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Os Irmãos Karamázov · Livro VI

Um monge russo

Resumo do livro

Depois do poema do Grande Inquisidor, o romance não responde com um argumento. Responde com uma tarde na cela de um homem que vai morrer. No Capítulo I, Stáriets Zossima reúne os amigos de muitos anos, recebe Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, manda-o procurar o irmão Dmitri e conta por que ama o rosto dele. No Capítulo II, a vida do stáriets, tal como Aliócha a escreveu de memória: o irmão Márkel, que morre pedindo perdão aos criados e aos pássaros; o jovem oficial que bate no ordenança, vai a um duelo e pede perdão ao rival; o visitante misterioso que confessa o assassinato de catorze anos antes e é tomado por louco. No Capítulo III, as lições: a liberdade que multiplica necessidades contra a liberdade do monge, o amor humilde, o juiz que não pode julgar, o inferno como sofrimento de não poder amar; e a morte, que o narrador conta em poucas linhas, com o velho beijando a terra. O que o livro propõe não é uma refutação, mas uma vida e um modo de agir; a pergunta que deixa é se isso responde à revolta de Ivan ou se só corre ao lado dela.

Capítulo I: Os hóspedes do stáriets

Resumo do capítulo

Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov entra na cela do Stáriets Zossima com medo de encontrá-lo moribundo e sem sentidos, e o vê sentado numa poltrona, extenuado, mas de rosto alegre, rodeado de quatro amigos de muitos anos: os padres Iósif e Paíssi, o padre Mikhail, superior do eremitério, homem firme e simples, e o irmão Anfim, velho monge quase analfabeto e calado com quem Zossima percorreu a Rússia, quarenta anos antes, pedindo esmolas para o pobre mosteiro de Kostromá. Tinham-se reunido porque Zossima prometera de manhã, ao se deitar, levantar-se mais uma vez para conversar com eles, e Paíssi acredita em qualquer palavra do mestre moribundo a ponto de não crer na própria morte se o tivesse visto sem fôlego, desde que ele houvesse prometido voltar.

Análise

Не умру прежде, чем еще раз не упьюсь беседой с вами, возлюбленные сердца моего, на милые лики ваши погляжу, душу мою вам еще раз изолью, não morrerei antes de me embriagar mais uma vez de conversa com vocês, amados do meu coração, de olhar os seus queridos rostos, de derramar mais uma vez a minha alma diante de vocês.

Zossima faz a promessa de manhã, ao se deitar, e escolhe para a despedida o verbo do banquete, "embriagar-se de conversa", em vez de um adeus calado. Quer dividir, e não só ensinar. Paíssi a toma ao pé da letra, e o texto mostra por quê: os mais severos precisam de uma palavra marcada para aceitar que o mestre morre.

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Capítulo II: A vida do stáriets

Resumo do capítulo

O Stáriets Zossima conta, no manuscrito de Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, que nasceu numa cidade do norte, filho de um fidalgo de pouca importância que morreu quando ele tinha dois anos, e que se chamava Zinóvi. Criou-o a mãe, com um irmão oito anos mais velho, Márkel, de gênio irritadiço e calado, que aos dezessete passou a frequentar um filósofo exilado e, na Quaresma, recusou-se a jejuar e disse que não havia Deus, assustando a mãe, a criadagem e o menino de nove anos. Na sexta semana, adoeceu de tuberculose galopante, e o médico avisou a mãe de que ele não passaria da primavera. Ela, chorando, pediu-lhe que se confessasse e comungasse; ele se ofendeu, percebeu que estava gravemente doente e foi, "para alegrar a senhora", disse. Aí começou a mudança. Na Páscoa, sentado na poltrona, sorrindo, aceitou que a velha ama acendesse a lamparina diante do ícone, o que antes não admitia, dizendo que ela rezava a Deus acendendo a luz e ele, alegrando-se com ela, também, de modo que rezavam ao mesmo Deus. À mãe, que chorava ao lado dele, respondeu:

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Capítulo III: Os ensinamentos do stáriets

Resumo do capítulo

O Stáriets Zossima passa da vida à doutrina e começa perguntando o que é um monge. No mundo "esclarecido" a palavra é dita com troça, ou como xingamento, e há de fato no monastério parasitas, glutões e vagabundos; mas há muitos mansos e humildes, que anseiam pela solidão e pela oração, e deles, diz ele, pode vir ainda a salvação da terra russa, porque guardam a imagem de Cristo intacta, na pureza da verdade de Deus, e a mostrarão ao mundo quando for preciso. Vira-se então para o mundo, onde a ciência só admite o que se sente e a vida do espírito foi expulsa:

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