Resumo do livro
A reunião que dá nome ao Livro foi marcada para acertar a partilha entre Fiódor Pávlovitch Karamázov e Dmitri Fiódorovitch Karamázov com a ajuda do Stáriets Zossima, e nunca chega a tratar de dinheiro. Em vez disso, o pai faz da cela um palco, o stáriets responde ao palhaço com uma recomendação de fôlego curto (não mentir a si mesmo), as mulheres do povo e uma dama de salão aprendem com ele o que é consolo e o que é amor ativo, Ivan Fiódorovitch Karamázov expõe com calma a tese de um tribunal que seria da Igreja, e a cena explode quando Mítia chega e Zossima se ajoelha diante dele. A sequência seguinte, o jantar do abade, repete o escândalo em escala maior. A pergunta que atravessa o Livro é o que sustenta uma vida moral quando ninguém é obrigado a olhar: a doutrina de Zossima, sem retórica, ou o excesso dos Karamázov, que faz de toda declaração uma cena.
Capítulo I: Os visitantes chegam ao mosteiro
Resumo do capítulo
Num fim de agosto claro e quente, a reunião com o stáriets está marcada para depois da missa tardia, por volta das onze e meia, mas os visitantes não vão à missa e chegam quando ela acaba. Vêm em duas carruagens: na primeira, elegante, Piotr Alieksándrovitch Miússov e o parente distante Piotr Fomitch Kalgánov, rapaz de uns vinte anos que Miússov tenta levar para estudar no exterior e que é amigo de Aliócha; na segunda, velha e barulhenta, Fiódor Pávlovitch Karamázov e o filho Ivan Fiódorovitch Karamázov. Dmitri Fiódorovitch Karamázov, avisado desde a véspera, se atrasa. Só Fiódor conhecia um mosteiro; Miússov não entra numa igreja há uns trinta anos e olha tudo com curiosidade e uma desenvoltura forçada. Nenhum dos monges vem recebê-los, o que o irrita, porque um dos visitantes doou mil rublos há pouco e o outro é rico proprietário de quem os monges dependem por causa da disputa de pesca, e a ironia liberal dele já vira quase raiva.
Aparece então o pequeno proprietário de Tula Maksímov, velho de uns sessenta anos, melífluo, que se oferece para guiá-los ao eremitério e corre ao lado deles com uma curiosidade espasmódica; Miússov o dispensa friamente, dizendo que têm audiência. Um monge pálido os alcança com o convite do abade para o almoço, à uma hora, e Fiódor aceita encantado e lembra a todos que prometeram se comportar. Miússov aceita porque veio justamente para ver os costumes, mas teme a companhia, e Fiódor, que acha Maksímov a cara de Von Sohn, ouve de Miússov que, se começar a bancar o bufão, ele não quer ser posto no mesmo plano. O monge sorri fino e calado, e Miússov pensa, irritado, que tudo ali é aparência de séculos e charlatanismo.
Análise
Ao portão do eremitério Fiódor faz grandes sinais da cruz diante dos santos pintados e solta pilhérias sobre os vinte e cinco santos que ali se salvam olhando uns para os outros e comendo repolho, sobre a proibição de mulher e sobre o costume do Atos de afastar até as galinhas. O monge explica que o stáriets recebe as damas ilustres em dois quartos da galeria, fora do muro, e que ali espera a senhora Khokhlakova com a filha doente. Fiódor pergunta pelo stáriets anterior, que batia nas mulheres com um bastão, e o monge desmente: parecia às vezes um louco de Deus, mas contam muita tolice. Miússov faz a última advertência, e Fiódor o provoca:
Совсем неизвестно, с чего вы в таком великом волнении, — насмешливо заметил Федор Павлович, — али грешков боитесь? Ведь он, говорят, по глазам узнает, кто с чем приходит. Да и как высоко цените вы их мнение, вы, такой парижанин и передовой господин, удивили вы меня даже, вот что!
, Não se sabe por que o senhor está em tamanha agitação (observou Fiódor Pávlovitch, zombeteiro), será que teme os pecadilhos? Dizem que ele reconhece pelos olhos quem vem com o quê. E o senhor, tão parisiense e tão avançado, dá tanto valor à opinião deles, até me surpreendeu, isso mesmo!
Assinatura
A análise completa de cada livro de Os Irmãos Karamázov está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo II: O bufão diante do stáriets
Resumo do capítulo
Na cela já esperam dois religiosos, o padre bibliotecário Iósif e o padre Paíssi, e, de pé no canto, um seminarista de uns vinte e dois anos protegido do mosteiro, Rakítin, de rosto atento e respeito calculado. Stáriets Zossima entra com Aliócha e troca com os religiosos reverências até o chão. Miússov tinha resolvido, na véspera, pedir ao menos a bênção por simples cortesia, mas, ao ver aquelas reverências, muda de ideia e faz uma vênia de salão; Fiódor o macaqueia, Ivan se inclina com polidez e mãos coladas ao corpo, Kalgánov, confuso, nem se inclina. O stáriets baixa a mão levantada e os convida a sentar. Aliócha cora de vergonha: seus maus pressentimentos se cumprem. Na cela pobre, com ícones antigos e gravuras italianas, Miússov mede o stáriets com o olhar e não gosta dele, e acha-lhe a alma pequena e arrogante.
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Capítulo III: O stáriets recebe as mulheres
Resumo do capítulo
Do lado de fora, na galeria de madeira, esperam umas vinte mulheres do povo e, no quarto reservado, a senhora Khokhlakova (viúva de no máximo trinta e três anos, rica e bem vestida) com a filha de catorze, Lise Khokhlakova, de pernas paralisadas há meio ano e levada numa cadeira de rodas. Zossima desce primeiro ao povo. Cobre com a estola a cabeça de uma klikúcha, que soluça e treme, e reza; ela se acalma. O narrador interrompe a cena para dizer que, em criança, ouviu de professores e proprietários que aquilo era fingimento, e que depois soube dos médicos que se trata de doença real de mulheres do campo, vinda do trabalho depois de partos duros, de desgosto e de pancadas, e que a calma diante do cálice se explica por uma expectativa de milagre e de fé inteira.
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Capítulo IV: A dama que duvida da imortalidade
Resumo do capítulo
A senhora Khokhlakova, de lágrimas fáceis, agradece ao stáriets por ter curado Lise: desde quinta-feira, quando ele rezou sobre a filha, as febres noturnas acabaram, as pernas fortaleceram, a menina ficou de pé um minuto sozinha, e o médico da cidade, Herzenstube, só dá de ombros. Zossima, mais sóbrio, responde que a menina ainda está na cadeira. Lise ri de Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, que fica vermelho, e entrega-lhe um bilhete de Catierina Ivánovna pedindo que vá vê-la depressa; a mãe insiste que é por causa de Dmitri e dos últimos acontecimentos. Aliócha, admirado, diz que a viu uma vez só, e aceita.
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Capítulo V: Igreja e Estado na cela
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O stáriets demora uns vinte e cinco minutos; passa de meio-dia e meia e Mítia não chega, mas quase se esqueceram dele. Quando Zossima volta, cansado e pálido (Aliócha vê que se sobrepõe à fadiga e que tem um propósito para manter a reunião), os convidados discutem animadamente o artigo de Ivan. Miússov participa de má vontade e fica em segundo plano, o que o irrita ainda mais: a nova geração o ignora, ele que se achava à altura de tudo o que há de avançado na Europa. Fiódor, calado por palavra dada, espeta Miússov ao ouvido: não saiu depois da anedota do santo porque se sentiu humilhado e quer provar a inteligência de revanche, e agora não sairá antes disso.
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Capítulo VI: Mítia chega e Zossima se ajoelha
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Dmitri Fiódorovitch Karamázov tem vinte e oito anos e parece mais velho: musculoso, de rosto magro e amarelado, olhos escuros saltados cujo olhar não acompanha o humor, impecavelmente vestido, de passo militar. Vai direto ao stáriets, beija-lhe a mão e pede desculpas pela demora: o criado Smierdiakóv, mandado pelo pai, lhe garantiu duas vezes que era à uma hora. Em seguida faz uma reverência funda ao pai, claramente preparada e sincera; Fiódor, pego de surpresa, pula da cadeira e responde com outra igual, de rosto sério e ainda mais mau. Mítia senta-se perto de Paíssi, pronto para ouvir.
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Capítulo VII: Aliócha e o seminarista Rakítin
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Aliócha conduz o stáriets à alcova, um quartinho com cama de ferro e feltro no lugar de colchão, um atril com cruz e Evangelho, e o senta na cama, sem forças. Zossima olha-o fixamente e o manda ao almoço do abade para servir à mesa, porque ali "não há paz". Aliócha pede para ficar. O stáriets recusa e lhe diz:
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Capítulo VIII: O escândalo no almoço do abade
Resumo do capítulo
Miússov entra no almoço com o propósito de se redimir. Sente vergonha de ter se zangado com Fiódor e conclui que os monges não têm culpa: será gentil, concordará, cederá de vez os direitos de pesca e de corte de lenha e encerrará os processos. O abade recebe os convidados numa sala simples, mas limpa e farta, com pão de três tipos, vinho, hidromel e kvas, sem vodca. Rakítin, que não foi convidado, farejou na cozinha o cardápio de cinco pratos: é inquieto, invejoso e se considera honesto porque não roubaria dinheiro da mesa, o que angustia Aliócha, que o ama. O abade, alto, magro e forte, não deixa Miússov beijar-lhe a mão. Miússov pede desculpas pelo ausente: Fiódor, arrastado por uma briga familiar infeliz, teria dito palavras impróprias na cela do stáriets e, envergonhado, mandou transmitir seu arrependimento. O abade lamenta a ausência, que talvez os fizesse amigos à mesa, e começa a rezar.
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