma sem refutá-las, dizendo que o amor-próprio é o diabo da geração; Kólia confessa que é profundamente infeliz (capítulo VI). O médico de Moscou diz que só o clima da Sicília poderia salvar o menino, Iliúcha pede ao pai que o enterre junto à pedra grande, e o capitão responde que não quer outro menino (capítulo VII).

Livro XI: Ivan Fiódorovitch

Na véspera do julgamento, Aliócha ouve de Grúchenka que Mítia lhe fala de um menino e que Ivan o visitou em segredo (capítulo I). A senhora Khokhlakova o recebe com um "affekt" que tudo perdoaria e confessa que preferiria que Mítia tivesse matado (capítulo II). Lise confessa a Aliócha o desejo de ser torturada e de ver o mal feito, esmaga o dedo na porta depois de lhe entregar um bilhete para Ivan (capítulo III). Na cela, Mítia lhe diz que irá à Sibéria por todos, mesmo sem ter matado, e canta o hino subterrâneo à alegria de Deus; confessa que Ivan lhe propôs a fuga e quer saber se o irmão o julga inocente (capítulo IV). Depois de uma cena em casa de Catierina Ivánovna, Aliócha diz a Ivan na rua que não foi ele quem matou o pai, e Ivan rompe com ele (capítulo V). Ivan relembra a primeira visita a Smierdiakóv, que o convenceu de que o culpado é Mítia, e a sua própria angústia pela escuta na escada (capítulo VI). Na segunda visita, o criado lhe diz que ele queria que outro matasse, e Catierina lhe mostra uma carta em que Mítia ameaçou matar o pai (capítulo VII). Na terceira, Smierdiakóv confessa o crime, entrega os três mil e diz que Ivan é o assassino legítimo (capítulo VIII). Em casa, Ivan conversa com um diabo vulgar sentado no sofá, que lhe devolve as suas ideias, e acorda ao bater de Aliócha na janela com a notícia do enforcamento (capítulo IX). Ivan diz a Aliócha que o diabo é ele, que a consciência é um hábito, e Aliócha, ao vê-lo adormecer, reza e pergunta se ele se levantará na verdade ou perecerá no ódio (capítulo X).

Livro XII: um erro judiciário

O julgamento se abre numa sala cheia de damas e de curiosos de outras cidades, diante de doze jurados de ar severo, e Mítia se declara culpado de embriaguez e devassidão, mas nega o roubo e o sangue (capítulo I). As testemunhas da acusação, de Grigori a Rakítin e ao capitão Snieguiriov, são desmoralizadas pelo advogado Fietiukóvitch, sem que ele proponha versão alguma, e o capitão se recusa a depor porque o filho moribundo lhe pediu (capítulo II). Os peritos se contradizem, e o velho doutor Herzenstube conta a libra de nozes que levou ao menino sem botinas (capítulo III). A defesa depõe: Aliócha só tem o rosto do irmão como prova, e Catierina Ivánovna narra a reverência até o chão que Mítia quisera esconder (capítulo IV). Ivan entra doente, manda entregar ao presidente o maço de dinheiro do envelope, declara que o assassino é Smierdiakóv e que ele o instigou, e Catierina, em crise, entrega a carta da taverna, que condena Mítia (capítulo V). O promotor Hippolit Kiríllovitch começa pelo horror de já não se horrorizar e apresenta os Karamázov como espelho da Rússia, capazes de contemplar os dois abismos (capítulo VI). Reconstrói o caso, troca a mania da perícia pelo ciúme e pelo argumento da carta escrita bêbado (capítulo VII), e examina Smierdiakóv para recusá-lo como culpado porque não se acha outro nome (capítulo VIII). Fecha com a troika de Gógol e o pedido de um fato em favor do réu (capítulo IX). Fietiukóvitch responde que a soma dos fatos não resiste a nenhum deles isolado e que a psicologia é uma vara de duas pontas (capítulo X), nega que os três mil tenham existido (capítulo XI), propõe Smierdiakóv como autor (capítulo XII) e pede aos jurados que esmaguem o réu com a misericórdia, definindo pai como quem gerou e mereceu (capítulo XIII). Na réplica, o promotor teme pelos fundamentos da família, Mítia jura que não foi ele, e o júri o declara culpado sem atenuantes, enquanto ele perdoa Catierina e pede que poupem Grúchenka (capítulo XIV).

Epílogo: o enterro de Iliúcha

Cinco dias depois do julgamento, Catierina Ivánovna, que vela Ivan de febre em sua casa, confessa a Aliócha que a cena do tribunal foi obra da sua fúria, expõe o plano de fuga de Mítia e cede ao pedido de ir vê-lo (capítulo I). No hospital, Aliócha diz a Mítia que a cruz não é para ele, Mítia diz que ama o Deus russo, Catierina lhe diz que o amor passou e que o amará para sempre, e Grúchenka, ao entrar, recusa o perdão que Catierina pede (capítulo II). Doze meninos e o capitão enterram Iliúcha, o capitão grita que o quer junto da pedra, e Aliócha, junto à pedra, diz aos meninos que a coisa mais alta para a vida é uma boa lembrança, que se levantarão dos mortos para se ver de novo, e Kólia grita um hurra a Karamázov (capítulo III).

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